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Ver Versão Completa : HoI2 [AoD-IC] Triumph des Willens



Biller
22/07/2015, 22:05
Triumph des Willens(Triunfo da Vontade)

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Bom pessoal, sou novo aqui no fórum, e sou membro (e moderador) lá do GSB. Tenho um AAR em andamento por lá, mas resolvi repostá-lo por aqui. Então, para não perder a graça, não procurem este AAR por lá. Quero ir atualizando até equiparar o andamento dos dois, a depender da audiência que eu tiver por aqui, claro.
:LOL:


O jogo é no Arsenal of Democracy com a expansão Iron Cross, que é uma expansão que enche o mapa de províncias e o jogo de eventos. Não será um gameplay necessariamente histórico, mas vou me valer de diversos pontos da História, claro. Também não será um jogo expansionista pleno e desenfreado.


Explano o caráter não-apológico ao regime histórico que promoveu genocídios como políticas de Estado, vitimando milhões de pessoas nos campos de extermínio e de batalha. O caráter deste AAR é puramente fictício e sem vínculo algum com a realidade. Este exercício de História Alternativa serve como uma crítica ao autoritarismo, que pode ser representado através de uma bela história, mas que não deixa de ser autoritário.


Configurações de jogo:
Arsenal of Democracy 1.05 + Iron Cross 1.02
Nation: Germany
Scenario: The Beginning of All (1933)
Difficulty: Normal
Ai Aggressiveness: Furious
End Date: 1964
Full IC Take Over: Yes
Tech-Team Take Over: Yes


Objetivos:
O mundo sob a égide alemã ou um cenário de Guerra Fria entre potências, onde a utilização das armas disponíveis será realizada.



Um novo AAR próximo de você...



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ÍNDICE
Prólogo (http://battlecentral.xpg.uol.com.br/forum/showthread.php?107035-AoD-IC-Triumph-des-Willens&p=850852&viewfull=1#post850852)

1933 - Der Sieg des Glaubens (http://battlecentral.xpg.uol.com.br/forum/showthread.php?107035-AoD-IC-Triumph-des-Willens&p=850944&viewfull=1#post850944) (A Vitória da Fé)

1934 - Einheit und Stärke (http://battlecentral.xpg.uol.com.br/forum/showthread.php?107035-AoD-IC-Triumph-des-Willens&p=851026&viewfull=1#post851026) (Unidade e Força)

1935 - Tag der Freiheit: Unsere Wehrmacht (http://battlecentral.xpg.uol.com.br/forum/showthread.php?107035-AoD-IC-Triumph-des-Willens&p=851149&viewfull=1#post851149) (O Dia da Liberdade: Nossas Forças Armadas)

1936 - Winterübung (http://battlecentral.xpg.uol.com.br/forum/showthread.php?107035-AoD-IC-Triumph-des-Willens&p=851289&viewfull=1#post851289) (Exercício de Inverno)

1937 - Für das deutsche Vaterland! (http://battlecentral.xpg.uol.com.br/forum/showthread.php?107035-AoD-IC-Triumph-des-Willens&p=851467&viewfull=1#post851467) (Pela Pátria Alemã!)

1938 - Großdeutschland (http://battlecentral.xpg.uol.com.br/forum/showthread.php?107035-AoD-IC-Triumph-des-Willens&p=851704&viewfull=1#post851704) (Grã-Alemanha)

1939 - Zweiter Weltkrieg (http://battlecentral.xpg.uol.com.br/forum/showthread.php?107035-AoD-IC-Triumph-des-Willens&p=851869&viewfull=1#post851869) (Segunda Guerra Mundial)

1939 - Fortuna Imperatrix Mundi (http://battlecentral.xpg.uol.com.br/forum/showthread.php?107035-AoD-IC-Triumph-des-Willens&p=851955&viewfull=1#post851955) (Fortuna, Imperatriz do Mundo)

1939 - Sitzkrieg (http://battlecentral.xpg.uol.com.br/forum/showthread.php?107035-AoD-IC-Triumph-des-Willens&p=852096&viewfull=1#post852096) (Guerra Sentada)

nigo
22/07/2015, 23:07
Vou acompanhar. Quero ver esse mapa do IC.

e manda um abraço para o Stephano.

Biller
23/07/2015, 10:21
Prólogo

Versalhes, França. 28 de junho de 1919. Este foi o lugar e o dia em que a infâmia desfechara seu derradeiro capítulo na História da Grande Alemanha. Tal capítulo começara em Novembro de 1918 quando a vontade de homens, traidores do Reich, representantes e mesmo integrantes daqueles que haviam forçado o Kaiser Wilhelm II a resignar de seu trono, assinaram o aviltoso armistício em Compiègne.
Os representantes dos Poderes Aliados obrigaram a Alemanha a aceitar humilhantes cláusulas... Proibições e restrições que feriam o direito perpétuo dos Estados Nações. A Marinha Imperial, fora praticamente destruída ou canibalizada sob os termos de reparações navais britânicas, limitando em tonelagens navais inaceitáveis e proibindo a força submarina àquela que fora a outrora poderosa força naval. O Exército Alemão fora limitado a não mais que cem mil homens alistados, proibido de possuir carros blindados e manufaturas destinas à produção de diversos tipos de armas bem como a importação de armas. A Força Aérea Alemã fora extinta e relegada apenas ao setor civil. O território nacional do Reich fora repartido entre franceses, belgas, dinamarqueses, poloneses, lituanos e checoslovacos. As possessões coloniais foram repartidas entre franceses, britânicos, sul-africanos e japoneses. Pesadas indenizações e reparações deveriam ser pagas por décadas futuras.
Ao povo alemão, ultrajado e sobrecarregado por tamanha dívida, só restara a desordem e a insurreição promovida por políticos de índole perversa.

As decadentes nações que assinaram o Tratado de Versalhes não estavam interessadas em assumir um compromisso verdadeiro com a paz. Buscaram apenas espoliar e repartir o Reich como os grandes leões da África ao abaterem uma presa. Mais do que apenas fazer uma pilhagem da grandeza do povo alemão... Tentaram prender aos grilhões um poderio e ímpeto nunca antes visto na História Mundial. Apesar de estar despida de seu resplendor, a Alemanha constituía-se em um perigo permanente e iminente para as temerosas e desprezíveis nações, estas que por alguns momentos lograram algum êxito.

A despeito de tamanhas agruras, seria em Munique, na Baviera, que um futuro promissor começaria a ser traçado. Seria nesta cidade onde seria fundado o Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei ( NSDAP) - o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães. E, entre os primeiros membros de tal organização política, estaria aquele que se mostraria a personificação da vontade e do ímpeto do povo alemão - Adolf Hitler. Seus correligionários políticos logo perceberam sua proeminência de liderança, e, em 1921, Hitler tornar-se-ia o líder do NSDAP. A trajetória não seria fácil. O Partido ainda teria que vencer sérios obstáculos. Um deles fora a tentativa de ascensão ao poder em 9 de novembro de 1923. Novamente, os traidores do povo alemão se mostraram e contiveram a mobilização, a qual chamaram de "golpe". A polícia bávara detivera Hitler e importantes membros do partido. Todavia, a interferência das assim constituídas autoridades não poderiam parar o movimento!
Durante seu julgamento, Hitler defendeu-se brilhantemente sendo ovacionado pela multidão que o acompanhava. Apesar disso, ele foi condenado e enviado à prisão. Durante o tempo que esteve preso, escreveria a obra fundamental do NSDAP, o Mein Kampf - "Minha Luta". Tal escrito arraigara fama nacional sobre a história do Líder e suas concepções.

Anistiado após seis meses de prisão, Hitler refundara e revigorava o Partido. Assim começava a trajetória de ascensão de sua pessoa ao poder.
Até o ano de 1929, o NSDAP conseguira pouca voz dentro do Parlamento. Mas, naquele mesmo ano, o decadente modo de vida das outrora vitoriosas potências da Grande Guerra trouxeram para si e, infelizmente, para a Alemanha, a ruína econômica. A crise de 1929 trouxera ainda maiores desgraças ao povo alemão. As taxas de desemprego subiram exponencialmente tal qual os índices de inflação. As dívidas tornaram-se demasiadamente pesadas e o País ficou a beira do colapso total.
A esperança residia somente na voz de quem pregava desde muito a reafirmação nacionalista do povo alemão bem como sua capacidade de se reerguer como potência mundial - a voz de Adolf Hitler e o Partido Nazi.

Nas eleições de 1930, o NSDAP conseguira expressiva votação, tornando-se o segundo maior partido dentro do Parlamento. O apelo entusiástico e ultranacionalista ganhava novos adeptos a cada dia. Cada vez mais, todos se convenciam que seria através daquele partido que o futuro alemão seria escrito de forma triunfante. Hitler concorreria às eleições presidenciais em 1932, mas perderia para Paul von Hindenburg, importante marechal alemão durante a Grande Guerra e o até então presidente da República. Hindenburg ganhara as eleições de 32, mas foi convencido por Franz von Papen, chanceler alemão daquele ano, a chamar Hitler à Chancelaria.
Em 30 de janeiro de 1933, Adolf Hitler assume como o Reichskanzler, o Chanceler da República.

Desde este ano de 1933 em diante, a História da Grande Alemanha será escrita com maior esplendor e glória que nação alguma alcançara desde os tempos imemoriais, onde o povo alemão erguerá um Reich que durará milhares de anos, sendo o estandarte da supremacia sobre os povos do mundo!


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Es lebe Deutschland! - Vida longa à Alemanha!

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Acompanhe este e outros relatos deste AAR através do ÍNDICE (http://battlecentral.xpg.uol.com.br/forum/showthread.php?107035-AoD-IC-Triumph-des-Willens&p=850830&viewfull=1#post850830)

Em breve, o primeiro capítulo!

Showtaro
23/07/2015, 15:27
Acompanhando também, nunca acompanhei um AAR antes.

Lt. Rasczak
23/07/2015, 17:52
Muito Legal, vou acompanhar!

Phack
23/07/2015, 18:14
Manda bronca Biller!

Biller
24/07/2015, 14:11
1 9 3 3 - Der Sieg des Glaubens(A Vitória da Fé)

Genebra, Suiça. 3 de fevereiro.
Frustração e muito cansaço para muitos... Apenas um pouco de cansaço para outros. Estes eram os ânimos após o último dos longos dias de negociações e debates na Conferência Mundial para o Desarmamento. O que ocorrera naquele dia não era tão diferente do que se sucedera em outros. Não há chance de haver um consenso quando as ambições de alguns esbarram nos interesses alheios. No átrio principal do grande salão central, imediato pela proximidade da tribuna, da Sede da Liga das Nações, estiveram presentes os delegados das cinco grandes nações da Europa - Império Britânico, França, Alemanha, Itália e União Soviética - acrescidos com importância pelos Estados Unidos e pelo Império do Japão. Já no segundo átrio, separado do primeiro apenas pela quantidade maior de assentos que este possui e pelo grau de decisão inferior expressado pelas delegações que neste se assentavam, representantes de outras cinquenta nações...

Estas, talvez, por uma mera formalidade, pois sua posição dentro do salão central já evocava sua importância a nível mundial.
De qualquer forma, não seriam entre as sete nações principais que a distribuição de poder seria igualitária. Uma entre elas fora a principal beligerante e também perdera a Grande Guerra - a Alemanha. Apesar de não estar revestida dos mesmos aspectos persuasivos devido o próprio Versalhes, algo mudara drasticamente a vontade alemã - a ascensão do Chanceler Adolf Hitler e o Partido Nacional-Socialista ao governo, em janeiro.

Não se passara sequer uma semana, mas os componentes da delegação germânica haviam mudado e se apresentado no fatídico dia de negociações. A maioria desta, que era composta sumamente por diplomatas e seus conselheiros, agora reunia também entes militares de diversos escalões - do Estado Maior das Forças Armadas Alemãs, do Exército, do Ministério da Defesa e da Marinha. O novo Chanceler se pronunciava favorável a uma política mais agressiva, aspirada por forças mais conservadoras desde os primeiros anos do pós-Guerra, e estaria disposto a encerrar as discussões se necessário fosse para o bem nacional.


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Chegara então, naquele fatídico começo de tarde do dia 3, a hora da leitura integral e final da proposta francesa, já proferida dois dias antes e analisada deste então, bem como as considerações dos demais "seis grandes". Então, o Ministro para as Relações Exteriores, Joseph Paul-Boncour faria a leitura da proposta. Dois trechos eram críticos:

- "[...] Para a Europa, a disposição dos contingentes militares das nações permanece inalterada pelo período de quatro anos."
- "[...] O quadro militar alemão, permanece, portanto, inalterado. É previsto acréscimo gradual até a cifra de duzentos mil homens alistados unicamente a partir do referido período, sendo responsabilidade do Conselho Internacional a verificação do cumprimento de tais cláusulas."

Naquele momento, o plenário entrou em inquietude. Muitos se perguntavam sobre as prerrogativas francesas para tais linhas. O Vice-Chanceler alemão, Franz von Papen, representante direto da Chancelaria e da Presidência, perguntou então ao recém-promovido ao posto do General e Ministro da Defesa, Werner von Blomberg:

- Herr Werner, como acredita que deva ser o nosso voto?

- Excelência, com todo o respeito, não deveríamos nem votar... - respondeu incisivamente Blomberg. - A proposta deles é unilateral do começo ao fim. Se nós assinalarmos com um voto positivo, arcaremos com compromissos extremamente desfavoráveis. Caso votemos contra, nossa vontade será expressa através de um simples "não". Mas se nem chegarmos a votar, ameaçando nos retirar das discussões, os ingleses e os americanos se mostrarão condescendentes com nossa atitude, pedindo nossa permanência, e votarão contra. Penso que os russos provavelmente vão seguir a mesma opinião.

- Será mesmo, Werner? Não estou tão certo sobre não votar... Pode ser uma atitude radical de mais...

- Pode até ser, mas desta vez os franceses foram pretenciosos demais. Já passou da hora de revisar o Versalhes mesmo... Acredite, Herr Franz, é o melhor a se fazer..


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Werner von Blomberg [o segundo da esquerda para a direita] em conversa com Franz von Papen [o terceiro] durante a leitura da proposta francesa

Tal qual sugerira von Blomberg, os delegados germânicos recusaram-se a votar sob justas alegações e ameaçaram se retirar da Conferência. Os britânicos, exortando à permanência dos alemães, também não se manifestaram favoráveis, pois a aplicação teria impacto negativo sobre a disposição de suas próprias forças e interesses; estes desejavam uma redução geral dos maiores contingentes europeus - as forças soviéticas e as francesas - e sabiam que os alemães não se manteriam inertes por longo tempo sem acréscimos em suas fileiras. Os norte-americanos puseram também em cheque outras concepções gerais do alvitre francês. Com o clima de interesses conflituosos na Conferência, aquela rodada de discussões e votações terminara com a proposta derrotada. A próxima ocorreria em março deste ano.

No início daquela noite, os representantes deixavam o salão central da mesma forma que entraram: sem uma decisão. A imprensa cobria de flashes a saída de todos os delegados e destacaria, na manhã seguinte, destacaria enfaticamente os fatos ocorridos e a indecisão a que se chegara.


Alemanha. Dias depois.
O governo do novo Chanceler continuava com expressiva popularidade. A organização e propaganda política do NSDAP cooptavam novos e importantes seguidores. O Partido em si e sua expressão de força se confundiam com a figura de Adolf Hitler. Seus correligionários o chamavam de Führer, que correspondia a Condutor, Líder ou Guia. O "Führer" então era a personificação das políticas partidárias e seus próprios sentidos ou fins. Pouco a pouco, ele se mostraria como o sentido do próprio Estado. A imprensa alemã passaria a dar grande prestígio a sua imagem, ligando-a com as melhorias que a Nação vivenciaria.

A notoriedade de Hitler atingira diretamente a segmentos de grande peso econômico, como o da Indústria. Até mesmos homens como Gustav Krupp von Bohlen und Halbach, dono das Indústrias Krupp - talvez o líder industrial mais importante da Alemanha - impressionou-se com o novo Líder. A recíproca seria logo percebida e o Chanceler Adolf Hitler nomearia Gustav como o presidente da Federação da Indústrias Alemãs.

A aproximação entre o Governo e o setor industrial resultou em parcerias de benefício mútuo. Era interessante, do ponto de vista estatal, o estímulo à expansão fabril, que renderia milhares de oportunidades de emprego bem como crescimento da economia nacional. O empresariado, por sua vez, ficaria satisfeito com o montante crescente de incentivos e investimentos financeiros a curto, médio e longo prazo. Em 14 de fevereiro, diversos contratos foram assinados entre representantes da Chancelaria e grandes construtoras, assegurando planos futuros de expansão da infraestrutura e diversos projetos público-privados.


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A rápida sucessão de acontecimentos rendia novas páginas de jornais a cada dia. Um êxtase tomava conta da Nação, que até então se sentira diminuída ante si mesma e internacionalmente. O novo governo instituído trilhava o caminho para obter novamente a coesão nacional alemã, com o ressurgimento do ultranacionalismo. Com menos de um mês de mando, então, o Partido Nacional-Socialista, através da figura do Chanceler, fizera o que nenhuma gestão anterior conseguira até aqueles dias. Os alemães começaram a ter fé na Alemanha!

Infelizmente, há hereges que tentam atacar diretamente qualquer esperança de um futuro promissor. Sempre existem os que acreditam em falsas concepções margeadas por princípios retrógrados ou simplesmente impraticáveis. Acreditam que somente praticando atos de loucuras, buscando para si a denominação de "revolucionários", é que se faz alguma mudança. Assim são aqueles que creem e agem sob a ideologia que poderia ser considerada mais mortal que as mais devastadoras epidemias alguma vez ocorridas - o comunismo. Os comunistas ainda persistiam na Alemanha.

E seria entre os que foram infectados com tais ideias, para as quais não há cura senão a erradicação, que a locura encontraria guarida. Na noite de 27 de fevereiro, por volta de 21h25m, o Corpo de Bombeiros de Berlim atendera a ligação de um guarda notificando sobre um princípio de incêndio no Parlamento. O incêndio começou na Câmara de Sessão, e quando a polícia e os bombeiros haviam chegado, a Câmara dos Deputados já tinha sido engolida pelas chamas.


