PDA

Ver Versão Completa : [Jogo] SOMA



Camargo
11/11/2017, 03:57
Posso dizer que SOMA é um jogo de enredo e atmosfera.

O que nos faz humanos? Nossa consciência ou o invólucro que permite que ela exista?
Esta reflexão torna-se cada vez mais constante a medida que Simon mergulha para o Terror que é o fundo do oceano. E a esperança? Será que ela existe?

Sendo mais direto ao jogo, ao meu modo:

A jogabilidade de SOMA resume-se a um “Amnésia: The Dark Descent” melhorado, ou seja: Não é nenhum primor, possuindo suas limitações, mas o sistema é efetivo.

A atmosfera assemelha-se a uma sopa de BioShock misturado a Alien – Isolation com aquele tempero de horror Lovecraftiano que o primeiro Amnésia conseguiu trazer tão bem.

As criaturas, todas sempre com reações e características bem diferentes umas das outras, são bem desenhadas e apresentadas com calma, para no tempo certo trazer repulsa ao jogador (um belo exemplo do “horrorizante” trabalho da Frictional Games é uma criatura com silhueta humanoide que apenas pela sua forma de caminhar e pelo grito estridente já faz o jogador não ter a menor ideia do está por vir e do que fazer. Horrendo, digno do mestre do horror já citado).

Aliás, qualidades de som são o ponto mais alto deste game: o trabalho de sonoplastia de SOMA talvez seja o melhor dentre outros grandes e excelentes games do gênero. Som ambiente, diálogos, trilha sonora, tudo impecável.

Os puzzles são criativos, legais, e vez ou outra tenebrosos devido à presença de criaturas na área, porém nenhum muito difícil. Os monstros, já elogiados anteriormente, por vezes pecam por não representar um desafio tão mortal como o Alien (“”Isolation), por exemplo, pois o jogador geralmente não é morto de imediato. Mesmo assim é descarregada uma tensão, um pavor e uma adrenalina absurda. Tudo funciona.

O jogo é muito bem polido, extremamente bem feito. Explore tudo (se possível, senão corra mesmo), dialogue bastante, veja todos documentos e aproveite os sons com um bom headset.

Por fim, a espinha dorsal de SOMA trata-se da trama, capaz de trazer questões muito interessantes sobre nossa consciência. Penso que, em nossa vida e em tudo que conhecemos, existe um início, meio e fim.

E há um fim no que aparenta ser o paraíso? Ele é uma esperança?

O infinito também nos leva a loucura, afinal, somos humanos. Em SOMA, todos estão condenados, inclusive mais ainda aqueles que talvez nunca serão desligados.

SOMA, em minha visão, consegue definir dois tipos de INFERNO... e é assustadoramente genial nessa ideia.