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Ver Versão Completa : O país de Alckmin não será o país de Lula.



Sauron
10/10/2006, 02:05
O que vem por aí
Chico Villela

Nesse vapor barato em que a grande mídia forçou os eleitores e leitores do país a mergulhar, na segunda metade do governo Lula, mais por seus métodos de jogo pesado e menos pelos méritos do atingido, é tarefa intrincada responder a indagações sobre os possíveis desdobramentos na arena política. Depois de blindar durante oito anos quase tudo do governo visivelmente corrupto do psd-bê (com performance de dezenas de bilhões em fabulações de gabinete e a marca de 45 escândalos políticos e financeiros de porte), a grande mídia aliada da elite (de atores facilmente nomeáveis no país), entes amalgamados, dedica-se há mais de um ano a destruir um governo de alguns acertos mas autor de um erro fatal: igualou-se aos outros no ofício da montagem de grupos, no núcleo e à margem do poder oficial, para articulações que envolviam corrupção, negociações políticas espúrias, compras de apoio, etc.; enfim, o feijão-com-arroz do poder republicano nacional. Prosperou o clima interno de desagrado com a traição a princípios, os éticos primeiro, e o partido rachou e perdeu alguns dos seus melhores quadros e pensadores.

E as imagens falsas estão agora finalmente consolidadas. Fhcê seria um político elegante e culto (na verdade, é apenas um player sem autonomia nem expressão no cenário internacional). Alckmin seria um futuro estadista ético (na verdade, sua maioria parlamentar bloqueou na Assembléia paulista 59 pedidos de CPI para desvendar dezenas de manobras ilegais do seu governo). E Lula seria um zé-mané incompetente de origem popular. Os preconceitos de classe, sociais e étnicos que nunca saíram de cena neste país-banana afloram e florescem sem receios.

A partir daí, a carga negativa desproporcional e maciça despejada diariamente contra o governo Lula só encontra paralelo, hoje, na carga repleta de falsificações que Bush impinge ao seu país e ao mundo com suas inverdades a respeito de suas guerras assassinas de civis e comprometedoras do futuro de vastas populações e regiões com contaminação por material radiativo e bombas tóxicas. A tática, aqui como lá, é destruir a verdade pelo aumento excessivo da aparência da mentira, e, com isso, aqui, salva-se a face do comando do psdbê (que, se fosse petista, seria chamado de quadrilha), agora ‘sem passado comprometedor’, como se fosse a ‘solução’, inclusive ‘ética’. E assim ascende o pusilânime e oco Alckmin, que conseguiu a proeza de, numa campanha acirrada, não ter trazido ao debate nem uma só idéia sólida e realizável que tenha o condão de mover o país, mas apenas platitudes genéricas que justificam o apelido ‘picolé-de-chuchu’. Confirmaram-se as suspeitas sobre seu pensamento político: não existe.

O mapa eleitoral de Alckmin não é o mapa de Lula. As maiorias pró-Lula concentram-se no Norte e no Nordeste, as regiões mais pobres; as pró-Alckmin, no Centro-Oeste e no Sul, as medianamente ricas. O mais rico Sudeste dividiu-se: Rio e Minas pró-Lula e São Paulo pró-Alckmin. No Sudeste, Minas será o fiel da balança, por ter potencial de mudança e imenso eleitorado. Um apoio agora de Aécio, e.g., seria trocado por apoio ao plano Aécio 2010 (Serra e fhcê vão espernear), com reeleição extinta e cinco anos de mandato. A visão distorcida pela mídia e entregue já refogada ao público enxerga ‘ignorantes e pobres’ atrás dos votos de Lula, e ‘elites esclarecidas’ atrás dos de Alckmin. Nada mais falso: há de tudo para os dois. A pobreza e a miséria foram reduzidas no país, e as regiões pró-Lula tiveram crescimento econômico maior que as pró-Alckmin, mas esse fato determinante, que decorre também das políticas sociais, não aparece no noticiário.