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Prédio do Reichstag, símbolo do Governo e do poder político da Alemanha, em chamas

Na mesma noite, enquanto o fogo era combatido, a polícia berlinense conduziu uma varredura no edifício e encontrou um jovem chamado Marinus van der Lubbe. Próximo a ele fora encontrado combustível e fósforos. Imediatamente detido, o rapaz foi levado em custódia. A averiguação determinara que ele tinha ligação direta com movimentos políticos de esquerda e ativismo contra o NSDAP. Na manhã seguinte ao dia 27, as manchetes dos principais jornais da Alemanha eram enfáticas sobre a participação de um comunista no incêndio criminoso premeditado do Parlamento. Em resposta, o Chanceler prometeu medidas austeras contra todos os culpados e os cientes sobre tal estratagema.


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O inquérito continuaria por meses a fim de determinar o grau de ligação e ação do Partido Comunista Alemão sobre este e outros possíveis atos de terrorismo. O impacto de tal acontecimento fora ao encontro dos interesses do Partido.

O Presidente Hindenburg foi pressionado a tomar uma atitude diante das ações de possível cunho partidário. Então, baseando-se no Artigo 48 da Constituição, declarou emergência nacional. Entre o dia 1º e o dia 4 de março, elementos de três brigadas das Sturmabteilung (SA) - Tropas de Assalto - e uma das Schutzstaffel (SS) - Tropas de Proteção -, ligadas diretamente ao NSDAP, percorreram a Alemanha a fim de cumprir mandados de prisão sobre uma lista de aproximadamente quatro mil nomes vinculados à liderança do Partido Comunista Alemão e suas ramificações.

Enquanto tais eventos se desdobravam, multidões protestavam contra as organizações com ligação ao incêndio do Parlamento. A popularidade destes partidos caíra drasticamente em um curto espaço de tempo. O povo alemão finalmente expurgava os traidores que, por tanto tempo, permeavam a população e há muito foram responsáveis diretos pelas rebeliões internas ocorridas nos últimos dias da Grande Guerra.
As tendências indicavam uma possível maioria nas eleições federais que ocorreriam em 5 de março e, de fato, isto veio a ocorrer.


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A vitória nas eleições fortalecera ainda mais a posição do Partido. Exceto por alguns incômodos resultantes de badernas promovidas pelas SA, a consolidação no poder seguia conforme o planejado pela Alta Cúpula do Partido. Após chafurdar em caos interno por anos, a Alemanha novamente conhecia a ordem. Através do Ato de Habilitação, aprovado pelo Parlamento por 441 votos a favor e 84 contra, o Chanceler fora investido de grandes poderes políticos podendo utilizar mecanismos, permitindo que se valesse de mecanismos não-constitucionais para garantir e solidificar a soberania da Alemanha.

Internacionalmente, as mudanças ocorridas eram pouco debatidas. Outros fatos despertavam um maior clamor. A morosidade com que a Liga das Nações tratava a questão do desarmamento mundial e o conflituoso jogo de interesses tornavam qualquer tentativa de negociação em uma verdadeira guerra de diplomatas. Após o fracasso francês, os ingleses tomaram as iniciativas e propuseram um novo plano. Pelas linhas gerais, o Exército Alemão passaria a ter, imediatamente, o mesmo tamanho que os demais contingentes militares europeus – com exceção da União Soviética – e, após cinco anos, o mesmo poder de fogo. A França, entre outras coisas, seria forçada a reduzir seu exército.

Sob certos parâmetros, a proposta britânica não era totalmente ruim, pois permitiria o imediato rearmamento do Exército e crescimento dos números de alistados. Todavia, tais linhas estariam longe de serem aceitas devido aos anseios egocêntricos daqueles que por pouco não foram derrotados na Grande Guerra - os franceses.

A situação ficaria ainda mais complicada quando, em 27 de março, um dos dias de debates da Conferência Mundial, os delegados do Império do Japão anunciam formalmente sua saída da Conferência bem como fim de sua representação junto à Sociedade das Nações. Tal anúncio apenas comprovara que este órgão internacional perdera sua funcionalidade e passara a representar apenas os torpes interesses de alguns governos. A partir daquele momento, as negociações seguiriam sem progresso algum.

Após a saída dos japoneses, o Chanceler Adolf Hitler enviou um telegrama aos seus delegados proibindo qualquer consentimento com quaisquer propostas apresentadas. O Líder sabia que, com tamanhas discordâncias, nada mais poderia ser feito. Seria apenas uma questão de tempo o fim da permanência alemã na Liga.

Com os novos fatos, a insegurança internacional cresceu drasticamente. As atenções sobre a Europa esvaíram-se e se voltaram a Ásia. Muitos se questionaram sobre uma possível agressão japonesa em território chinês, levando em consideração o histórico de intervenções militares nipônicas sobre a China. Jornais reportavam uma possível reconfiguração da balança asiática de poderes devido a posição política radical do Império Japonês.

Para a Alemanha, tal acontecimento seria interessante. Sem a perturbação promovida pelos observadores do Tratado de Versalhes, o foco nacional poderia mudar livremente. O Chanceler da Nação acenara ao setor industrial sobre a possibilidade do restabelecimento das indústrias bélicas. Através de um pronunciamento, em 27 de abril, os prazos foram anunciados e, dentro de dois anos, isto seria possível. Tais prazos foram anunciados apenas para o público, todavia, na prática, o Governo já viabilizara a construção da base industrial bélica assim que assumira em janeiro. A Federação da Indústrias Alemãs já fora notificada e tivera verbas públicas concedidas desde o primeiro momento. Os grandes conglomerados industriais alemães já haviam tirados todos os seus projetos militares das gavetas e agora trabalhavam diretamente com a recém-criada Seção Especial para o Rearmamento, esta dirigida pelo Ministério da Defesa, para tirar do papel tais ideias.


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A nova orientação erigida pelo Partido e por Hitler cada vez se configuravam como a salvação que a Germânia carecia. Em pouco meses, os milhões, que jaziam na miséria e no desemprego, conseguiam um emprego. O Ministério do Trabalho, sob a liderança de Franz Seldte, iniciara obrass de grande monta como a expansão e modernização da malha rodoviária federal bem como a expansão do parque industrial alemão. E, para garantir os direitos trabalhistas, uma nova legislação trabalhista fora pensada e aprovada sem certas práticas que geram dissidência e desorganização dos operários alemães.


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Em reunião especial no dia 22 de junho, o Reichstag aprovara todo um conjunto legislativo que garantiria os direitos do setor empregador bem como do empregado

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Fotografia feita na ocasião do começo dos trabalhos em uma "autobahn" alemã, onde o Chanceler Adolf Hitler deu o início simbólico da construção da mesma

Tamanhos feitos demonstravam que a Alemanha estava no caminho certo. O povo alemão novamente acreditava em si próprio e no futuro glorioso ao qual estava destinado, expresso através de uma Alemanha una e poderosa, guiada sob a figura do Chanceler.

Apesar de tal progresso, ainda subsistiam aqueles que eram contra a grandeza alemã. Ainda persistiam em suas vãs concepções que detraiam o destino germânico. Organizações políticas ainda persistiam na oposição obstinada dentro dos círculos políticos do Governo. Eram, sem sombra de dúvidas, o resquício dos ideais daqueles mesmos homens que traíram o Reich naquele fatídico novembro de 1918 e na vexatória assinatura do Versalhes, em 1919. Apesar da sólida estruturação do NSDAP, tais partidos opositores incentivavam a desestruturação, o retrocesso ou mesmo a destruição das estruturas constituídas. O Chanceler pressentiu a necessidade de aplicar uma austera medida: o fim do pluripartidarismo em razão do unipartidarismo.

O decreto foi aprovado no dia 11 de agosto diante de uma seção do Parlamento, após um fantástico discurso de Hitler. A assinatura da medida foi saudada através de entusiásticos aplausos dos membros presentes.
As novas medidas eliminavam os últimos obstáculos no caminho para a ordem e retidão do Estado.

Internamente fortalecida, a Alemanha seguia convicta de seus propósitos. A autoafirmação internacional daria seu primeiro passo importante no dia 14 de outubro de 1933, anunciando uma nova perspectiva para o futuro.


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Tal fato ocorrera durante uma seção de debates na Conferência, enquanto o Ministro do Exterior do Reino Unido, Sir John Simon, fazia suas considerações finais. Então chegou um telegrama, assinado pelo Chanceler Adolf Hitler, comunicando uma das decisões mais importantes tomadas pelo Governo, naquele ano. O telegrafista presente na sede da representação alemã, em Genebra, rapidamente enviou a mensagem às mãos os líderes da delegação que, naquele momento, estavam se preparando para realizar sua fala. Quando o mensageiro entregou o telegrama nas mãos do Ministro dos Assuntos Externos, Konstantin von Neurath, este abriu um sorriso e cumprimentou o jovem rapaz que lhe entregara a mensagem dizendo-lhe:

- A partir de hoje, meu jovem, esteja ciente que a Alemanha nunca mais se curvará diante de qualquer interesse estrangeiro que vise pô-la novamente de joelhos... O Futuro se apresenta promissoramente diante de nós... Já o Presente, assegura a Vitória da Fé em nossa Nação!


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Acompanhe este e outros relatos deste AAR através do ÍNDICE (http://battlecentral.xpg.uol.com.br/forum/showthread.php?107035-AoD-IC-Triumph-des-Willens&p=850830&viewfull=1#post850830)

Notas:

1 - É possível que haja algum erro gramatical ou/e de concordância durante o texto, pois várias partes foram feitas em dias diferentes, o que causa quebra do sentido da ideia narrativa.
2 - Optei por ainda não utilizar o termo "Führer", pois futuramente ele terá sua devida inserção. Ressaltei a figura de Hitler através da ênfase do uso do título de "Chanceler", deliberadamente. A repetição em curtos espaços de narração foi utilizada para o destaque e enfoque então.
3 - A postagem foi resumida [apesar de ainda estar muito grande] dentro de uma narração maior, com o destaque de eventos principais ou relevantes para o contexto.
4 - Quando eu quiser dar uma "quebra de cena", tal qual nos filmes, vou colocar o lugar e a data.

Biller
26/07/2015, 20:19
1 9 3 4 - Einheit und Stärke(Unidade e Força)

Berlim. 26 de janeiro.
A fria manhã daquela sexta feira não inspirava ânimo algum. A camada de neve persistia em recobrir as ruas, mesmo com o trabalho árduo dos funcionários que realizavam a limpeza das ruas berlinenses. Até mesmo a circulação de pessoas nas imediações do Parlamento, que é intensa desde as primeiras horas em tempos mais aprazíveis, estava reduzida. As baixas temperaturas pareciam desencorajar caminhadas ao ar livre. A despeito de tais condições climáticas, a guarda permanente das instalações governamentais mantinha prontidão, empunhando seus Mauser 98. Aquele dia, todavia, seria diferente.

O comandante da guarda, Capitão Wolfgang Meyer, fora avisado de que haveria uma quebra do protocolo diário devido a uma reunião entre representantes do Ministério dos Assuntos Externos e do corpo diplomático polonês. Tal quebra de protocolo previa um reforço no contingente de sentinelas dentro e fora dos prédios, para fins de demonstração. Realizando as devidas ligações, o capitão dera inicio aos preparativos, que deveriam terminar por volta de nove horas da manhã, uma hora antes que a prevista para a ocasião.

Quando os últimos acertos estavam em vias de finalização, o capitão e seus homens foram surpreendidos com a chegada de um destacamento das Schutzstaffel. A presença da SS indicava que algum integrante da alta cúpula do Partido estaria presente no encontro, pois, conforme os critérios de segurança, todos os membros de tal escalão deveriam receber escolta desta força.

Faltando poucos minutos antes das dez da manhã, os convidados chegaram com grande comitiva. Entre os presentes, estavam o Ministro dos Assuntos Externos da Alemanha Konstantin von Neurath, o embaixador alemão na Polônia, Hans-Adolf von Moltke, o Ministro da Propaganda Joseph Goebbels, o Vice-Chanceler da Alemanha Franz von Papen, o Ministro do Exterior Polonês Józef Beck, o Marechal e Representante Presidencial polonês Józef Piłsudski e o chefe da Gestapo (a Polícia do Reich, com função de preservação da ordem pública nacional), SS-Oberführer Rudolf Diels, que ali estaria somente como um observador e um dos gestores da segurança daquele encontro. A função dos políticos ali presentes resultaria, obviamente, em algum acordo internacional entre a Alemanha e a Polônia.


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O Pacto de Não-Agressão entre a Alemanha e a Polônia representava uma jogada diplomática de importância. Para os poloneses, era a oportunidade de de restabelecer laços diplomáticos com seu segundo vizinho, cujas relações estavam abaladas desde os primeiros anos do pós-Guerra, bem como estabelecer novas políticas frente ao abandono por parte dos franceses e ingleses. Já para os alemães, o significado de tal acordo era um pouco maior: além de evitar problemas com uma nação que naquele momento dispunha de um exército regular constituído por mais de vinte e cinco divisões e grande reserva (em oposição ao Exército Alemão, limitado a dez divisões), conseguira impor uma nova posição frente a aliança anglo-francesa, aos soviéticos e reequilibrar a balança de poderes do Leste da Europa.


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Na foto acima, aparecem Hans-Adolf von Moltke, Józef Piłsudski, Joseph Goebbels e Józef Beck, estando ausentes apenas von Papen e Diels, após a assinatura do acordo.

A presença de Diels ali fora percebida por von Papen com um certo desconforto. Não haveria sentido lógico algum para que um “chefe de polícia” fosse o designado como representante direto para a assinatura de acordos internacionais senão uma possível desconfiança por parte da Alta Cúpula do NSDAP sobre o Vice-Chanceler. Apesar de tudo, parecia ser melhor que o chefe da Gestapo estivesse ali do que uma possível presença de alguma entre as figuras como Henrich Himmler ou Rudolf Hess. Muito além do que fosse possível especular ou imaginar, o SS-Oberführer Rudolf Diels estava ali apenas coletando informações para a criação de uma ficha contra esse e trabalhando sobre diretivas conjuntas com o Partido, a fim de remover a figura do Vice-chanceler. Esforços não precisavam ser feitos, pois von Papen tornara-se crítico ao governo, apesar deste tentar manter aparências favoráveis. Sua crítica era exercida em círculos reduzidos, como em partes burocráticas ainda não inseridas ao controle do NSDAP, espaços acadêmicos de universidades alemãs e através de falas inoportunas e de múltiplos sentidos nas reuniões da Chancelaria.

Com tais manifestações, não demorou muito para que o setor de inteligência da Gestapo colocasse dois agentes para cobrir a agenda diária dele. Relatórios apontavam que ele “fazia suas críticas mais porque viu sua posição ser desprestigiada e minimizada ante a Hierarquia Partidária, uma vez que sentia que esta deveria ser tributária a ele próprio, visto que se não fosse o seu apoio a Adolf Hitler, na ocasião em que indicou este para ocupar a posição de Chanceler, nada teria sido possível”.

Mesmo com a atenção sobre o Vice-Chanceler, não seria ele o ente mais preocupante, pois pouco ou nada poderia fazer contra a estrutura dirigida pelo Chanceler, sendo este último, por sua vez, cada vez era apontado como a personificação do valor de “liderança” entre as lideranças do NSDAP, das SS e das SA, referindo-se a ele [Hitler] por Führer (ou Líder, Guia).

Maiores preocupações caíam sobre o líder das Sturmabteilung, Ernst Röhm. Desde a fundação do Partido, as SA foram a principal e mais numerosa organização paramilitar alemã. Até a ascensão do nacional-socialismo alemão, elas foram empregadas para o controle dos inimigos políticos da Alemanha e auxiliar nesta trajetória até o poder. Sua atuação era questionada entre os integrantes do Exército Imperial e até mesmo dentro do NSDAP visto o grau de violência e agitação empregadas pelas SA, mas necessária. Quando o poder foi alcançado, a atuação destas tornava-se cada vez mais um obstáculo para a consolidação do Governo. Eram dois modos drasticamente contrastantes: um de cunho reformador, unitário e de fortalecimento do povo alemão, promovido pela pessoa do “Führer”; e outro que utilizava a violência desenfreada e clamava por uma nova revolução de caráter socialista, dirigido por Röhm.

Para Röhm, as SA, que, naquele ano, alcançaram a marca de três milhões de filiados, deviam se tornar o novo exército da Alemanha. Ele via o Reichwehr como algo a ser dissolvido ou absorvido pela estrutura de sua organização, algo totalmente contrário com os planos de Hitler, que via este como algo a ser expandido, modernizado e equipado para se tornar um verdadeiro exército. Ficara evidente que Röhm e sua organização já não sinalizava favoravelmente aos projetos aos projetos do Chanceler e “Führer”.

A preocupação sobre tal indivíduo era quase unânime entre aqueles da Alta Cúpula do Partido, como Heinrich Himmler, comandante das Schutzstaffel, Hermann Göring, premier da Prússia, Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda, e Rudolf Hess, deputado no Parlamento, que viam em Röhm o último e mais sério dos obstáculos para a consolidação do Governo. Não demoraria então para que estes articulassem junto a Hitler uma solução para salvar a Alemanha da ameaça das SA.


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Na fotografia, aparecem os integrantes da Alta Cúpula do Partido, com a ausência de Himmler, e autores da articulação contra as SA

Até mesmo os altos oficiais do Exército Imperial e próprio Presidente Paul von Hindenburg tornaram-se contrários a Röhm e suas SA, a partir do momento que este desejava extinguir ou absorver o Exército Imperial. Até então o “exército dos cem mil” estava neutro dentro do Governo, mas, diante da nova ameaça, passariam a colaborar ativamente com o Partido para que este pusesse um fim às SA.

Foi necessária uma preparação de meses para a tomada de ação. O que começara a ser discutido e planejado entre fins de fevereiro e o início de março seria posto em prática a partir de meados de junho. A Gestapo trabalha ativamente na elaboração de dossiês contra uma grande lista de integrantes das SA e outros inimigos do povo alemão. O SS-Oberführer Rudolf Diels, que chefiou a Organização Policial até 22 de abril daquele ano, fora substituído pelo SS-Obergruppenführer Reinhard Heydrich, tornando esta força mais efetiva visto o pulso firme de sua nova chefia.

Todo o planejamento recebeu o codinome Kolibri, que seria a palavra código para que os efetivos combinados das SS e da Gestapo iniciassem a operação. Até o dia 15 de junho, nenhuma data fora definida para a execução. O próprio Chanceler não tinha uma decisão para esta data e até mesmo partira em viagem para a Itália, a fim de realizar reuniões com Benito Mussolini e seus ministros.
Paralelamente a isto, a situação interna começava a ebulir. Os setores conservadores e tradicionais dentro e fora do Exército tornavam-se impacientes e temerosos. A demora com que o Partido Nazi atuara para eliminar a crescente animosidade das SA e as declarações de cunho “revolucionário” de Röhm ameaçavam seriamente a coesão nacional. Quase a totalidade dos altos oficiais passaram a pressionar diretamente o Ministério da Defesa, para que uma atitude fosse tomada.

Ciente desta situação, o Presidente von Hindenburg comunicou ao Ministro da Defesa Werner von Blomberg e ao General e Comandante-em-Chefe do Exército Werner von Fritsch sobre uma possível declaração de lei marcial e respectiva mobilização das tropas dentro de poucos dias para o desmantelamento das SA. No retorno do à Berlim, no dia 18, o Führer recebeu a informação que von Hindenburg desejava uma reunião urgente. Apressando-se aos fatos, Blomberg foi até a Chancelaria naquele mesmo dia, na tentativa de comunicar-lhe a situação. Sem cerimônias, o ministro contou ao Chanceler sobre a possível atitude do Presidente e alertou para que algo fosse feito.

A situação chegara ao seu clímax. Se até aquele momento, nada fora feito, em virtude de temores do Führer sobre os desdobramentos ocasionais, isso agora mudara. A ameaça de uma declaração de lei marcial fora dos controles da Chancelaria poderia trazer tamanha instabilidade que o próprio Chanceler poderia ser forçado a resignar juntamente com o Partido e o controle governamental passado diretamente às mãos dos militares do Reichswehr. Numa esperada resistência das SA, que, segundo informações da inteligência da Gestapo, havia conseguido importar uma considerável quantidade de armas, a situação nacional poderia se tornar uma verdadeira guerra civil, com o risco de Röhm iniciar sua “segunda revolução alemã”.

Sem hesitar, Hitler deu garantias pessoais a Blomberg e, subsequentemente, a von Hindenburg que dentro de um prazo máximo de quinze dias, a ação seria executada. A partir deste momento, seria apenas uma questão de tempo. Era necessário que toda a liderança das SA fosse presa ou executada em um único golpe, haja visto a potencialidade de resistência e reação destas. O futuro da Alemanha estava em jogo.
Contando agora com o pleno apoio do Exército, o Chanceler Adolf Hitler recebera poderes adicionais através de uma seção extraordinária do Parlamento no dia 27 de junho, a qual o colocou no controle temporário das tropas disponíveis bem como concedeu a autoridade para suspensão das liberdades daqueles que tinham sido previamente investigados e tido seus nomes atrelados às lideranças das SA ou suspeitos de subversão. No dia 28, o Führer, que estivera presente em uma cerimônia matrimonial de um importante integrante do NSDAP, dera ordens ao assistente adjunto de Ernst Röhm para que toda a liderança das SA encontrassem-no para uma reunião na noite do dia 30 de junho, sábado, em Munique, cidade bávara na qual o quartel-general das SA estava instalado.

Na madrugada do dia 30 de junho, o Chanceler e efetivos das SS chegaram ao aeroporto de Munique. Dali partiram rumo a Sede do Governo da Bavária. Hitler fora informado que membros das SA haviam causado tumultos e brigas de ruas na noite anterior. Enfurecido, o Führer, que ordenara ao chefe de polícia de Munique para manter a ordem, retirou daquele homem as medalhas e os sinais de patente de comando. Disse ao oficial que ele deveria ser executado por tamanha incompetência em seguir suas ordens. Hitler mandara prender também os integrantes das SA que promoveram a confusão da noite anterior.

Ao cair da noite, o Führer e as tropas foram ao encontro da liderança das SA no local marcado anteriormente, onde Röhm e parte dos adjuntos deste já estavam. Chegando ao local, as forças policiais e das SS cercaram o perímetro e iniciaram as prisões.
O Chanceler Adolf Hitler, acompanhado de dois oficiais da Gestapo, fora pessoalmente ao quarto onde Ernst Röhm estava instalado e dormindo.

- Röhm, você está preso! – bradou o Führer.

- Heil, mein Führer... – disse Ernst ainda meio sonolento.

- Você está preso! – bradara novamente.

Saindo do quarto, os oficiais da polícia arrestaram o líder das SA. Outros membros da liderança desta organização também foram presos bem como um comboio de oficiais que foram interceptados pelas SS quando chegavam ao local. O Ministro Joseph Goebbels, que acompanhara o Führer até Munique, mas permanecera na sede do governo bávaro, recebera ordens de Hitler para que telefonasse a Göring, em Berlim, de forma a iniciar a Operação Kolibri em toda a Alemanha.

Com as SS, a Gestapo e outras forças policiais regulares centenas de prisões foram feitas, desmobilizando as SA em menos de 24 horas. A operação também buscou demais opositores do Governo. Pessoas como o Vice-Chanceler von Papen, ex-integrantes do Partido, o ex-chanceler Kurt von Schleicher, e alguns outros nomes importantes foram presos ou condenados à pena capital tal qual os líderes das SA.

Röhm e seus adjuntos foram executados na ocasião deste evento, visto que as leis da época não permitiam que eles permanecessem presos ou fossem exilados. O caso de Franz von Papen terminara com uma prisão temporária. Este seria forçado a resignar o cargo, que, por sua vez, deixaria de existir. Por intervenção de Göring, Papen foi poupado da queda completa e, pouco tempo depois, seria enviado à Áustria como embaixador alemão.

Todo os acontecimentos foram apoiados entusiasticamente pelos altos oficiais do Reichswehr e diversos outros setores da economia e da sociedade. O Presidente Hindenburg enviou um telegrama pessoal ao Chanceler, expressando-lhe profunda gratidão pela ação em favor da Alemanha.
O Governo poderia prosseguir agora sem os temores anteriores causados pelas SA e a situação tenderia ao normal novamente.

Ainda no ínterim dos fatos, o Chanceler anunciou que a Alemanha seguiria como uma nação livre. Nem oposições internas ou vontades externas voltariam a trazer o opróbrio ao povo alemão. Sem cerimônias, anunciaria, no dia 2 de julho, a suspensão de todos os pagamentos os quais a Alemanha fora obrigada a realizar de acordo com o humilhante Tratado de Versalhes.


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A suspensão das dívidas de guerra representou uma importante decisão de autoafirmação da Alemanha. Apesar de protestos da tríade das potências democráticas ocidentais – Império Britânico, França e Estados Unidos -, nada seria feito com o intuito de forçar o Governo Alemão a continuar com os pagamentos. Este foi um dos prenúncios daquela que seria conhecida como a “política do apaziguamento”.

Um mês após as medidas de autodefesa do Estado, o povo alemão sofreria uma grande perda. Na manhã do dia 3 de agosto de 1934, o Presidente Paul von Hindenburg viria a falecer.


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Aquele homem fora um dos mais consagrados heróis da Germânia e um dos grandes exemplos da capacidade de liderança dos comandantes alemães da Grande Guerra. Seu legado seria perpétuo na História da Grande Alemanha. O funeral de von Hindenburg seria realizado em Tannenberg, na Prússia Oriental, quatro dias após sua morte, onde seu corpo seria sepultado no Memorial onde os soldados alemães mortos na batalha que ali ocorreu, durante a Grande Guerra, estavam encerrados. Com honras de Estado, representantes estrangeiros e grande demonstração militar por parte do Reichswehr, o Führer discursaria e prestaria suas homenagens naquela grande cerimônia.


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Através de uma emenda constitucional aprovada pelo Parlamento antes da morte de von Hindenburg, os poderes presidenciais deste seriam fundidos aos poderes do Chanceler, na eventual morte do presidente. Com o falecimento deste, a Chancelaria promoveria um plebiscito para que o povo alemão pudesse confirmar ou recusar a execução desta emenda. No dia 19 de agosto de 1944, o povo foi às urnas de votação para a decisão do plebiscito. Com mais de 35 milhões de votos a favor, dando mais de 90% de aprovação, a combinação dos poderes de chefe de Estado e chefe de Governo fora acolhida pelo povo.

Em respeito à memória de Hindenburg, Adolf Hitler decidiu não utilizar o título de presidente, encerrando-o ali. Para a representação da fusão de poderes, assumiria agora com o Führer e Chanceler do Reich, tendo o dever de conduzir a Grande Alemanha.

Como primeira providência nesta novo posição, o Führer reuniria-se com os líderes do Reichswehr, para uma conversa franca sobre o futuro desta instituição. Tornou claro que faria todo o necessário para que as Forças Armadas da Alemanha fossem restabelecidas, independentemente das proibições de Versalhes. Iniciando a expansão do Exército, Hitler consentiu com a expansão do atual contingente. Sem realizar anúncios publicamente, avisou ao Ministro da Guerra Werner von Blomberg e ao General e Comandante-em-Chefe do Exército Werner von Fritsch que vinte mil novos conscritos deveriam ingressar ainda naquele ano.


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No mês outubro daquele ano, o Führer, em reunião com os representantes e o presidente da Federação da Indústrias Alemãs, Gustav Krupp, estabeleceria novas metas e novos aportes financeiros para a expansão da base industrial de base, de transformação e de armamentos. O orçamento destinado ao setor industrial praticamente triplicara em relação ao ano anterior, demandando grandes esforços a curto prazo. Infelizmente, um dos principais impedimentos de um melhor crescimento era a carência de matérias primas sofrida pelo parque industrial alemão. A necessidade de importação esbarrava com os altos custos e preços oferecidos pelos vizinhos europeus. Países como a França e a Grã-Bretanha criavam pressões de âmbito continental para limitar a venda de matérias primas estratégicas para a Alemanha.
Os primeiros indícios de novas oportunidades viriam com a assinatura de um acordo de cooperação com a República da China.


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Em dia 23 de outubro, representantes do governo chinês e assinaram o acordo que previa investimentos alemães no parque industrial chinês bem como ajuda econômica e militar em troca a importação a baixo custo de matérias primas advindas do interior da China. O Governo esperava assim sanar parte do déficit causado pela importação de alto custo dos países vizinhos.

Através de acordos como este, o Führer Adolf Hitler buscava lançar os alicerces de autoafirmação e supremacia econômica dignas da Grande Alemanha. Ao fim daquele ano, o povo alemão sentia-se integrado em uma unidade pátria esquecida deste a Grande Guerra e aspirava agora a mesma força que o Império Alemão conhecera de forma imponente. Um novo tempo estava nascendo!


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Acompanhe este e outros relatos deste AAR através do ÍNDICE (http://battlecentral.xpg.uol.com.br/forum/showthread.php?107035-AoD-IC-Triumph-des-Willens&p=850830&viewfull=1#post850830)

nigo
26/07/2015, 21:28
duvida:

AoD tem cenário começando em 1933?

Biller
26/07/2015, 21:42
duvida:

AoD tem cenário começando em 1933?

Não... É um cenário disponível pelo Iron Cross. Tem de 1933 e 1934. Se não me engano, o Darkest Hour também dá essa possibilidade. Em relação ao cenário de 36, dispor de 3 anos a mais é crucial para planejamento ou campanhas alternativas. Para países menores, é ideal.
Sem contar que alguns desses eventos só tem no IC ou no DH.

Lt. Rasczak
27/07/2015, 09:29
Excelente narrativa e modo de escrita, parabéns! :up:

Biller
28/07/2015, 15:01
1 9 3 5 - Tag der Freiheit: Unsere Wehrmach(O Dia da Liberdade: Nossas Forças Armadas)

Münster, Alemanha. 4 de junho.
- Alvo a trezentos metros. Virar às dez horas! Fogo!
Uma forte cadência de tiros de metralhadora rasgou uma parte do campo de manobras motorizadas, a partir do blindado "Friedrich", um Panzer I, na Área de Exercícios Militares Norte, em Münster. Apesar disso, o som dos disparos era quase insignificante quando visto em meio à formação de panzers que operavam naquele momento. Após cada sequência de disparos, a comunicação ao exercício. A fumaça acinzentava e marcava a paisagem tanto quanto o cheiro de óleo das engrenagens e a gasolina comburida.
Duas brigadas blindadas inteiras estavam em Münster para as demonstrações operacionais do final da primavera. A viabilidade operacional de se agrupar forças mecanizadas em divisões próprias parecia cada vez mais evidente. Ao encontro disto, figurava o trabalho teórico de alguns expoentes do Exército, como Heinz Guderian, Erich von Manstein e Oswald Lutz. Todos eram adeptos e proponentes não apenas da organização do que eles chamavam de Divisões Panzer, como a necessidade de se prover veículos mais capazes que o Panzer I e o protótipo do Panzer II, um veículo dotado de canhão único, mas ainda inferior ao T-27 dos soviéticos. Os modelos III e IV eram ideias, todavia, ainda não se chegara a um consenso que mediasse a demanda por estes e a falta de capacidade de produzi-los em curto prazo.

Esta situação da demanda versus a capacidade industrial se tornava cada vez mais delicada. Os grandes conglomerados industriais alemães ainda careciam de recursos estratégicos e principalmente de tempo hábil para a entrega dos projetos. O Führer tinha ciência disso e então orientou que a Frente Alemã para o Trabalho concentrasse esforços ainda mais eficazes na base industrial. Assim, viu que era chegada a hora de declarar à Alemanha e ao mundo sobre o que ocorria secretamente até então. Em um memorável discurso no mês de março, declarara o rearmamento geral das Forças Armadas.


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Naquele mesmo dia 4, largos destacamentos da VI Divisão de Infantaria chegariam a Área de Exercícios Sul, sob o comando do Major General Walter Kuntze. Esta grande unidade era a principal responsável pela região alemã do Alto Reno. A totalidade daquela tropa era formada por soldados e oficiais veteranos desde a época da formulação do Exército Imperial, em 1919. Assim, o treinamento era virtualmente desnecessário.


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O general Kuntze recebera ordens não sobre a melhoria da perícia de seu contingente de elite, mas para empregá-lo em campo, no treinamento básico das novas formações, recrutadas desde fevereiro. Durante todo o mês de junho, as unidades passariam por testes de combate junto aos veteranos da IV Divisão de Infantaria.

As forças do Heer não só passavam pelo treino básico como participavam de exercícios em coordenação às manobras da própria Força Aérea, sediadas à partir dos aeródromos militares de Dortmund e Wilhelmshaven. Os campos militares de Münster eram apenas uns dos muitos que já operavam à plena capacidade. Outros tantos estavam sendo construídos rapidamente para sediar novas tropas.
Após os testes, os oficiais recebiam o comando de suas unidades e os recrutas recebiam suas insígnias, prestando o seguinte juramento:

"Faço, em nome de Deus, este sagrado juramento, que, ao Führer do Reich Alemão e do Povo, Adolf Hitler, Supremo Comandante das Forças Armadas, deverei obediência incondicional e que, como um bravo soldado, estarei preparado a todo momento para dar minha vida por este juramento".


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Londres, Reino Unido. 19 de junho.
O Ministro dos Assuntos Externos da Alemanha, Konstantin von Neurath, embarcaria naquela tarde em um avião da Lufthansa, a principal empresa área do ramo civil na Alemanha, um modelo Junkers Ju 52. Com ele, estavam outros dois assessores que contribuíram na missão diplomática alemã, enviada semanas antes ao Reino Unido. O principal objetivo desta era a barganha que resultara em um tratado bilateral sem precedentes entre as partes: o Tratado Naval Anglo-Germânico. Aqueles homens carregavam os termos para a chancela final no Parlamento. Obviamente, o aceite deste acordo pelo Parlamento seria apenas uma formalidade, pois o Ministro, na condição de plenipotenciário, e com o aval do Führer, já havia dado a palavra final aos britânicos.
Neurath estava orgulhoso de si próprio. Transformara habilmente uma situação não muito promissora em um intento bem sucedido.

Tudo começara com a própria autoafirmação alemã de se rearmar, proclamada no início do ano. O pesado desarme imposto através do Tratado de Versalhes, em 1919, havia reduzido a Marinha de Guerra a alguns navios de superfície. Submarinos foram proibidos terminantemente. A despeito dos intensos debates ainda latentes sobre sua natureza como uma frota de superfície ou frota submarina, a Marinha tinha um papel fundamental na reedificação das Forças Armadas e seria erguida como uma frota de superfície com largo apoio de submarinos - uma Frota Combinada.


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O único grande problema para o intento era a atitude dos britânicos quanto ao que se procedia. O Führer sabia que, cedo ou tarde, os britânicos descobririam e isto poderia ocasionar uma grave situação. Contudo, ele sabia também que o Reino Unido poderia ser um importante parceiro militar estratégico. Desde o Mein Kampf ele preconizara que era possível estabelecer fortes relações com os ingleses desde que a Alemanha reconhecesse a natureza da geopolítica europeia: no continente, a supremacia alemã devia ser assegurada; no mar, é a supremacia inglesa que não podia ser contestada. Tudo devia se encaminhar para um equilíbrio de poder com fronteiras bem definidas. Os principais inimigos seriam sempre a França e a União Soviética, e não o Reino Unido.

Para deixar os propósitos bem assentados, o Führer incumbira Von Neurath de levar uma proposta decisiva aos ingleses: mediante os pressupostos geopolíticos, requisitava-se o rompimento da cláusula naval de limitações à Marinha, em troca de um rearmamento controlado e a ser aceito por ambas as partes. Sugeria-se o aumento da tonelagem naval alemã à marca de 35% da tonelagem total da Royal Navy, em troca, a Alemanha reconhecia a supremacia naval inglesa e assumia o compromisso de equipar uma força naval de caráter defensivo. Von Neurath sabia que os ingleses poderiam enxergar o acordo como um abuso alemão. Então, atuou decisivamente para convencer os interlocutores do Governo de Sua Majestade que a proposta oferecida tinha vantagens evidentes. Por outro lado, deixou claro que o Führer estendera bondosamente sua mão aos ingleses e a recusa significaria em futuras complicações diplomáticas.

Aos britânicos, a proposta era derradeira: com o inevitável rearmamento alemão, um crescimento controlado era mais viável e desejoso do que a ausência total de acordos e a necessidade de intervenção. Para além disso, mesmo com os intensos esforços industriais alemães, os ingleses duvidavam da capacidade germânica em alcançar a marca de 35% em menos de 7 a 8 anos. A própria personalidade impositiva do Ministro alemão, na condição de mediador, não inspirava a possibilidade de muita indecisão por parte dos britânicos. Ou aceitavam ou correriam riscos maiores.