O país de Alckmin não será o país de Lula. As privatizações serão retomadas (dado hoje negado pelo candidato), conforme as palavras do coordenador do seu programa econômico de governo, Luiz Carlos Mendonça de Barros. Aspas para trecho de sua recente entrevista à revista Exame:

“Exame : O que o senhor acha que deveria ser privatizado?

Mendonça: Há muita coisa ainda, como os serviços portuários, as estradas de rodagem, o se-tor elétrico, a Petrobrás.

Exame: A privatização da Petrobrás seria extremamente polêmica, não?

Mendonça : Sem dúvida. Ainda não tenho opinião formada sobre o assunto, mas se eu esti-vesse no próximo governo, trabalharia forte na privatização da Petrobrás”.

Nesse cenário é óbvio que Alckmin não se interessará por projetos nacionais que possam confrontar os interesses dos grandes capitais, a exemplo de produção e exportação de bioenergia, indústria farmacêutica dedicada a doenças de países pobres, produção de alimentos orgânicos com demanda crescente no mundo, criação de uma coordenação estatal forte para biotecnologia, controle e uso econômico racional da rica biodiversidade, etc.

Lula não reverteu algumas privatarias gatunas e viciosas do governo anterior, como a da Vale do Rio Doce: com patrimônio estimado em dezenas de bilhões, foi assumida em 1997 por R$ 3,34 bi e já lucrou mais de quatro vezes esse valor. Mas interrompeu o avanço das privatizações, que atrapalham ou impedem planos de fôlego mais que nunca necessários ao desenvolvimento do país. Uma constatação é geral: a qualidade dos serviços caiu, até mesmo com direito a racionamento de energia, e tudo ficou mais caro (e também mais chato: o limite máximo da chatice ‘vai estar sendo’ o marketing eletrônico que tortura o consumidor). O Consenso de Washington naufragou e é objeto de mea culpa por parte da maioria dos seus criadores e agentes, mas ainda vive e pulsa nas periferias do mundo.

O combate à corrupção e aos ganhos ilegais de fortunas será bloqueado se a oposição vencer. Sob Lula, a Polícia Federal, junto com o MP e outros órgãos, em quatro anos realizou 183 grandes operações (fhcê: 20 em oito anos) e prendeu 2.971 pessoas (fhcê: 54). Entre esses 54 não está o gângster-banqueiro Salvatore Cacciola, que vive numa mansão na Itália com riqueza fruto de um ‘socorro’ mediado por Francisco Lopes, então presidente do Banco Central de fhcê – que no calor do escândalo foi defenestrado mas continua também solto e consultor de símiles de Cacciola. Alckmin será mais comedido: as operações da PF serão restritas a traficantes, talvez; afinal, manter a eficaz (embora contraditória) política anticorrupção atual seria atirar contra alguns amigos.

A posição de Alckmin perante os movimentos populares seguirá na esteira do seu comporta-mento com os presos do estado de São Paulo. Tamanhos foram a truculência, a restrição a direitos constitucionais e legais e os maus-tratos, em reforço a crimes anteriores como o massacre do Carandiru (111 indefesos desarmados mortos, o maior da história do país), que os condenados e muitos que aguardam julgamento presos (pobre não tem habeas corpus) se organizaram em autodefesa, e o país ganhou das mãos dos staffs de segurança de governos como o de Alckmin o guerreiro antipolícia PCC.

A grande mídia insiste em não divulgar que o surgimento e a consolidação do PCC foram fenômeno exclusivo paulista, como se planejado junto com a supressão de direitos: trata-se da cria-ção do inimigo. O atual líder Marcola relata que um dos oito iniciadores, presentes a uma reunião final na penitenciária de Taubaté que amarrou o início do grupo, amargou nove anos uma solitária. Homem forte; outros teriam enlouquecido. E hoje, no vácuo de um Estado sempre insuficiente, o PCC vai se tornando movimento sociopolítico com respostas e liames em parcelas da população.