Assim, em 18 de junho, o Parlamento Britânico ratificou o acordo em considerável maioria.


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Com a bem sucedida missão, o Ministro alemão não apenas conseguira um acordo, mas conseguira um tratado naval de mútuo benefício e à revelia dos franceses, italianos ou americanos. O ganho diplomático garantira à Marinha tempo suficiente para um rearmamento seguro e longe da desconfiança britânica. Embarcou à Berlim com a certeza de obter grande prestígio junto ao Führer. Era um dos grandes nomes do Governo que era bem visto pela liderança do NSDAP, mesmo não sendo um membro filiado ao Partido.


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http://www.youtube.com/watch?v=kbLxUIrfJGg

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Biller
30/07/2015, 15:04
1 9 3 6 - Winterübung(Exercício de Inverno)

Região de Arnsberg, Alemanha. 1º de Janeiro.
Na madrugada do primeiro dia de janeiro, em pleno clima de festividades de Ano Novo, o Major General Walter Kuntze praticamente não dormira. É fato que comemorara a passagem de ano em uma comemoração com os oficiais da Divisão. Contudo, diferente de outros Oficiais Generais, não recebera a licença para aquela data. Nem ele e nem seus oficiais receberam. Naquele dia, levantara-se por volta das 4h da manhã, com o céu ainda escuro pela madrugada, antes da saraivada do despertar. Fazia sua barba em frente ao espelho enquanto seus pensamentos se ordenavam com grande seriedade. Sabia que algo estava porvir.

Seu pressentimento se devia a duas diretivas recebidas. Uma em cada semana. Ambas confidenciais e advindas do próprio Estado-Maior do Exército. A primeira definia que Kuntze não deveria dispensar quaisquer licenças a seus oficiais subalternos e que, por hora, a dele próprio estava suspensa, por determinação direta do Führer e do Estado-Maior das Forças Armadas Alemãs. Já a segunda, recebida no dia 29 de dezembro, designava que a VI Divisão de Infantaria, aquartelada em Arnsberg, devia iniciar preparativos de mobilização de escala total e trazia em si um detalhamento uma manobra militar, o Exercício de Inverno - a Reocupação da Renânia. Envolvia a mobilização de uma única divisão, a sua divisão, e significava uma única coisa: o Führer tinha intenção de romper definitivamente o Versalhes.

A Renânia, uma considerável região na margem oeste do Rio Reno cuja presença militar alemã fora terminantemente proibida, era um ponto importante dentro das prerrogativas de reaver a soberania alemã. Nesta conjuntura, a VI Divisão de Infantaria era mais do que uma sentinela sobre o Reno: era uma unidade apta a realizar uma ocupação rápida na Renânia. Kuntze sabia desta situação e a última diretiva recebida só poderia que a ação seria levada a cabo. O grande problema não era a tarefa em si, mas os possíveis desdobramentos. Sabia-se que além da Linha Maginot, calculava-se que os franceses detinham vinte ou mais divisões ao longo da área.

A ocupação da Renânia poderia significar o advento de uma guerra. Apesar de ter treinado exaustivamente em manobras que simulavam o que teria de fazer, pensava na real conjuntura da missão. Os franceses sobrepujavam em muito as condições materiais alemãs bem como os números destes próprios. A unidade de Kuntze poderia ser a primeira a se engajar em um conflito de enormes proporções em uma situação não muito favorável, haja vista que a desmilitarização estava obviamente acompanhada da impossibilidade de se erigir fortificações. Seria um combate frontal contra um inimigo largamente superior e que teve mais de uma década para a situação.

Apesar de tudo, o Major General estava relativamente calmo. Estava determinado em cumprir seu dever da forma que havia se preparado e fora instruído: na ocorrência do conflito, suas ordens eram resistir de forma obstinada e executar ações de retardamento do avanço inimigo. Combatera na Grande Guerra e encarara o pior nas trincheiras. Pressentia o perigo, mas não punha demasiada fé em encará-lo face a face ou em algum medo desmedido. Por volta das 4h20, enquanto já se aprontava em seu uniforme, seu assistente pessoal bateu na porta de seu quarto e adentrou. Este lhe trouxera suas botas, limpas e impecavelmente engraxadas, e documentos. O oficial fez algum comentário sobre as tarefas do dia e como este seria longo, enquanto dispunha os documentos sobre uma mesa.

O telefone então começou a tocar. Kuntze pediu a seu assistente para que este atendesse. O assistente estranhou um telefonema tão cedo, mas prontamente atendeu. Quase que instantaneamente, o assistente repassou a ligação.

- General, ligação do Estado-Maior do Exército. – Avisou o assistente, com os olhos um pouco arregalados, buscando avidamente repassar o telefone. Kuntze já sabia na hora do que se tratava. E atendeu.

- Kuntze falando.

- Von Fritsch. Walter, já deve imaginar o por quê estou ligando... - Werner von Fritsch, Chefe do Estado-Maior do Exército, apenas ligara para confirmar

- Sim, eu sei...

- Pois bem, serei breve... O Führer deu a ordem ontem a noite. O Ministro da Guerra [Werner von Blomberg] confirmou a pouco. Sua unidade deverá executar o Exercício de Inverno. Isso é tudo. Boa sorte.

- Entendido.

Após desligar o telefone, Kuntze pediu a seu assistente para que reunisse os oficiais do Comando da VI Divisão.

A reunião seria rápida. Levou mais tempo para reunir o Comando do que para falar o que seria feito. A VI Divisão de Infantaria já havia treinado para aquela manobra. Não sabiam, entretanto, que seria executada naquele dia. Em menos de dez minutos, os oficiais foram dispensados a seus devidos batalhões. O café daquele dia foi servido às pressas. Os homens sequer ficaram nos refeitórios. Alojamentos eram esvaziados. Equipamentos carregados. Rifles alçados aos ombros. Às 6h30, os primeiros efetivos deixavam os quarteis de Arnsberg.


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Os batalhões de infantaria marcharam em colunas, lideradas por um regimento de cavalaria e formações motorizadas. A marcha devia ser rápida, fulminante, todavia discreta. Conforme os batalhões deixavam a região de Arnsberg, em direção à região do Médio Reno, Kuntze iniciou as manobras, que incluíam a dispersão completa de suas forças. Se por um lado, o ganho de terreno era substancial, por outro, a fraqueza era maximizada. Nada impediria que os franceses obliterassem unidades tão diminutas. O que aquele Major General não sabia era o que se procedia na esfera diplomática nacional.

Enquanto as vanguardas da VI Divisão de Infantaria estavam a ponto de cruzar o Rio Reno, notas diplomáticas foi entregue às embaixadas francesa e britânica em Berlim. O Ministro das Relações Exteriores, Konstantin von Neurath, acusava os franceses de terem quebrado os Tratados de Locardo, que garantiam o equilíbrio de poder ao terem feito um acordo em fins de 1935 com os soviéticos. A Alemanha estava ameaçada por duas potências militares, pelo menos, no plano teórico. Mas Neurath, hábil diplomata e político, extraiu o máximo de proveito da situação quando levou a cabo tal denúncia. Anunciou que um contingente militar fora despachado para reassegurar a soberania alemã na Renânia. Deixou claro que não havia alternativa ao curso dos fatos e que a força despachada era simbólica, mas capaz. De uma forma ou outra, levaria um certo tempo até que as notas fossem digeridas.

Às 11h00 do dia 1º de janeiro, uma parte da VI Divisão, cerca de dezenove batalhões, atravessou o Rio Reno em diversas localidades. A população ovacionava a travessia dos soldados ainda nas pontes. O dia estava límpido e, mesmo no Inverno, a neve pode ser removida facilmente dos acessos.


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A partir dali, o avanço em profundidade foi de sobremodo rápido. Os batalhões adentravam as grandes cidades alemãs do Oeste ao som de toques marciais e sob contínua celebração dos civis que saudavam o retorno do Exército.


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Até o fim da tarde, destacamentos foram enviados até a fronteira com a França. A reocupação da Renânia fora efetiva, mesmo que de forma simbólica. Entretanto, a resposta francesa era aguardada com um misto de ansiedade e temor. O Major General Walter Kuntze instalou seu posto de comando em Kaiserslautern, a cerca de cinquenta quilômetros da fronteira com a França. Pela noite, recebeu relatórios detalhados sobre mensagens interceptadas pela Inteligência. Apontava-se que as tropas francesas estacionadas na Linha Maginot estavam virtualmente prontas para o ataque. O restante das forças francesas estavam se preparando para uma mobilização geral, que teria início dentro das próximas 24h. Os relatórios pediam que Kuntze se preparasse para a iminência do ataque.

Em Berlim, a situação era ainda complicada. O Alto Comando das Forças Armadas estava dividido quanto a manter tropas na Renânia e do envio de mais divisões para lá. Com boa parte dos oficiais intermediários e superiores em licença de Ano Novo, seria quase impossível reorganizar o Exército para uma defesa em menos do que 72 horas. Acreditava-se que, ao fim da mobilização total das Forças Armadas, os franceses já teriam ocupado totalmente a Renânia e atravessado o Reno. Nenhuma estimativa era promissora. Temia-se ainda que os soviéticos cooptariam os poloneses para uma segunda frente. Werner von Blomberg, o Ministro da Guerra tentara convencer o Führer ainda na madrugada do dia 2 para que a VI Divisão de Infantaria abandonasse a Renânia e um canal diplomático fosse aberto diretamente com os franceses.

Von Neurath, por outro lado, era o mais confiante quanto à inação dos franceses. Através de sua rede de contatos, sabia que os franceses não estavam tão predispostos a iniciar uma guerra, mesmo com a violação de Locarno e de Versalhes. Sua notificação sobre a ação alemã, garantia aos franceses que o contingente na Renânia era minoritário. Assim, assegurara a Hitler que a Alemanha deveria esperar os franceses agirem, mas que não acreditava que isso ocorreria. O Führer, por sua vez, preferiu acreditar em Neurath e perguntou a Blomberg se havia informações reais de que as tropas franceses haviam iniciado uma mobilização geral ou mesmo iniciado procedimentos para atravessar a fronteira. Recebendo a negativa, Hitler preferiu aguardar o desenrolar dos fatos.

Durante todo o dia 2, as tropas da VI Divisão se prepararam como puderam. Mesmo sob o frio do Inverno e a fina neve que caía, cavaram linhas de trincheiras, instalaram redes de minas e linhas de comunicação. Nem o ataque e nem a mobilização francesas viriam. Von Neurath havia coordenado um movimento perigoso. Uma aposta arriscada. Mas, no decorrer dos acontecimentos, seu cálculo fora eficiente e o Exercício de Inverno obtivera o êxito completo.
Kuntze poderia respirar aliviado. Suas tropas não se engajariam em combate. A Alemanha se fortalecia mais uma vez.


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Acompanhe este e outros relatos deste AAR através do ÍNDICE (http://battlecentral.xpg.uol.com.br/forum/showthread.php?107035-AoD-IC-Triumph-des-Willens&p=850830&viewfull=1#post850830)

Phack
30/07/2015, 20:59
Massa! Continue atualizando!!

Biller
04/08/2015, 02:26
1 9 3 7 - Für das deutsche Vaterland!(Pela Pátria Alemã!)

Departamento do Alto Comando da Marinha. Berlim, Alemanha. 5 de Abril.
No início da tarde daquela segunda-feira, a movimentação era mais intensa que a de costume. Oficiais de patentes diversas circulavam em um ritmo frenético a fim de organizarem os relatórios e memorandos. Telefones tocavam quase ininterruptamente. A central de comunicações estava sobrecarregada com inúmeras chamadas e uma inundações de mensagens para serem decodificadas. Tal situação significava uma coisa: o Comandante-em-Chefe da Marinha havia organizado uma reunião. E de fato havia mesmo. Às 15 horas, o Almirante-General Erich Raeder se reuniria com os principais comandantes da Marinha.

Enquanto a hora não chegara, muitos relatórios eram revisados e lidos com a mais profunda atenção, principalmente pelos não-integrantes do Almirantado. O Contra-Almirante Wilhelm Marschall, chefe de operações da Marinha, por sua vez, estava tranquilo. Trabalhando naquelas instalações, não teve que se deslocar tal qual outros. Pode se dar ao luxo de fumar um cigarro em seu próprio gabinete enquanto aguardava o horário determinado. Outros oficiais comandantes, por exemplo, tiveram que vir das bases navais como Wilhelmshaven, no Mar do Norte, como o Vice-Almirante Alfred Saalwächter, e Königsberg, no Báltico, como o Vice-Almirante Conrad Albrecht. Havia certa ansiedade em todos aqueles homens. No dia primeiro de abril, uma nova seção fora criada dentro daquele Departamento: o Comando Naval de Guerra. A criação desta gerou uma comoção nos circuitos da Marinha, pois se especulava o advento da própria guerra.

Àquela altura, a chefia do Departamento e do Comando estavam nas mãos do Almirante Günther Guse. Contudo, esperava-se que tais organizações fossem separadas em breve e o encontro marcado poderia servir para que Erich Raeder escolhesse um novo nome para um destes postos. Assim, fortes interesses tensionavam nas mentes daqueles altos oficiais da Marinha de Guerra. Conforme o horário marcado se aproximava, a sala de conferências começou a ser preparada. Pouco tempo depois, esses começaram a ser avisados para já se dirigirem à sala. Esta seria a primeira vez desde a Grande Gurra que uma reunião deste porte ocorreria.

Às 15h, a sala começou a ser ocupada. Cada homem ali visualizou um lugar em volta da mesa semicircular no centro do ambiente, para depositar seus documentos pessoais e se acomodar. O lugar do Almirante-General, por sua vez, era destacado no lado oposto ao semicírculo, frente a todos. Reuniram-se três Almirantes, quatro Vice-Almirantes e quase dez Contra-Almirantes. Todos eram carreiristas na Marinha de Guerra. Todos haviam lutado na Grande Guerra e haviam assistido o desmantelamento de suas unidades navais, no fim desta, por imposição dos Aliados. Eram veteranos que se orgulhavam de suas condecorações, e viam na ascensão do Partido Nacional-Socialista a possibilidade de planejar e executar a desforra. Sabiam, no entanto, que um longo caminho deveria ser trilhado antes de que surgissem condições de se enfrentar os britânicos ou os franceses em condições paritárias.

Mesmo o maior dos esforços da indústria naval, que permitira o lançamento de três grandes belonaves capitais - o KMS Admiral Hipper, o KMS Prinz Eugen e o KMS Lützow - na última sexta feira, dia 2, ainda não permitia uma significativa alteração no balanço de dominação naval.


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Apesar disso, a pompa e grandiosidade envolvida no evento atraíra muita atenção de franceses, britânicos e mesmo dos bolcheviques. Juntos, os três cruzadores pesados correspondiam a mais de cinquenta mil toneladas. E, à altura dos acontecimentos, maior tonelagem correspondia a uma diplomacia de maior peso. Os russos compreenderam que a Marinha de Guerra Alemã já sobrepujava sua Frota do Báltico, em poder de fogo e capacidade teórica de operação. Os franceses, por sua vez, ainda estavam ressentidos com o tratado naval entre os britânicos e os alemães, e se sentiam traídos. Os britânicos já esperavam algo daquela conjuntura, mas não deixaram de se surpreender com a façanha.


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Lançamento do KMS Admiral Hipper, o primeiro de sua classe de cruzadores pesados, no Porto de Hamburgo. Construído pela Blohm und Voss, seria acompanhado por dois outros: o KMS Prinz Eugen, pela Germaniawerft, de Kiel; e o KMS Lützow, pela Deschimag, de Bremen.

Raeder teria discretamente sugerido ao Führer que não fizesse o triplo lançamento e mesmo que adiasse duas das entregas, pois temia os possíveis desdobramentos daquela ação. Hitler, entretanto, assegurou a seu Almirante-General de que tudo estava sob controle e que o povo alemão devia saber da capacidade bélica de sua Terra-Pátria. O que Erich Raeder não queria provocar, na verdade, era um certo "ciúmes" por parte de Hermann Göring, pois este, na condição de Ministro da Economia e chefe da Luftwaffe, eventualmente poder limitar os recursos destinados à Marinha, uma vez que ela já recebera boa parte das entregas previstas até 1939 mediante o Plano Z - o plano de construção naval, dividido em duas etapas quadrienais, para uma Frota Combinada. Por outro lado, o Comandante-em-Chefe da Marinha de Guerra não poderia justamente reclamar por navios de guerra serem entregues antes do prazo.

Por volta das 15h05, Erich Raeder adentrou o local da reunião. Aqueles que estavam em sentados prontamente se puseram em pé, prestando continência, conforme o modo tradicional. Seu superior retribuiu do mesmo modo. Aquele ato formal ainda significava uma coisa: os velhos modos ainda persistiam entre os veteranos. Não que evitassem a saudação nazi, haja vista que alguns haviam ingressado no Partido, mas simplesmente preferiam manter a Política à certa distância da Marinha. Raeder dispôs seu quepe em um dos suportes da parede e já iniciou seus informes.

- Cavalheiros, agradeço a presença de todos aqui. Sei que alguns fizeram um considerável viagem para estar aqui. - Erich sorriu sinceramente a seus subordinados, enquanto organizava seus documentos em seu lado da mesa. - Todos vocês devem ter tido ciência do sucesso a respeito do lançamentos dos três cruzadores que recebemos. Estive com o Führer, na última sexta-feira, e ele demonstrou que confia em nossa capacidade de alçar a Marinha de Guerra à supremacia. Agora... Nossa realidade é esta: dois cruzadores de batalha da Classe Scharnhorst; três cruzadores da Classe Deutschland; três cruzadores da Classe Hipper, ainda não comissionados, devo ressaltar; cinco cruzadores leves; seis contratorpedeiros; quatro submarinos operacionais; um divisão inteira de transportes; sete fragatas de escolta e dois couraçados da Grande Guerra, usados para treino. Estes últimos podem ser reintegrados à Frota, segundo meu relatório... Está correto, Guse?

- Está correto... - O Almirante Günther Guse estava ao lado direito de Erich e não hesitou em responder. - O Schleswig-Holstein e o Schlesien foram reformados para este fim, mas os técnicos previram que a execução de reparos no casco, a modernização de armas antiaéreas e a substituição de algumas caldeiras e equipamentos de navegação ainda os mantêm superiores aos couraçados russos no Báltico. Quando aos novos cruzadores, acredito que até o fim do ano poderemos pô-los em pleno funcionamento.

- Pois bem, continuemos... - Prosseguiu Erich. - Semana passada o Comando Naval de Guerra foi criado. Sei que a maior parte dos senhores não foram informados com maiores detalhes a respeito disso. Ordenei a criação desta partição em virtude da Marinha ser o único braço das Forças Armadas que não tem um segmento operacional para a guerra. Como sabe, nossa intervenção na Espanha, durante o fim do ano passado, custou-nos uma posição insípida naquela ocasião. A despeito da incisiva atuação de Boehm - Raeder rapidamente estendeu seu braço em direção ao Vice-Almirante Hermann Boehm, presente na reunião - ficamos limitados a ação do cruzador Deutschland e alguns submarinos, sob o comando do Comodoro Dönitz. Viramos meros coadjuvantes no esforço expedicionário. Estivemos numa guerra, mas não fomos à frente. Então, isso deve mudar. Não submeteremos nossas operações de combate ao planejamento centralizado do Estado-Maior, mas, a partir de agora, entregaremos-lhe nosso próprio planejamento, apenas para a apreciação do Führer.

O Almirante-General abriu um grande mapa do mar do Norte com diversas posições marcadas.


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- Passaremos a executar algumas manobras da frota em mar aberto. - Informou Raeder. - Chega de testes e manobras em nossas águas. Devemos mover enviar um dos nossos esquadrões de navios de linha para recobrar a cobertura dessas águas...

- Almirante Raeder... - O Vice-Almirante Rolf Carls, Comandante da Frota de Linha, interrompeu a fala de Erich - É arriscado conduzir operações com tamanha proximidade dos ingleses. A "Home Fleet" estabeleceu cobertura quase exclusiva desde sua base em Scapa Flow até o norte da Holanda não apenas com couraçados e cruzadores, mas com escoltas menores e submarinos. Os franceses também têm executado exercícios conjuntos a leste da Baía de Heligoland. Nós devemos...

- Carls, vamos com calma... - Irrompeu o Almirante Guse. - Não vamos expulsar os franceses e tampouco os ingleses. Só deixaremos que eles nos vejam...

- Eu não gosto da ideia de colocar meus navios próximo a cruzadores britânicos, longe de cobertura área! - Retrucou Carls. Tonara-se um homem temerário em vista da pouca capacidade operacional da Frota, e, com seu grande histórico de combate, não hesitaria em fazer oposição à ideia. - Levar o Scharnhorst, o Gneisenau ou qualquer outro para o meio do Mar do Norte, significa pintar um alvo para que os ingleses atirem...

- Vice-Almirante Carls, não iremos entrar em guerra com os ingleses! - Disse Raeder, em um firme tom. - Você, eu ou qualquer outro bem sabe que não completamos sequer o primeiro quadriênio do Plano Z. O Führer assegurou que a Marinha terá até 1942 para se preparar... Ainda temos cinco longos anos antes de declararmos guerra aos ingleses.

- Mas, e se a guerra vier até nós primeiro? - Perguntou Wilhelm Marschall, o Vice-Almirante no Comando das Operações Navais. - Podemos esperar que, em um desses exercícios, os ingleses resolvam atirar contra nós?

- Os ingleses não declararão guerra, senhores... - Respondeu-lhe Guse - Não é hora para temeridades. - E se, por algum motivo, o fizerem... Cumpriremos nosso dever.

- Bom, neste caso eu sugiro que nosso planejamento inclua a possibilidade futura de dispormos de três ou quadro esquadrões de bombardeiros navais de longo alcance... - Afirmou Marschall.

- Bombardeiros navais de longo alcance? Marschal... Não é tão simples... - Raeder suspirou fundo e lhe interviu. - A Marinha não pode sequer sonhar com o uso de aviões, por hora. Hermann Göring não permitirá que roubemos de sua Força Aérea a exclusividade das operações aéreas.

- Raeder, a Marinha não pode ficar sem um corpo aeronaval... - Protestou Marschall com alguma inconformação. - Os ingleses o tem. Os japoneses, então, são os maiores detentores de forças aeronavais!

- Eu concordo com este ponto de vista... - Falou Carls, balançando a cabeça. - Não gosto da ideia de executar a operação por não dispor de recursos o suficiente, e não por falta de coragem para fazê-lo! - Disse ele em um tom mais elevado.

- Cavalheiros, calma... - Respondeu-lhes Guse, tentando acalmar os rumos da conversa. -O corpo de Almirantes aqui presente representa grande competência de comando e em combate. Contudo, sejamos francos... Aviões contra navios? Devo lembrar que somos a Marinha! Nossa força maior está nos navios de superfície e em submarinos! Nem ingleses e nem japoneses tem deixado de construir couraçados e cruzadores, pelo contrário... Aviões na Marinha podem ser um desperdício de recursos.

O murmúrio começou na sala. Boa parte dos almirantes eram, de fato, apoiadores do crescimento da Marinha por intermédio da construção de navios de superfície, e não de forças aeronavais. Outros, porém, discordavam um pouco, mas hesitaram em engrossar o ponto de vista crítico.

- Bem, senhores, atenção, por favor... - Interrompeu o Almirante-General Erich Raeder. - Não iremos excluir a possibilidade de corpos aeronavais na Marinha, contudo, isto não será possível a curto prazo. Talvez, futuramente. Por hora, devemos nos ater ao que temos e dispomos. Enquanto isso, seremos criativos! E prosseguiremos com as manobras em mar aberto. - Disse ele se levantando de sua cadeira. - Entregarei agora algumas diretrizes gerais das operações e outras para cada Comando em específico. Se tiverem outras objeções, iremos discuti-las uma a uma.

A reunião prosseguiria por quase uma hora. O Almirante-General começou a ouvir seus Contra-Almirantes e outros comandantes, com questões específicas. Acertariam alguns parâmetros operacionais gerais. No fim das contas, a ordem do dia seria o início das operações de magnitude dentro da Marinha, a contragosto do comandante da Frota de Linha. Erich Raeder saiba da competência deste, e sabia que poderia ser arriscado conduzir as operações determinadas. Raeder, entretanto, sabia também que a Marinha era refém de outras fortunas. Ou ela se impunha, ou ficaria à mercê da intervenção de Göring, do Exército ou de outros expoentes do Partido.

Após a reunião, os Almirantes passariam uma turma aspirantes ao oficialato em revista. Quando o Hino Alemão foi executado apenas em instrumentos e o orgulho à Terra-Pátria revolvia-se no âmago da consciência de cada um dos presentes, aqueles oficias que ainda tinham dúvidas, passaram a ter a derradeira certeza de que a Marinha deveria fazer todo o necessário pela Pátria Alemã! A Alemanha deveria estar acima de tudo!


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http://www.youtube.com/watch?v=XmhaMb5grrM

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Phack
04/08/2015, 18:02
Acho que o Fuhrer está cometendo um erro. Concordo em parte com o Marchall, sobre os bombardeiros navais, os planos de construção de vasos de guerra podem até ser uma boa propaganda para o Reich, mas na prática não são páreo para a Royal Navy e suas doutrinas e comandantes mais avançados.

Malkav
04/08/2015, 19:24
Fazia tempo que não via uma AAR por aqui, vou aguardar e acompanhar, no mais, concordo com o Phackito, Royal Navy é tenso.

Biller
06/08/2015, 15:37
Bom, ainda tem muita água para rolar ainda. A ideia é evitar o enfrentamento direto com a Royal Navy e utilizar os bombardeiros da Luftwaffe para ataques diretos. Ao mesmo tempo, construir os navios que a Kriegsmarine precisa para fazer frente ao que sobrar dela. Vai ser um bom malabarismo... Ainda mais quando penso em construir divisões blindadas, motorizadas e mecanizadas.

Agradeço o pessoal que está acompanhando! Logo tem mais! :likeaboss:

nigo
06/08/2015, 16:18
Bom, ainda tem muita água para rolar ainda. A ideia é evitar o enfrentamento direto com a Royal Navy e utilizar os bombardeiros da Luftwaffe para ataques diretos. Ao mesmo tempo, construir os navios que a Kriegsmarine precisa para fazer frente ao que sobrar dela. Vai ser um bom malabarismo... Ainda mais quando penso em construir divisões blindadas, motorizadas e mecanizadas.

Agradeço o pessoal que está acompanhando! Logo tem mais! :likeaboss:


Queremos SEA LION.

Biller
06/08/2015, 19:57
1 9 3 8 - Großdeutschland(Grã-Alemanha)

Região de Hirschberg im Riesengebirge, norte da Fronteira Tcheco-Alemã. 29 de setembro.
- O que você acha, sargento?
- Bom, devem ter pelo menos quatro, capitão... Duas metralhadoras naquela casamata e provavelmente outras duas naqueles vãos ali. Não tem como sairmos da mira deles.
- É, não tem jeito... Vou comunicar ao Comando e pedir garantia de artilharia. Caso contrário, não conseguiremos atravessar aquela linha sem um número considerável de baixas. Vamos embora.

O capitão Hermann Kuhnt abaixou seus binóculos e voltou à unidade, acompanhado do Primeiro-Sargento Bernhard Wein. A tarde se findava e era hora de executar as últimas instruções. Os dois homens estavam a menos de duzentos metros da fronteira entre a Alemanha e a Tchecoslováquia, na Região de Hirschberg im Riesengebirge. Retornariam às fileiras do 127º Batalhão de Caçadores, 8ª Divisão de Infantaria Leve, 2º Exército.

Em virtude das imposições contra a Alemanha e seus aliados, após a Grande Guerra, muitas populações de origens étnicas diversas haviam sido incorporadas a novas unidades nacionais, que tiveram sua independência incentivada e reconhecida pelas potências que se julgaram vencedoras do conflito. O Império Austro-Húngaro, importante aliado do Império Alemão, fora fracionado entre os novos países: a Áustria, a Hungria, a Polônia e a Iugoslávia. Regiões austro-húngaras também seriam integradas à Romênia e à União Soviética. O fim das monarquias e a instauração de decadentes democracias levaram a Europa Central e os Bálcãs a severas instabilidades.

Quando o Führer ascendeu ao governo e a Alemanha viu a chance de se reerguer ante a ruína, muitas destas populações viram a chance de reclamar o direito de autonomia ou de retorno a suas verdadeiras nações. Por seu turno, os povos alemães vislumbraram sua chance de retornarem a Terra-Paterna. Movimentos regionais se arregimentaram em favor de sua autodeterminação. Muitos destes sofreram oposição e intensa repressão. Conforme o cerco se apertava, manifestações violentas e mesmo grupos paramilitares começaram formar. O nacional-socialismo foi um importante pilar para esta luta, tanto na Áustria como em regiões como os Sudetos, uma região de milhões de habitantes ao longo das fronteiras tchecas. Na Áustria, formada por uma população majoritariamente germanófona, o desejo de estabilidade era evidente, através do sentimento de pertencimento a uma nação pangermânica.

Desde meados de 1937, Hitler passara a pressionar diretamente o Chanceler da Áustria, Kurt Schuschnigg, para que o Partido Nazi Austríaco passasse a ter maior representação neste governo. Com a recusa, a instabilidade atingiu níveis alarmantes. Em face da ameaça de guerra civil, a reserva do exército austríaco fora convocada sob as ordens de seu governo central. Por volta de janeiro de 1938, a Inteligência do Exército Alemão estimou um efetivo de vinte divisões austríacas mobilizadas, entre forças de infantaria e cavalaria. Quando o Führer leu os relatórios e sobre a possibilidade de mobilização geral na Áustria, intimou Kurt Schuschnigg a comparecer em uma conferência em Berchtesgaden, próximo a fronteira entre os dois países. Desta vez, Hitler não aceitaria o deboche do chanceler austríaco. Acusou-no de provocar a incitação à guerra entre povos que eram apenas um. Hitler intimou a Schuschnigg a ceder o poder interino aos nazis austríacos.

Por meio de intensa pressão interna, Kurt Schuschnigg renunciaria dias depois. A Operação Otto entrou em vigor e, no dia 12 de março de 1938, as tropas alemãs atravessaram a fronteira austríaca. Contudo, um disparo sequer foi efetuado. O Exército foi calorosamente recebido não apenas pela população, mas pelos próprios militares austríacos, que desmontaram os postos fronteiriços e auxiliaram logisticamente a operação.


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Naquele mesmo dia, bandeiras dos Partidos Nazistas Alemão e Austríaco eram içadas em muitas residências e tremulavam nos grandes prédios públicos. Os conflitos cessaram... Em seu lugar, hinos eram entoados! O Führer adentrou a a Áustria em carro aberto e foi ovacionado!


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Dias depois, um referendo confirmou a decisão coletiva de integrar a Áustria ao Reich Alemão. Em toda a Alemanha, celebrava-se o triunfo da unificação! Os maiores temores sobre uma eventual retaliação francesa ou inglesa foram dissipados. Mas nada ocorrera. O Führer teve a plena certeza de que a Inglaterra e a França temiam a Alemanha e não tinham mais coragem de se opor a esta! O feito trouxera também um evidente acréscimo às Forças Armadas Alemãs. De um dia para outro, um efetivo de vinte divisões passaram a integrar as fileiras militares.


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No esteio desta conquista, não demoraria para que as populações da região tcheca dos Sudetos clamassem de forma ainda mais evidente por sua expatriação territorial à Alemanha. O governo tchecoslovaco, por sua vez, nos últimos anos, vinha erigindo uma série de fortificações nesta mesma localidade e estava determinado a negar aos alemães dos sudetos a concessão de sua vontade. Mais do que negar, empregara a intervenção militar da região e a restrição da liberdade de muitos cidadãos residentes. Tais fortificações militares tinham capacidade semelhante a da Linha Maginot . As forças militares da Tchecoslováquia dispunham de um efetivo considerável, este avaliado em vinte e três divisões, dotadas de equipamento bélico moderno e de veículos blindados superiores aos carros de combate alemães.

A despeito dos diversos pedidos de Hitler ao Presidente Edvard Beneš, este não estava disposto a negociar unilateralmente. Em vez disso, o presidente tcheco pediu auxílio diplomático à França e à Inglaterra, de modo que os primeiros-ministros Neville Chamberlain e Édouard Daladier arbitrassem em favor de seu governo. Não restara outra saída. A solução para salvaguardar aqueles alemães na região dos Sudetos era a intervenção de forças alemãs. Desde meados do mês de agosto, um número crescente de soldados foram mobilizados e destacados à execução operacional da invasão da Tchecoslováquia - o Plano Verde.


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O plano previa um importante ataque diversionário em direção à Karlovy Vary e Pilsen, pois era uma região mais propícia ao movimento dos blindados e da infantaria, em virtude do terreno menos acidentado, além de ataques auxiliares ao longo das linhas. O "centro de gravidade" da ofensiva, no entanto, seria localizado à mais de 200 km a leste, na região de Ostrava, ao norte, e no eixo Zjomo-Bratislava, ao sul. O grosso das unidades blindadas alemãs deveria romper o terreno acidentado e fortificado de Ostrava e a flanquear a área urbana contígua de Brastislava, girando noventa graus e empurrando as unidades inimigas em direção à Praga, a fim de cercar a capital.

O movimento ignorava a necessidade de invasão da região eslovaca e concentrava as forças sobre a área tcheca, que, por sua vez, enfraqueceriam a Linha de modo a defender Praga num custoso e lento abandono de suas posições. Deste modo, as unidades alemãs ao longo da fronteira poderiam atravessá-la com pouca ou nenhuma resistência, levando a formação de bolsões com as forças tchecas em recuo. Na Eslováquia, unidades paramilitares locais receberiam apoio para a sublevação ou, no caso de falha, a região seria tomada sem maiores problemas após a queda de Praga. Uma campanha rápida e fulminante, que tomaria não mais do que duas semanas, segundo as promissoras estimativas militares de comandantes como Erich von Manstein, Major-General e integrante do Estado-Maior das Forças Armadas.

Entretanto, a ideia de uma guerra com a Tchecoslováquia causava animosidade e opiniões divididas no Alto Comando das Forças Armadas. Homens como Werner von Blomberg, Ministro da Guerra e Alto Comandante das Forças Armadas, e Werner von Fritsch, chefe do Exército, haviam caído em desgraça no início do ano. O Ministério da Guerra e o Alto Comando foram dissolvidos em prol do Supremo Comando das Forças Armadas, sob controle direto do Führer e o Comandante-em-Chefe Wilhelm Keitel. Resignaram de seus postos em meio a escândalos pessoais e condutas consideradas inapropriadas. Ludwig Beck, então chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, era um dos que se opunham à invasão. Publicitava suas opiniões em diversos circuitos militares e pessoalmente ao Führer. Acreditava que a Alemanha ainda não estava preparada para a guerra, pela possibilidade de escalada do conflito, e era cético quanto ao que se procedida e acabaria por resignar de sua posição.

Enquanto o clima de indecisões pairava, o Führer havia iniciado conversações diplomáticas com os chefes de estados da Inglaterra, França e Itália para a solução da crise.


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Hitler deixou claro que, em vista das ações do governo tchecoslovaco, a presença da delegação deste governo era inaceitável. Os franceses e ingleses, por seu turno, convenceram este governo a ceder às demandas, ao contrário do que este esperava. O caminho para a vitória diplomática alemã fora aberto, mas as negociações começaram a demandar mais tempo que o previsto. A situação permaneceu crítica. A mobilização dos efetivos militares continuou e as tropas foram enviadas à fronteira tcheco-alemã.

Justamente, naquele dia 29 de setembro, as últimas unidades do 2º, 6º e 11º Exército agruparam-se em suas respectivas formações. Mais de setecentos mil homens haviam sido congregados para este fim. O prazo para o início das operações fora estipulado para o alvorecer do dia seguinte. Tanto o capitão Hermann Kuhnt quanto o Primeiro-Sargento Bernhard Wein já tinham a certeza do ataque. O Coronel transmitiu o plano de ataque definitivo que envolvia o 127º Batalhão de Caçadores. Os homens estavam mentalmente preparados para entrar em combate e sua moral era alta. Não era mais um treino, não era mais um exercício... Não receberiam flores e sorrisos de moças austríacas... Abraçariam o calor do combate e a intensidade de avançar sob o fogo de metralhadoras. Agora era real.