O MST e as dezenas de movimentos voltados para o direito à terra, por exemplo, e muitos ou-tros como os sem-teto, podem então aguardar tratamento similar da parte de um governo novamente psdbista. Impossível também imaginar que as políticas afirmativas de minorias (mulheres, pretos, jovens, pobres e miseráveis, agricultores familiares, microempreendedores, cooperativados sociais, etc.) possam vicejar com plenitude sob o governo neoliberal tardio de Alckmin e seus aliados. Mas a grande mídia deverá gastar poucas palavras e nenhum foco sobre as reais questões que afetarem Alckmin, como aliás fez com relação ao seu governo bem-tratado nas páginas. Exatamente o oposto do que fez ao criar a síntese da ilusão pinoquiana de que ‘toda a corrupção que tem vindo à tona é de matriz petista’. Basta repassar três desses megaescândalos:
 o valerioduto foi iniciado sob o governo fhcê. Assim que se recuou aos primórdios e foram surgindo nomes de políticos do psdbê e partidos afins como o pefelê, o tema foi esfriado;
 a lista de Furnas subiu então às manchetes. Assim que a PF reconheceu a autenticidade da lista, cujos três principais beneficiários em milhões foram Alckmin, Serra e Aécio, além de 153 outros felizardos parlamentares, entre os quais nem um só petista, num total de 39,9 milhões de reais (psdbê: 68,3% do total), a lista foi dada como falsa por um ‘líder’ no Congresso, e pouco se fala do assunto;
 entram em cena então os sanguessugas e suas ambulâncias superfaturadas. O ex-ministro da Saúde de Lula foi imediatamente envolvido. Mas assim que se constatou, na ponta do lápis, que 76% das 891 ambulâncias entre 2001 e 2004 haviam sido negociadas na gestão Serra, sob o comando direto do seu secretário executivo e posterior ministro substituto Barjas Negri, pela mão do empresário seu operador e amigo de trinta anos Abel Pereira (implicado agora também na fabricação da pretensa compra do dossiê contra Serra), a questão refluiu da forma com que vinha sendo exposta nas páginas uníssonas dessa grande mídia.

O engodo da mídia desvenda-se e se revela também neste episódio: logo no início do escândalo do mensalão, um deputado federal pastor da Igreja Universal do Reino de Deus foi preso transitando com pouco mais de R$ 10 milhões em sete malas. O intrépido e imparcial âncora da TV Record Boris Casoy sequer deu a notícia; a Universal é dona do canal e do seu salário. Logo após, um petista foi preso com 200 mil reais numa mala e 100 mil dólares na cueca (um vigésimo, ou 5%, do dinheiro sujo do pastor). Ficou algumas semanas nas manchetes, e foi com ênfase, e até hoje é, motivo de notícias e citações, e caiu no gosto do humor nacional. O pastor & suas sete malas foi rapidamente ‘esquecido’ e sumiu do noticiário, o que privou o país de outra fonte de risos tão fértil quanto o homem com dólares na cueca. A marcha das coisas indica ser provável que as páginas sobre corrupção e jogos sujos virem fumaça se Alckmin ganhar: a grande mídia não vai se interessar em repetir a dose, dedicada ao Lula adversário dos altos negócios que expressa, com um dos mais diletos representantes da elite nacional em nome da qual hoje aceita, com empenho e capricho, o papel de reforço de campanha que a desmerece.