A janta fora servida e músicas foram entoadas. Parecia mais um dia comum na caserna. O capitão Kuhnt telefonou ao Comando sobre a necessidade de apoio de artilharia pesada, mas não pode obter confirmação. Foi informado que sua requisição não era a única na fila e que, conforme as informações repassadas, o pedido seria confirmado antes da primeira leva do ataque. Por enquanto, a ordem geral era aguardar nas posições. O capitão não confirmou o resultado de sua ligação aos seus subordinados. Estes e ele próprio deviam estar preparados para o avanço, com ou sem suporte. O expediente se encerrou como de costume, mas seria difícil dormir ante a ansiedade do que se procederia no dia seguinte.

Às 3 horas da manhã, o coronel-comandante do 127º foi informado de novos acontecimentos: a ordem de combate fora cancelada e as tropas deviam entrar nos Sudetos, pois uma solução diplomática fora alcançada. Avisaria poucos minutos depois ao Kuhnt e outros oficiais. Estes, por sua vez, resolveram contar a notícia à tropa somente após o despertar.
A comemoração seria imediata!


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Na fotografia, da esquerda para a direita: Neville Chamberlain, Primeiro-Ministro do Reino Unido; Édouard Daladier, Primeiro-Ministro da França; Adolf Hitler, Führer e Supremo Chanceler da Alemanha; Benito Mussolini, Duce e Primeiro-Ministro da Itália; e Gian Ciano, Ministro dos Assuntos Externos da Itália.

O chamado Acordo de Munique, alcançado pouco antes do fim do dia 29, estabelecera a cessão daquela região à Alemanha. Os ingleses e os franceses cederam à pressão. O Führer obteve uma grande vitória diplomática e, mais uma vez, o Exército Alemão não dispararia um tiro sequer. Na manhã do dia 30, os três exércitos alemães entraram na região dos Sudetos sob a saudação de seus habitantes.


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Com a ocupação da Linha tcheca, uma série de estudos sobre incursões contra fortificações militares aprimoraram a capacidade militar. A experiência ensaística da logística de grandes operações garantia tanto ao Exército quanto à Força Aérea enormes vantagens na aplicação de táticas e doutrinas militares. A superioridade militar e diplomática alemã era inconteste!


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Meses depois...
Internamente, o presidente tchecoslovaco Edvard Beneš perdeu o controle de seu país. Húngaros e poloneses demandaram a expatriação de outras regiões. Grupos eslovacos se fortaleceram e começaram a pleitear a autonomia frente aos tchecos. O exército sofreu severas reduções em suas fileiras. As deserções apenas pioraram a situação. A instabilidade começaria a tomar conta de toda a Tchecoslováquia. Um erro crasso de Beneš que, ao negar a concessão da autonomia aos Sudetos, insuflou graves comoções e desdobramentos.

A Alemanha viu ainda o fortalecimento de sua Marinha de Guerra. Em virtude de um pedido de avaliação do Almirante-General Erich Rader, o Führer decidiu como prioritária a necessidade de se envidar esforços para o estabelecimento de uma força aeronaval, composta por aviões-bombardeiros e pela aceleração do processo de construção do porta-aviões. Em troca, a construção do casco de novos submarinos fora paralisada temporariamente. A inserção de técnicos e parques industriais alemães da região dos Sudetos na indústria naval permitiu um aprimoramento dos processos produtivos sem sobrecarregar as demandas da Força Aérea ou do Exército.

No começo de novembro, a Marinha recebeu três novas unidades: o KMS Seydlitz e o KMS Roon, cruzadores pesados da Classe Admiral Hipper, e, de forma apoteótica, o KMS Graf Zeppelin, o primeiro porta-aviões alemão e líder de sua classe naval.


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Lançamento do KMS Graf Zeppelin, no estaleiro da Deutsche Werke, em Kiel. O primeiro navio aeródromo da Marinha de Guerra Alemã era superior às contrapartes de outras forças navais. Detinha uma natureza técnica mais aprimorada comparada até mesmo aos padrões japoneses e norte-americanos.

Juntamente a oficiais da Força Aérea e técnicos da Marinha, as primeiras tripulações começaram a treinar para a formação do primeiro grupamento de aviação embarcada e do primeiro grupamento de bombardeiros navais. Este feito e a promessa de completude de dois couraçados - KMS Bismarck e o KMS Tirpitz - legariam à Erich Raeder e seus principais Almirantes a plena certeza da possibilidade de enfrentarem os ingleses em condições de próximidade. A questão dos submarinos seria postergada enfaticamente para o segundo quadriênio do Plano Z.

Com os três braço das Forças Armadas em franca expansão, o Führer e os principais comandantes alemães não tinham mais dúvidas de que a Alemanha estava apta à guerra. Aliais, no fim do ano, o povo alemão passara a se referir a Alemanha como "Grã-Alemanha". A Nação florescia cada vez mais! Unida fraternalmente, de vitória em vitória!



http://www.youtube.com/watch?v=yKUBP0pbXmc

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Acompanhe este e outros relatos deste AAR através do ÍNDICE (http://battlecentral.xpg.uol.com.br/forum/showthread.php?107035-AoD-IC-Triumph-des-Willens&p=850830&viewfull=1#post850830)

Lt. Rasczak
07/08/2015, 08:23
Quero ver o Porta Aviões da Kriegsmarine em ação, vai demandar um bom investimento em doutrinas. No mais, para bater a Royal Navy eu sempre faço uso extensivo dos bombardeiros navais e uma frota de superfície para a execução da Sea Lion.

Boa AAR, estou acompanhando :up:

jonathan_zzpudimzz
07/08/2015, 11:59
Eu uso paraquedistas para tomar os principais portos, assim expulsando a marinha britânica para o norte, interrompendo supplies dela e logo em seguida fazendo o desembarque nos maiores portos e segurando a cabeça de praia para o resto das tropas.

nigo
07/08/2015, 12:04
Eu uso paraquedistas para tomar os principais portos, assim expulsando a marinha britânica para o norte, interrompendo supplies dela e logo em seguida fazendo o desembarque nos maiores portos e segurando a cabeça de praia para o resto das tropas.

depedento da AI, nao tem como pular de paraquedas no UK.

jonathan_zzpudimzz
07/08/2015, 12:07
claro que primeiro eu limpo os aeroportos né, se não rip minhas tropas sem se quer decolar da frança.

nigo
07/08/2015, 12:12
claro que primeiro eu limpo os aeroportos né, se não rip minhas tropas sem se quer decolar da frança.

fui incompleto, queria dizer que as vezes a AI ocupa todos os territorios do sul da inglaterra. Só deixando o norte e meio desguarnecido.

jonathan_zzpudimzz
07/08/2015, 12:16
Ah sim, ae não tem deus que ajuda rs.

Biller
07/08/2015, 12:28
A AI normalmente ocupa todos os portos no sul da Inglaterra... A questão é que quanto mais forças você dispõe, mais ela parece optar por concentrar em províncias com portos ou com "praias". Pelo menos no AoD+IC. Então tem como você lançar paraquedistas e torcer para aguentar 24h até conseguir desembarcar reforços. A questão é que os múltiplos objetivos de produção militar (naval, aérea e terrestre) ter paraquedistas antes de 1940 não é uma prioridade.

Biller
08/08/2015, 13:43
1 9 3 9 - Zweiter Weltkrieg(Segunda Guerra Mundial)

O ano despontara com o frio do inverno e as intempéries da diplomacia. A Europa ainda não assimilara definitivamente o direito da Grã-Alemanha assumir sua devida posição. Entretanto, a necessidade de reaver os territórios com populações alemãs e acrescer o espaço vital era um imperativo para a maioria dos alemães. As duas maiores problemáticas referiam-se a insustentável situação interna da Tchecoslováquia e a questão do Corredor Polonês - uma região que pertencera ao Segundo Reich, ligando a Prússia Oriental ao restante da Nação, e que lhe fora tomada após o fim da Grande Guerra. O Führer Adolf Hitler não estava disposto a abrir mão de exigir as mudanças necessárias. O povo alemão não abnegaria de sua supremacia!

A despeito da legitimidade das demandas territoriais alemãs, nem britânicos ou tampouco os franceses estavam dispostos a chancelar novos acordos multilaterais para tais concessões. Julgaram-se no pleno direito de proibir novas alterações geográficas no continente. Endureceram gradativamente o tom das conversas. O Acordo de Munique mantivera o status quo por algum tempo, todavia, os prodígios navais da Marinha de Guerra começariam a ser utilizados como pretexto de reclamação pelas representações anglo-francesas. Estas se tornaram persistentes, porém seriam simplesmente ignoradas pelo Ministério das Relações Exteriores, agora representado por Joachim von Ribbentrop - um hábil diplomata e fervoroso nacional-socialista.

A temeridade francesa em cumprir os compromissos com seus aliados na Europa Central e, principalmente, ao pacto firmado em 1935 com a União Soviética, fez com que esta desistisse da cooperação a França. Ao observar o crescimento da Grã-Alemanha, Stalin passaria a considerar o estabelecimento de uma cooperação mais próxima com os alemães. Assim, fora justamente o trabalho de Ribbentrop que primou por iniciar as conversas que levariam à melhoria da condição das relações germano-soviéticas. Ao longo de janeiro de 1939, tratados comerciais romperiam com o ciclo de distanciamento que vigorava entre ambas as partes nos últimos três anos. O bolchevismo soviético era antagônico ao nacional-socialismo, contudo, tinha seu papel a cumprir. A vitória alemã na diplomacia ante os franceses foi duramente recebida por estes e sentida pelos britânicos.

Novas complicações surgiriam quando o programa naval teve seu corolário ainda naqueles dias, mesmo depois de ter lançado um porta-aviões. Ao entregar duas naus encouraçadas de maior poderio bélico que quaisquer outras em atuação no mundo - o KMS Bismack e o KMS Tirpitz -, a Marinha Alemã ultrapassara as vãs limitações de 35% da tonelagem permitida pelo Tratado Naval Anglo-Germãnico de 1935 e superara a Marinha da França. Agora, o esforço de rearmamento naval poderia ingressar no segundo quadriênio do Plano Z, através da construção de submarinos e navios.


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Cerimônia de lançamento do couraçado KMS Tirpitz

As duas belonaves já não representavam cem mil toneladas de peso diplomático. Representavam um diapasão no quadro comparativo para uma virtual situação de guerra. Após testes técnicos, entrariam em serviço ativo. Suas tripulações, a seu turno, adquiriam experiência através dos exercícios simulados no Mar do Norte.

Enquanto os diplomatas ainda trabalhavam no Velho Continente, as coisas mudariam profundamente na Ásia. O Império do Japão, que havia deixado a Liga das Nações ainda em 1933, aplicava o conceito máximo do estratego Carl von Clausewitz - "A guerra é a continuação da política por outros meios". Sob esta máxima, os japoneses executaram uma série de operações de grande escala contra a China Nacionalista, após um incidente em meados de 1937.

Na condição de parceira da Alemanha, a China desempenhara um papel inteiramente relevante no fornecimento de matérias-primas estratégicas, em troca de apoio técnico industrial e bélico, por quase uma década. No que tange ao campo das armas, conselheiros foram enviados a Chiang Kai-shek, o líder nacionalista. O Tenente-General Alexander von Falkenhausen fora o chefe da missão alemã, sendo o representante direto do Führer. Auxiliara diretamente na transformação de camponeses em soldados. Apesar da substancial ajuda empregada, a China Nacionalista se tornara complacente com o movimento comunista que eclodira em seu território. Ignorou os conselhos para empregar todos os efetivos armados contra tais comunistas chineses. Estes últimos acabariam resistindo e inflando dissidências internas.

Por sua vez, o Japão também era outro importante parceiro comercial. As relações diplomáticas bilaterais se fortaleceram desde a ascensão do Partido Nacional Socialista. Foi de interesse mútuo e estratégico o estabelecimento de cooperação política e militar. Assinado ainda em 1936, o Pacto Anticomintern fora um tratado firmado com o intuito de se fazer frente à União Soviética e para o controle das comunistas no mundo todo. Não apenas isto como conselheiros da Marinha de Guerra Alemã e da Imperial Marinha Japonesa estreitaram conversas e conferências sobre desenvolvimento técnico da engenharia naval e aeronáutica. Tal colaboração levou ao aprimoramento técnico do próprio Plano Z como no desenvolvimento naval japonês.

Quando a guerra eclodiu em 1937, a China optou por se unir ao bolchevismo internacional e com as democracias ocidentais para enfrentar o avanço de seus oponentes. Tal ação fez com que o Führer e o Ministério das Relações Exteriores revogassem todos os acordos sino-germânicos, além de retirar os oficiais alemães que lá serviam e dar todo o apoio possível aos japoneses. Em uma campanha contra um inimigo numericamente superior, as forças militares do Japão lograram grande perícia em combate e perpetraram um avanço quase ininterrupto até setembro de 1938, onde capturaram Beijing e Nanjing, grandes capitais nacionalistas, bem como todas as grandes cidades portuárias chinesas.

Enquanto os Sudetos eram integrados à Grã-Alemanha, o ímpeto da ofensiva se arrefeceu. A vastidão do país trouxe grandes problemas logísticos ao Exército Imperial Japonês. Optando pela mobilização total de sua capacidade industrial, o Japão conseguiu manter a iniciativa. Derrotou ou empurrou paulatinamente todas as forças nacionalistas e comunistas para o interior do país até o fim de 1938. Ente dezembro daquele ano e janeiro deste, a capital provisória de Chongqing seria sitiada e invadida. O golpe final contra o último bastião defensivo chinês ainda seria desferido. Mobilizando boa parte do efetivo militar, as forças japonesas atacaram Chengdu, no coração da China. Então, no primeiro dia de fevereiro, as tropas do General Iwane Matsui entraram triunfalmente na cidade de Chengdu.


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No dia seguinte, o líder nacionalista Chiang Kai-shek capitularia definitivamente. Não obstante da persistência dos chineses comunistas e resistências localizadas, que, semanas depois, seriam vencidas, a China emergia como um gigantesco satélite do Império do Japão, provendo a este as bases para a hegemonia inconteste na Ásia. Os Estados Unidos enviariam fortes protestos, mas não empregaram quaisquer outras medidas à guisa de seu isolamento. A França e o Reino Unido pouco poderiam fazer. O mapa da Ásia havia se modificado de forma irreversível.


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Em virtude de tais acontecimentos, o Führer deu um alerta ao Supremo Comando para a prontidão das Forças Armadas. Durante a primeira quinzena do mês de março, o 3º Exército foi enviado aos Sudetos e, a partir dali, começou os preparativos para a invasão da Tchecoslováquia, sob o comando do General de Infantaria Johannes Blaskowitz. O governo tcheco havia perdido o controle de seu país, frente ao separatismo eslovaco e as dissidências políticas e militares. O novo presidente Emil Hácha, que sucedera Edvard Beneš, foi convidado a comparecer em Berlim a fim de dar um posicionamento claro sobre a situação de sua gestão.
Hácha chegou na capital alemã na manhã do dia 14. Após um atraso na reunião marcada, o Führer finalmente pode atender o presidente tcheco, por volta das 13h30.

- Presidente Hácha, bem vindo a Grã-Alemanha. - Disse o Führer, enquanto um oficial alemão traduzia ao idioma tcheco, e cumprimentando o homem a sua frente. - Desculpe-me pela demora, mas outros assuntos requeriam minha atenção.

- Herr Hitler, não há pelo que se desculpar. - Respondeu Hácha, que teve suas palavras traduzidas por um intérprete que viera consigo. - Meu vôo também atrasou para sair de Praga.

- E a viagem foi tranquila?

- Foi mesmo bem tranquila! Bom, sobre a situação da Tchecoslováquia, gostaria de falar que...

- Presidente Hácha, tenha calma... - Interrompeu o Führer calmamente, mas causando visível apreensão no rosto do intérprete tcheco. - Chegaremos lá, em breve.

Assim, conversaram por longos minutos sobre assuntos diversos, mas nada de importância. Após notar certa impaciência em Emil Hácha, Hitler lhe olhou de forma tranquila e falou:

- Presidente Hácha, enquanto nós conversamos - Disse o Führer e o intérprete traduzia quase instantaneamente - as tropas do Exército alemão já estão preparadas para cruzar a fronteira que nos separa.

Tanto Hácha quanto seu interprete figuravam pasmos ante as palavras de Adolf Hitler. Este prosseguiu:

- Seu governo tem suprimido os direitos de cidadãos eslovacos e já não consegue mais manter a ordem interna. Eu não posso permitir isso. A Grã-Alemanha não pode consentir com isso. - O tom do Führer permanecia extremamente calculado e seguro. - Agora, presidente, o senhor tem duas opções: colaborará conosco, onde permitirá a entrada de minhas tropas sem resistência alguma, em troca de uma autonomia e liberdade nacional generosa e praticamente autônoma; ou, enfrentará um cenário onde meus exércitos aniquilarão a resistência de suas forças, usando todos os meios possíveis. Meus generais estão apenas esperando a ordem, seja de um modo ou de outro que incluíra um enorme bombardeio de Praga pela Força Aérea Alemã.

O presidente tcheco não conseguia sequer proferir palavras... Suava frio e seus olhos se arregalaram. Estava em choque e em um princípio de ataque cardíaco. O Führer ordenou fossem chamar médicos da Chancelaria para o atendimento imediato do homem que padecia diante de seus olhos. Os médicos lhe aplicariam injeções e o homem permaneceria vivo. Ainda debilitado, assinaria as ordens de cooperação com os alemães e telefonaria para Praga, a fim de dar as ordens de submissão e rendição das forças tcheco-eslovacas. No dia 15 de março, o Exército Alemão entrava na Tchecoslováquia.


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Os territórios tchecos passariam à condição de Protetorado, sob o controle de Konstantin von Neurath, antigo ministro alemão para as Relações Exteriores, agora Protetor da Boêmia e Morávia. O território da Eslováquia passaria à condição de Estado Autônomo, chefiado pelo líder eslovaco Jozef Tiso. Na prática, a Eslováquia assumiu a posição de satélite aliado da Grã-Alemanha.


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A reação internacional seria imediata e de amplo espectro. Chamberlain e Daladier, primeiros-ministros da Inglaterra e da França, respectivamente, assumiram uma discurso belicoso ainda nos dias de março. Os canais diplomáticos deram plenos sinais de esgotamento. Apesar de suas austeras palavras, tanto os franceses quanto os ingleses assistiram impotentemente a anexação da Boêmia da Morávia e satelização da Eslováquia. Ao contrário do que o Führer esperava, a guerra não adviera, mas não tardaria em chegar. A seu turno, a Itália Fascista apoiou a iniciativa a alemã e iniciou uma invasão contra a Albânia, consolidando uma firme posição nos Bálcãs.

Os esforços alemães na Europa Central e no Leste Europeu não se esgotaram ali. Nove dias após a entrada dos alemães na Tchecoslováquia, a Lituânia cedia a região do Memel, que agora integrava a Prússia Oriental.


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Dentro das novas acomodações territoriais, a Hungria pretendeu territórios que abarcavam áreas da Eslováquia. O governo húngaro, que se tornara um importante parceiro comercial da Alemanha, requisitou ao governo alemão que advogasse a respeito destas pretensões. Hitler considerou prestigiar o governo de Sua Alteza Sereníssima, o Regente Miklós Horthy, nesta arbitração. Um encontro em os dois chefes de Estado ocorreria, no começo de abril, de modo a chancelar não apenas a transferência da Região da Rutênia Subcarpática às mãos da Hungria, como a entrada desta em um aliança militar direta e estratégica.


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Na foto, o Führer e Chanceler da Grã-Alemanha Adolf Hitler e Sua Alteza Sereníssima, o Regente Miklós Horthy

Após tamanhos protagonismos secundários, o Reino Unido e a França resolveram assegurar a soberania da Polônia em meados de abril, numa tentativa definitiva de fazer frente à Alemanha. A Polônia recebera uma série de notas diplomáticas requisitando acordos para a transferência do Corredor Polonês e a cidade de Danzig para a esfera da Alemanha em troca de um atrito de maior magnitude. Entretanto, por intermédio das ações preventivas anglo-francesas, o governo polonês se recusou a quaisquer acordos.

Entre o mê de maio e julho, mais de vinte divisões alemãs foram enviadas para a Prússia Oriental, enquanto outras setenta enviadas para as demais regiões fronteiriças. No entanto, a invasão da Polônia era extremamente delicada. A guerra parecia inevitável, mas o Supremo Comando das Forças Armadas dependia da passividade das forças soviéticas, que poderiam provocar um conflito de largas proporções. Neste interregno, a ação incisiva do Ministro Joachim von Ribbentrop se mostrou decisiva. Primando inicialmente pela consolidação da parceria militar com a Itália, em um caráter já indissociável contemplado no Pacto de Aço, para assegurar o "fronte do Oeste", Ribbentrop estreitou ainda mais as relações com a União Soviética, de modo a assegurar o "fronte do Leste".

Mais do que estreitar os laços, a habilidade política de Ribbentrop fizera emergir um acordo dotado de inúmeras cláusulas secretas, que definiam as esferas de influência entre a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas e a Grã-Alemanha. Stalin não apenas dava carta branca à invasão da Polônia, como se interessou na divisão desta entre as duas potências militares. O Ministério das Relações Exteriores estava em seu zênite através de Ribbentrop. O prestígio deste foi tamanho, que foi pessoalmente à Moscou, na condição de representante plenipotenciário do Führer. Junto a Vyacheslav Molotov, sua contraparte diplomática, ambos assinariam, em 23 de agosto de 1939, o acordo que acabaria conhecido por seus sobrenomes - o Pacto Ribbentrop-Molotov - selando a sorte da Polônia e do Leste Europeu.
A Segunda Grande Guerra era iminente...


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http://www.youtube.com/watch?v=m-jz7wdJY48

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Biller
10/08/2015, 12:22
1 9 3 9 - Fortuna Imperatrix Mundi(Fortuna, Imperatriz do Mundo)

Obra de maestria diplomática da Alemanha, o Pacto Ribbentrop-Molotov foi um choque para ingleses e franceses. A postura intransigente que resolveram assumir quase se esvaiu depois do dia 23 de agosto. Queriam evitar a guerra e ludibriar o destino da Europa, mas a Fortuna tinha outros planos para todos. Com a anuência dos soviéticos, os exércitos alemães poderiam promover operações sem maiores problemas. De fato, nem o Führer desejava um conflito direto com a Inglaterra, mas quanto à França era imperativo que se desferisse a revanche! Os ultrajes do Tratado de Versalhes haviam sido capitaneados pelo interesse destes, logo, sua sorte seria selada a seu devido tempo.

Em um último esforço, Hitler incumbiu Ribbentrop de levar um ultimato ao Governo da Polônia. As demandas eram claras e precisas: a região do corredor polonês e o porto de Danzig em troca da intocabilidade da soberania de outros territórios poloneses. Se estes aceitassem, a Alemanha se comprometia a promover a remoção do grosso de seus efetivos militares das fronteiras e atuaria na promoção de acordos comerciais estratégicos. No entanto, a Polônia reiterou a negação, dispondo-se a um eventual estado de beligerância.


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Na noite de 30 de agosto de 1939, o Führer realizou uma última reunião com os seus principais generais e comandantes. Na madrugada de 31 de agosto, as hostilidades teriam início.


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Fall Weiß

(Plano Branco)

Segundo a Inteligência, os poloneses dispunham de oitenta e duas divisões, onde a totalidade destas era composta por unidades de infantaria. Em caráter auxiliar, divisões de cavalaria e uma irrelevante força de blindados lhes proporcionavam alguma mobilidade. Estimava-se que parte destes efetivos estava incompleta ou não dispunha de reservas de equipamentos em nível suficiente para um combate verdadeiro. Cerca de quatro regimentos aéreos, entre caças biplanos e aviões bombardeiros antiquados, perfaziam um total de quatrocentos aviões. Numericamente, a Polônia detinha maiores efetivos do que o Império Britânico e a França dispunham à altura do fim de agosto desse ano.

A invasão da Polônia, visionada através do Plano Branco, seria então o maior planejamento operacional já empreendido desde o evento da Grande Guerra. Dentro do Estado-Maior do Supremo Comando das Forças Armadas, chefiado pelo General Alfred Jodl, os principais generais encarregados nesta empreitada acabaram por alterar e revisar importantes pontos dos objetivos estratégicos até duas semanas antes da data definida para o início das hostilidades. Fora uma tarefa árdua e que demandara extensa coordenação em todos os três braços das Forças Armadas bem como nas hierarquias internas.

Inicialmente prevista para ser aplicada com dois Grupos-de-Exércitos, o Tenente-General Erich von Manstein, um dos encarregados operacionais, acabou por conceber um terceiro grupo de modo a satisfazer algumas preocupações do Comandante-em-Chefe do Supremo Comando, Wilhelm Keitel, do General Alfred Jodl e do Comandante-em-Chefe do Exército, o General Walther von Brauchitsch.


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O Grupo-de-Exércitos Norte, sob as ordens do Coronel-General Fedor von Bock, era composto por trinta e seis divisões de infantaria e a Unidade de Comando de seu Quartel-General. Suas ordens eram atuar sobre as forças polonesas no Corredor Polônes, desde a Pomerânia, passando pela região do Rio Vístula até a margem oeste do Rio Narewka. Esta região era uma das principais linhas de defesa do sistema defensivo polonês. Von Bock tinha a missão de não apenas iniciar a invasão de Danzig como de assegurar o engajamento do máximo de unidades inimigas ao norte de Varsóvia, avançando em direção a esta para tal.
No apoio desde, figuravam o I e o II Corpo de Bombardeiros Táticos da Força Aérea, num total de setecentos aviões bombardeiros modelo Heinkel He 111. Adicionalmente, a Frota do Báltico, composta por dois couraçados antigos - o KMS Schleswig-Holstein e o KMS Schlesien - e dois cruzadores da Classe Deutschland, recém entregues à Marinha de Guerra - o KMS Friedrich Carl e o KMS Beowulf -, apoiariam à partir da costa polonesa.

O Grupo-de-Exércitos Centro, sob o comando do Coronel-General Wilhelm Ritter von Leeb, foi designado após muitas deliberações, preocupações e indicações dos altos comandantes. Sua inserção no planejamento geral, em fins de julho, causou imenso alvoroço. Apesar de tudo, acabou por receber o papel de "centro de gravidade" da ofensiva inicial. Era composto por quarenta divisões, entre trinta e seis de infantaria, uma divisão panzer, uma de infantaria motorizada, uma divisão mecanizada da SS, e sua Unidade de Comando. As forças móveis estavam sob a bandeira de Von Manstein, em pessoa. Suas ordens eram atacar a região de Poznan e Leszno abrindo uma ruptura na frente. A partir daí, suas unidades ao norte deveriam girar 90º para apoiar a ocupação do Corredor, criando um bolsão defensivo na região. Já as unidades no centro e no sul deviam avançar pela ruptura diretamente para Varsóvia, iniciando o cerco.
No apoio deste, figurava o III Corpo de Bombardeiros Táticos, com cerca de quatrocentos aviões bombardeiros de mesmo modelo, o V Corpo de Aviação de Caça, com mais de quatrocentos caças Messerschmitt Bf 109E, e o I Corpo de Aviação para Apoio de Solo, com quatrocentos aviões de mergulho modelo Junkers Ju 87B.

O Grupo-de-Exércitos Sul, sob a bandeira do Coronel-General Gerd von Rundstedt, por sua vez, era uma força de caráter diversificado. Englobando trinta e sete divisões ao todo, foi concebido através da coordenação de unidades alemãs, húngaras e eslovacas. Rundstedt não aceitaria tão benevolentemente o comando de uma formação sem "prestígio", mas acabou convencido pelo Führer. Era composto por trinta e sete divisões, entre nove de infantaria, onze de montanha, uma panzer, e contingentes húngaros e eslovacos diversificados. As ordens atribuídas eram engajar o máximo de divisões inimigas nas regiões de Czestochowa, Katowice e Cracóvia, avançando em direção à Varsóvia, num eventual cerco prolongado. As divisões húngaras cumpririam a missão de promover um ataque diversionário no eixo norte da Eslováquia e extremo nordeste da Hungria. Para tanto, quase vinte divisões destes estavam envolvidas, simulando um falso "centro de gravidade" da ofensiva.
No apoio, o II Corpo de Aviação para Apoio de Solo, com trezentos aparelhos de mesmo modelo, um grupamento de cinquenta bombardeiros antigos e duzentos aviões biplanos da Força Aérea Húngara.

As ordens de batalha previam que os poloneses empregariam o grosso de suas forças de modo a bloquear a conexão entre o Grupo Norte e Centro. Na eventual falha de suas defesas, estas abandonariam a região do "Corredor" em questão de dias, retrocedendo para margem leste do Vístula. Neste parâmetro, a "fuga" destas tropas era um movimento a ser evitado. Todos os três Comandantes e os treze Generais-de-Exército - dez alemães, um eslovaco e um húngaro - receberam as autorizações finais. A força composta por mais de dois milhões de soldados, quase dois mil e quinhentos aviões e mais de mil veículos blindados estava pronta. Assim, às 5h00 em ponto do dia 31, as belonaves no Báltico abririam fogo contra Gdynia e Danzig, marcando a hora zero da invasão.


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Engajando as unidades de todas as frentes, a onda inicial de ataque surpreendeu os poloneses, a despeito de seus extensos preparativos. Em Danzig, ao contrário do que se esperava, os primeiros batalhões alemães não encontraram quaisquer forças opositoras. Informantes locais informaram que os poloneses haviam deixado a cidade na noite anterior. Na segunda hora de invasão, as vanguardas do XV Exército haviam ocupado Danzig, enquanto suas patrulhas se certificariam, ao longo do dia, do real abandono da localidade. Na noite do dia 31 de agosto, o General Otto Grün moveria seu posto de comando para a cidade.

Simultaneamente, em meio às investidas da Força Aérea e das vanguardas blindadas do Tenente-General Manstein, quase cem mil soldados poloneses recuavam desordenadamente da linha de frente desde Poznan até Leszno. Armamentos e posições defensivas foram abandonadas sumariamente. A situação não tinha precedentes... Nem mesmo na Grande Guerra. Oficiais poloneses simplesmente deixaram seus homens à própria sorte, enquanto estes brigavam por lugares em caminhões. Outros milhares marchavam a pé, armados com seu equipamento leve, tentando escapar à velocidade imposta pelos blindados. Regimentos de cavalaria moviam-se em debandada, sem mesmo terem se engajado em combate.


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Ao contrário do que se esperava, a ruptura, que o Grupo Centro esperava levar entre 48 e 72 horas para alcançar, fora obtida em menos de doze horas de avanço. Seguindo a doutrina militar geral, os regimentos motorizados apenas contornaram as cidades e eventuais pelotões cercados ou em rendição. Na noite daquele mesmo dia, destacamentos mecanizados da 1ª Divisão Leibstandarte SS Adolf Hitler já se encontravam a poucos quilômetros da vila de Kalisz e a mais de cem quilômetros de suas posições iniciais. O Quartel-General do Coronel-General Von Leeb sequer conseguira se mover ainda. O avanço do Norte foi menos veloz, pois diversas divisões polonesas haviam oferecido combate cerrado. Entretanto, o avanço não seria menos primoroso.

Já no sul, as forças de Rundstedt encontraram um sistema defensivo mais elaborado. Dispondo de brigadas blindadas e uma coordenação mais eficiente, o inimigo optou por uma defesa em trincheiras e apoio de fogo de artilharia. As tropas alemãs lutaram durante todo aquele dia para ganhar alguns quilômetros de terreno. O desempenho das forças húngaras foi relevante, mas aquém do que se poderia prever. De todo caso, estavam cumprindo sua designação de manter forças polonesas engajadas em combate ao sul.

O Führer foi informado por Keitel e Jodl de que o avanço do primeiro dia fora um sucesso e que o cronograma de cinco a seis semanas de campanha seria mantido. Ainda era cedo para afirmar se o ritmo de avanço seria mantido ou se a debandada das forças inimigas poderia se estabilizar na margem oeste do Rio Vístula. De uma forma ou de outra, pouco antes do alvorecer do dia primeiro de setembro, Von Leeb considerou que a ruptura alcançada no dia seguinte era o princípio da desestabilização das defesas do Vístula. Relatórios do norte e do sul, apontavam que as reservas inimigas estavam se dividindo entre ambas as frentes. O XV Exército de Grün, às ordens de Von Bock, lançou-se a um avanço pelo "Corredor" em direção a Chojnice, por volta das 13h00 do dia 1º.


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Conforme as suspeitas, o reconhecimento aéreo informou que os efetivos na região de Varsóvia eram mínimos. A debandada inicial não havia apenas desestabilizado o sistema defensivo a oeste do Vístula, esta o destruíra quase por inteiro. O caminho da capital da Polônia estava livre. Apenas um regimento de cavalaria e batalhões de infantaria se deslocavam em direção a Lódz. Manstein recebeu o apoio do VI. Exército do General Günther von Kluge. O avanço sobre Kalisz foi completo até a madrugada do dia 2. A vitória traria a rendição de mais de sessenta mil soldados poloneses.

O enorme número de inimigos capturados causou a paralisação das vanguardas motorizadas durante o dia 2, até que o Quartel-General do Centro determinou que somente as unidades de infantaria deveriam prosseguir até que pudesse se encontrar com a linha de frente. Manstein contactou Von Leeb pelo rádio, admoestando-lhe a respeito da necessidade de se capturar Varsóvia o quanto antes. O Coronel-General, por seu turno, respondeu que contactaria o Alto Comando sobre a segurança de conduzir o ataque a cidade diretamente.

Na madrugada do dia 3, o Supremo Comando em Berlim foi notificado por via-telegrama pelo Alto Comando Soviético, que informava a entrada das tropas soviéticas pelo Leste. A intervenção dos bolcheviques foi informada ao Führer, que conferiu a Jodl e Keitel o aval para um avanço direto para a a capital da Polônia. As ordens foram transmitidas e o avanço teve início ainda naquele dia.


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Colunas blindadas seguiam por estradas e campos desguarnecidos. Tudo parecia um mero exercício como tantos outros que se deram antes da guerra. O avanço foi lento durante a madrugada do dia 4, apenas em virtude do reabastecimento de vários veículos. A noite estava iluminada pelas explosões causadas por bombardeios massivos contra as pistas de pouso e posições inimigas ao longe. Os holofotes em Varsóvia apenas guiavam o caminho, esmaecendo os brilho da Lua ou das estrelas. Nos próximos dois dias, as forças avançavam à velocidade da infantaria, certas da vitória vindoura! Alegres e plenamente motivadas, as tripulações da 1ª Divisão Panzer cantavam:

Ob's stürmt oder schneit,
Ob die Sonne uns lacht,
Der Tag glühend heiß, oder eiskalt die Nacht,
Bestaubt sind die Gesichter, doch froh ist unser Sinn, ja, unser Sinn!
Es braust unser Panzer im Sturmwind dahin!

Seja na tempestade ou na neve,
Se o Sol sorrir para nós,
O dia quente ou a noite congelante,
Os rostos estão empoeirados, mas nossos espíritos estão fortes ... Sim, estão fortes!
É implacável nosso blindado pelo vento da tempestade!*
(*Tradução pessoal livre)



http://www.youtube.com/watch?v=jEIm3pe5wbA

Na manhã do dia 6, as vanguardas da 1ª Divisão Leibstandarte SS Adolf Hitler, que haviam ocupado a vila de Kutno sem enfrentar resistência, avançaram até a região de Plock. Um grande bolsão se formara sobre as divisões no "Corredor". O Grupo Norte havia atraído diversas divisões para a armadilha, enquanto o III Exército do General Friedrich von Boetticher atingiu o Vístula, ao nordeste de Varsóvia. O ataque fulminante das forças alemãs prendera mais de vinte divisões na região do corredor. A ofensiva havia cumprido todos os seus objetivos em uma semana, ao contrário das três semanas que se previa anteriormente.

O Grupo Sul havia avançado mais lentamente sobre um relevo irregular, mas desmantelando todas as resistências localizadas na região de Katowice. Lançara um assalto sobre Cracóvia na tarde do dia 7. O apoio aéreo foi essencial para a desarticulação das linhas inimigas, infligindo-lhe inúmeras baixas. No Centro, mediante um ataque conjunto, o Tenente-Coronel Von Manstein e o General Von Kluge desferiram os primeiros assaltos contra Varsóvia na noite de 7 de setembro. Contra onze divisões plenamente organizadas e sob intenso bombardeio aéreo, o Major-General Stanislaw Sosabowski mal podia contar com um regimento de cavalaria desorganizado e alguns carros blindados antigos.