Alckmin, adepto e ligado à Opus Dei, a mais retrógrada organização pararreligiosa do mundo católico, manterá também diretrizes de política externa opostas às do governo Lula, que pode ser reconhecida como seu grande campo de protagonismo. Alckmin já declarou que pretende reduzir a expansão do Mercosul e apoiar a criação da Alca, menina-dos-olhos de Bush. Nem se imagine que vá apoiar líderes como Chávez e Morales ou que ajude a tecer a trama & urdidura da integração sul-americana, única opção de diálogo de igual para igual com os Estados Unidos. Nem que vá manter a aproximação e a colaboração estreita do Brasil com países africanos, asiáticos e árabes do terceiro mundo, que vá estimular políticas comuns com Índia, China, Rússia e África do Sul, que vá manter oposição a governos e corporações sobre temas como protecionismo e subsídios nos foros internacionais. Com Alckmin, o comando voltará ao campo dos adversários de hoje, e haverá uma atuação brasileira tendente a pálida, fruto de opções de alinhamento e conseqüente abandono da tradição de independência. Os tapetes estendidos a fhcê nas suas viagens ao exterior eram agra-decimento pela eficiência no gerenciamento da doação de bens e empresas do país aos capitais internacionais.

O eleitor não tem mais escolhas, o primeiro turno já passou. Lula: fatos e ações de conivência com corrupção de governo, manutenção da macropolítica antinacional de crescimento reduzido e do freio do superávit primário, mas acertos no conjunto expressivo de políticas sociais, redução da dívida externa, política internacional respondente aos interesses do país, inflação quase inexistente, etc. Alckmin: é o que se sabe e o que se prevê, e isso inspira temores e receios. Mas tem pela frente um nó: não vai ser fácil revertê-los ou fazer face aos acertos de Lula.
É melancólico o quadro. E haja ainda estômago para presenciar a contínua sordidez dessa grande mídia. O jeito é dessedentar-se nas muitas fontes limpas de informação genuína da rede.


Chico Villela é editor e escritor

nigo
10/10/2006, 10:58
é editor de qual revista?

isto é ou carta capital?

aghaghhaahahahah



qnd li essa parte aqui


"O MST e as dezenas de movimentos voltados para o direito à terra"



eu nem li esse artigo.


considerar o MST um movimento social é brincadeira


o MST está mais para movimento que enche o bolso dos seus lideres explorando os reais "sem-terra"


sem mais.

Darkness
10/10/2006, 19:53
é editor de qual revista?

isto é ou carta capital?

aghaghhaahahahah



E se fosse??
Poderia nos dizer qual parte do programa do Alckmin citado nesse texto é mentirosa??

Q idéia..

Sauron
11/10/2006, 08:43
é editor de qual revista?
isto é ou carta capital?
aghaghhaahahahah
qnd li essa parte aqui
"O MST e as dezenas de movimentos voltados para o direito à terra"
eu nem li esse artigo.
considerar o MST um movimento social é brincadeira
o MST está mais para movimento que enche o bolso dos seus lideres explorando os reais "sem-terra"
sem mais.
Vc pode julgar o MST como quiser, aliás, acho que vc nem julga, engole pronto o julgamento que a Veja te empurrou durante todos esses anos financiado pelos ruralistas.
Mas isso não invalida os fatos apresentados no texto.

É assim que vc discute nigo? Com reducionismo? Vc encontra uma frase no meio do texto e invalida do resto pura e simples...

Valeu campeão, dá pra ver pq vc vota no chuchu...:up:

spne
11/10/2006, 09:31
Alckmin, adepto e ligado à Opus Dei, a mais retrógrada organização pararreligiosa do mundo católico, manterá também diretrizes de política externa opostas às do governo Lula

Em tempos de Dan Brown, o que eles não fazem pra tentar salvar o Lulinha né ? Opus Dei é algo tão ruim assim ? O_o As pessoas poderiam ao inves de falar merda, ir se informar direito. A garotada ainda acha que Opus Dei contrata albinos pra matar as pessoas.

Diretrizes de Política Externa opostas ao do Lula ? Ótimo. Mais um motivo pra eu votar no Walkman.

bombacha
11/10/2006, 13:03
Bleh, eu não acredito que perdi meu tempo lendo essa porcaria.