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A sorte da Polônia parecia decidida já dia 8. Apesar de prover uma defesa obstinada, a desorganização das tropas do Major-General era latente. Não poderiam salvar Varsóvia, a menos que um milagre ocorresse ou que as unidades ao norte fizessem um movimento quase impossível em seu socorro. Entrementes, o milagre não viera. Pior, quem avançava velozmente a leste de sua posição eram as unidades da vanguarda motorizada da União Soviética. Ao ser informado da iminência do ataque soviético, Sosabowski ordenou o abandono de Varsóvia e a retirada para o sul da capital.

Ao manobrar conforme o previsto no Plano Branco, mas de forma tão veloz, o Grupo Centro se distanciou quase cem quilômetros do Grupo Sul. A falha operacional não era séria apenas pela incapacidade dos poloneses aproveitarem a oportunidade. No dia 9 de setembro, o Führer foi pessoalmente à Varsóvia, onde condecorou Von Klunge e Von Manstein pela grande capacidade de comando em campo.


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Dois dias depois, unidades de infantaria de montanha entraram em Cracóvia, que sediava provisoriamente o Quartel-General das Forças Armadas da Polônia, sob a bandeira do Marechal Edward Rydz-Smigly. O governo civil, até então sob o controle do Presidente Ignacy Moscicki e do Primeiro-Ministro Marian Zyndram-Koscialkowski, havia se desintegrado. Estes haviam deixado a Polônia 24 horas antes e o país havia passado ao controle direto do Marechal. As tropas polonesas foram partidas ao meio tal qual sua coragem.

Soldados desmoralizados se rendiam nas primeiras horas de batalha. No noite do dia 11 de setembro, o Quartel-General de Rydz-Smigly sinalizara uma trégua para a rendição. Enquanto tropas espalhadas ainda lutavam, o Marechal da Polônia foi escoltado até o Quartel-General do Coronel-General Gerd von Rundstedt, nas proximidades de Katowice. Sob o céu aberto, o grande militar polonês via formações de bombardeios se dirigindo ao interior de seu País. Seu sentimento de impotência ante ao esfacelamento de seus efetivos era evidente. Mas, em seu veículo, permanecera calmo, certo da sina que lhe aguardava. A rendição seria incondicional.


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Mantendo a formalidade do ato, ambos os comandantes prestaram continência ao se encontrarem. Von Rundstedt entregou-lhe um papel timbrado que fora trazido durante o dia. Não haviam muitos termos ali. A rendição incondicional e o cessar de toda e qualquer resistência deveria se dar nas próximas horas. Por consequência, a Polônia perdia sua autonomia e não mais deveria existir. Após assinar o documento, o Marechal Edward Rydz-Smigly transmitiu mensagens radiofônicas para todo o País, anunciando a rendição completa. Nada mais poderia ser feito. Numa cerimônia honrosa, Rydz-Smigly entregaria seu sabre a Von Rundstedt, indicando o fim de sua bandeira, rendendo-se efetivamente aos alemães.


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As baixas polonesas foram enormes. Entre prisioneiros que se renderam, feridos e aqueles que tiveram sua vida ceifada no campo de batalha, suas perdas ultrapassavam os duzentos e trinta mil. As perdas germânicas foram aceitáveis dentro das estimativas traçadas pelo Supremo Comando. A Marinha de Guerra havia interceptado e afundado dezessete navios cargueiros entre o Báltico e o Mar do Norte, anunciando a superioridade alemã naquelas águas. As operações aéreas franco-britânicas, que tiveram lugar simultaneamente naqueles dias, haviam tentado arrefecer o ímpeto das Forças Armadas da Grã-Alemanha, mas foram fadadas ao fracasso.

A campanha da Polônia fora o mais retumbantes sucessos militares! Previsto para levar entre cinco a seis semanas, o Plano Branco fora executado em menos de treze dias. A França e a Inglaterra ficaram estarrecidas. Jornais de todo mundo mal puderam informar sobre a situação da guerra e, quando se deram conta, esta já havia avançado bruscamente. Uma vez que o Führer havia proibido as operações aéreas em solo francês antes do fim da conquista no Leste ter terminado, em Paris e Londres, sirenes tocavam e as populações entravam no mais pavoroso dos frenesis sem nada acontecer sequer.

A Europa e os países da Comunidade de Nações do Império Britânico haviam mergulhado na guerra.

Como se referia a cantata Carmina Burana, de autoria de Carl Orff, executada em muitas salas de espetáculo na Grã-Alemanha naqueles dias de 1939, a Fortuna selaria o destino das nações. E esta havia entregado o destino do mundo nas mãos alemãs. Era apenas o começo de tudo...



http://www.youtube.com/watch?v=AP_CSQgBPpQ

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Acompanhe este e outros relatos deste AAR através do ÍNDICE (http://battlecentral.xpg.uol.com.br/forum/showthread.php?107035-AoD-IC-Triumph-des-Willens&p=850830&viewfull=1#post850830)

Biller
12/08/2015, 13:52
1 9 3 9 - Sitzkrieg(Guerra Sentada)

O sucesso obtido na campanha da Polônia pelas Forças Armadas da Grã-Alemanha fora um pesadelo para os Aliados. Prevendo um conflito que demandaria pelo menos três meses, a conquista de treze dias era duro golpe contra as esperanças acerca de um desgaste dos alemães. Não apenas isto, mas a agressão da União Soviética também representava um sério abalo contra as hegemonias políticas no Velho Continente. Temia-se, eventualmente, fusões de esforços germano-soviéticos para a conquista da Escandinávia ou ainda uma aliança direta contra a França e a Inglaterra. Os rumores eram mais aterradores do que a realidade.


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Tripulações de forças motorizadas alemãs e soviéticas, nas proximidades de Lomza, em 10 de setembro de 1939

Enquanto os combates ainda ocorriam, a Armée de l'Air e a Royal Air Force - a Força Aérea da França e a Real Força Aérea Britânica, respectivamente - tentaram efetuar operações diretas contra a Alemanha, para aliviar a pressão sobre os poloneses e, de alguma forma ilusória, salvá-los. Entretanto, os embates aéreos demonstraram uma clara superioridade tática e técnica da aviação alemã. Quando as baixas começaram a demonstrar a inviabilidade da ofensiva aérea, os Aliados cancelaram suas operações.

Em solo alemão, os aparelhos abatidos demonstravam a miscelânea de aeronaves: inglesas, francesas, polonesas, canadenses, indianas, sul-africanas... Reservas de diversos lugares do mundo estavam sendo empregadas e derrubadas, seja pela ação dos aviadores alemães e húngaros ou pelo fogo de armas antiaéreas. A falha operacional dos Aliados poderia significar o início de uma avassaladora derrocada de seu esforço bélico.

A blitzkrieg ou a "guerra-relâmpago" contrariara todas as lições da Grande Guerra. Na opinião dos comandantes alemães, contudo, este conjunto de doutrinas operacionais eram frutos diretos desta, em relação à necessidade de se superar a guerra de trincheiras. Jornais e periódicos internacionais noticiavam sobre a iminência de um ataque à França, incitando um medo delirante em populações civis na Europa Ocidental. O temor sobre o uso de armas químicas era evidenciado no incentivo ao porte e uso de máscaras de gás pela propaganda de guerra.

Os primeiros dias de outubro foram marcados por tensões em ambos os lados. A despeito de grande partes dos efetivos ainda se encontrarem na Polônia, o oficialato e as tropas esperavam as ordens que lhes levariam à França ou talvez aos Países Baixos. Na França, a espera era pelo ataque, uma vez que os comandantes franceses não se julgaram em condições de deixar suas posições defensáveis na Linha Maginot e se lançarem contra a bem protegida Linha Siegfried - um conjunto de fortificações militares ao longo do Rio Reno. Além disso, o efetivo do Exército Francês presente na região se tornara numericamente inferior, após o emprego das reservas pelos alemães.

Tampouco o Supremo Comando das Forças Armadas estaria disposto a um ataque frontal contra a França. A obviedade do embate se iniciar na Renânia levara a uma massiva concentração de contingentes. Esta era extremamente nociva aos conceitos táticos empregados na Polônia. No comando de uma força militar composta por mais de meio milhão de soldados, em quarenta e quatro divisões, estava o Coronel-General Gustav Anton von Wietersheim - Comandante-em-Chefe do Grupo-de-Exércitos Siegfried.


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Um general veterano em uma posição que seria de destaque... Caso fosse vinte e um anos antes e a luta se desse da mesma forma que na Primeira Guerra Mundial. Frente às vitórias no Leste, o posto não traria um prestígio de igual paralelo. Von Wietersheim não questionou sua função posto que a força sob sua bandeira fosse a maior dentro do Exército. Fora isso, seus soldados passavam os dias limpando o equipamento e enfrentando testes de resistência física. Houve casos que punições disciplinares foram aplicadas sobre oficiais de baixo escalão que sumiram durante suas folgas. Um general chegou a ser notificado extraoficialmente por ter ido praticar caça em uma das reservas florestais da região.

Com o fim dos engajamentos aéreos, as tripulações da Força Aérea executaram até mesmo treinos de reparo de aeronaves em menor tempo. Os dias claros de outubro também foram aproveitados para acirradas competições... Em partidas de futebol.


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O Führer se reunira diversas vezes com seu Supremo Comando a fim de discutir a viabilidade de um ataque no Oeste ainda naquele mês ou no começo de novembro. No entanto, alguns dos principais comandantes do Estado-Maior das Forças Armadas, como Erich von Manstein e Heinz Guderian persuadiram Alfred Jodl, o chefe deste departamento, a fim da negativa sobre a invasão à França. As alegações recaíam sobre o baixo número de blindados disponíveis para as tripulações que os aguardavam. Mais do que isso, no caso de uma operação de larga escala, as reservas de munição do Exército não suportariam um possível prolongamento desta. O Comandante-em-Chefe Wilhelm Keitel também era contra a ofensiva, mas por acreditar que as estimativas as reservas francesas poderiam ser enganosas, uma vez que estas já aguardavam um ataque há mais de um mês, ou seja, incorrer neste seria um risco de guerra prolongada.

Outro importante ponto contra a ofensiva, para certa inconformidade do Führer, fora a postura reticente da Itália. A beligerância da Itália contra os Aliados era vital para o sucesso de uma invasão à França. Na condição de aliada da Grã-Alemanha, não ingressara no conflito como se poderia esperar. Antes mesmo que este ocorresse, Benito Mussolini, o Duce italiano, reunira-se com Hitler a fim de relatar os problemas internos das Forças Armadas Italianas, que se desgastaram na conquista da Etiópia até a ocupação da Albânia. O Duce pedia entre dois a três anos para que seu país estivesse pronto, logo, isso correspondia a uma virtual espera por parte dos alemães. O Führer respeitou a posição de seu aliado, mas estava decidido a entrar em um conflito. Não deixou, é claro, de convidar novamente os italianos para o envio de uma força expedicionária à época da invasão da Polônia. A negativa destes e a própria rapidez com que se deu o conflito, encerrara tal convite e agia contra o ataque em planejamento.

Finalmente, Adolf Hitler fora convencido das problemáticas envolvidas e tendeu a concordar com o adiamento das operações. A campanha seria postergada ao ano seguinte. Em seu lugar, a sitzkrieg ou a "guerra sentada" se impunha em campo. Ingleses e franceses, por sua vez, mantiveram-se firmes em sua ideia de evitar um ataque à Alemanha. Preparavam-se para uma longa guerra de desgaste. Após o início de novembro, os ânimos naqueles dois países se acalmaram. Fora alguns voos de reconhecimento, os Aliados já passavam a considerar que haviam superestimado os alemães.

Conforme os dias daquele mês transcorriam, o frio começou a tomar conta da Europa. A pouco mais de um mês do começo do inverno, as últimas precipitações caíam vigorosas na Linha. A sensação térmica despencava conjuntamente. Se antes, os fatores operacionais agiam contra um ataque, agora a realidade do inverno dissipava quaisquer posições favoráveis. A longa tradição militar alemã prezava em evitar operações desencadeadas durante o inverno. Os embates só teriam lugar na primavera de 1940. Um evento, entrementes, captou a atenção dos principais lados antagônicos.


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Conferida a muito como parte da esfera de influência hegemônica da União Soviética, a invasão da Finlândia era prevista desde o Pacto Ribbentrop-Molotov. De fato, o Führer não se importava com a sorte da democracia finlandesa e a entregara definitivamente nas mãos dos bolcheviques desde agosto. Na manhã do dia 15 de novembro, tropas soviéticas teriam aberto fogo contra posições na área da Linha Mannerheim - uma região fortificada em meio a grandes áreas lacustres no solo finlandês da Carélia, para o caso de uma eventual agressão de seus vizinhos.

Conforme a realidade prática dos fatos, os russos sobrepujavam largamente seus inimigos. Os agressores haviam provado certa capacidade em combate. Apesar dos grandes expurgos ordenados por Stalin, as forças soviéticas haviam vencido escaramuças com os japoneses no Extremo Oriente e orquestrado uma rápida invasão do leste da Polônia. O destino da Finlândia não interessava aos comandantes das Forças Armadas Alemãs, mas a eficiência de suas linhas fortificadas sim. O tempo e a forma que os finlandeses poderiam deter seus adversários, mediante um sistema defensivo, era uma valiosa informação para se calcular os objetivos traçados contra a França.

Segundo os relatos de correspondentes internacionais, a primeira semana foi marcada por um série de vitórias táticas dos finlandeses. Tais sucessos começaram a exercer grande peso para que o Reino Unido, a França e os Estados Unidos pressionassem veementemente os bolcheviques, de modo que estes encerrassem a agressão. A Suécia enviou equipamento militar e médico para o uso da Finlândia. Secretamente, enviou ainda uma pequena unidade expedicionária para integrar as fileiras da nação vizinha. Os americanos, por seu turno, fizeram grandes empréstimos ao país agredido. O Serviço de Informação da Marinha de Guerra Alemã interceptou até mesmo mensagens inglesas que abordavam um virtual envio de uma força militar à Escandinávia para dissuadir os russos de seus intentos.


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Soldados finlandeses em posições defensivas ao longo da Linha Mannerheim

Quando as tropas invasoras foram retidas na Linha Mannerheim também na segunda semana de guerra, houve informações de que outras haviam conseguido penetrar o território finlandês pelo norte. As nevascas começaram a castigar duramente o campo de batalha e o avanço dos soviéticos se desacelerou. O Exército da Finlândia empregou um equipamento próprio para as rigorosas condições climáticas. Camuflavam-se na neve em seus brancos uniformes, contrastando com seus opositores, que mantinham o uniforme verde e que os destacava na paisagem. Os franco-atiradores finlandeses fizeram sua fama.

Em face de suas sérias dificuldades, houve informações de que os soviéticos empregaram maiores efetivos e rapidamente revisaram alguns erros estratégicos iniciais. Unidades blindadas deram guarida ao avanço de suas formações. Na terceira semana de guerra, as posições fortificadas finlandesas estavam no ponto de ruptura. Ao norte, suas forças motorizadas realizaram uma profunda penetração em territórios no centro do país. Percebendo o cerco que se fazia e que eventualmente sua capital poderia ser ocupada, o Comandante-em-Chefe das Forças Armadas da Finlândia - Barão Carl Gustaf Emil Mannerheim - iniciou as conversas com o Alto Comando Soviético, negociando as condições da trégua e do armistício. Stalin, que fora informado que seus exércitos estavam no limite de sua capacidade operacional, deu autorização a seus comandantes assinarem os acordos.


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Assinado em 23 de dezembro, o armistício da chamada Guerra de Inverno poria fim não apenas ao conflito como aos planos franco-britânicos de invasão da região. Taticamente, os soviéticos tiveram grandes dificuldades, mas modificaram suas estratégicas empregadas, o que representava uma grande evolução para o Exército Vermelho. Mais do que isso, provara que esta força ainda era dotada de alguma competência, contrariando as opiniões em voga entre os comandantes alemães, franceses e ingleses. Os finlandeses, a seu modo, não tiveram grandes perdas durante o período de um mês e doze dias de conflito. Todavia, suas perdas se deram em dívidas de guerra e uma considerável crise econômica.

A relativa sensação de estabilidade voltava à Europa, enquanto a indústria bélica da Grã-Alemanha envidava esforços para atender as demandas da Guerra. Os Aliados faziam o mesmo. Até o fim do mês de fevereiro de 1940, a atividade militar se reservou ao espaço da caserna e das linhas fortificadas. Mas, as aparências apenas escondiam a realidade... A mesma calmaria que a respiração profunda antes do mergulho.


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Bom, só para explicar algumas coisas... De fato seria possível invadir a Holanda, a Dinamarca ou outros países pequenos em 1939. Apenas optei por seguir uma parte da dinâmica natural do jogo até aqui, por questões de narrativa mesmo.
Não posso esquecer, é claro, de apontar algumas dificuldades que tenho em produzir divisões blindadas e motorizadas antes da invasão da França. Diferente do HoI 3, as divisões não são compostas por brigadas... As divisões são um corpo fixo, que, eventualmente, podem ter diferentes tipos de brigadas adicionadas (apenas uma para cada divisão). Isso faz com que a produção de blindados seja tardia, uma vez que demandam muito IC para tal.

Algo que me chamou a atenção foi que a URSS, ao contrário do que eu esperava, conseguiu invadir a Finlândia e terminar a Guerra de Inverno muito rápido. Normalmente, os finlandeses sempre seguram eles. Algumas vezes, a guerra termina num empate. Nunca vi os soviéticos fazendo invasão pelo norte e tendo sucesso. Achei interessante...

No mais, este capítulo foi particularmente tedioso, quanto foi este período da "Drôle de guerre" ou "Sitzkrieg". Então, peço desculpas àqueles que esperavam um show magistral. Haverá momentos que eu darei essa "acalmada", caso eu não faça muitas ações in-game. O próximo já terá porrada!

Sr. Bison
23/08/2015, 19:17
Biller, numa SS vc colocou setas em branco e tal, oq vc usou para fazê-las, digo, qual o programa ? gostei do estilo.

Aliás bela AAR, uma bela AAR, não é se o jogador joga bem ou não, mas a riqueza e conteúdo dela.