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Ver Versão Completa : Le Brésil n’est pas um pays sérieux



nigo
17/10/2006, 10:47
achei algo bom, para refletirmos....depois posto minha solução radical hahahaha :lol:





O País dos Conformistas por Gustavo Grisa, economista
'Le Brésil n’est pas um pays sérieux.' (O Brasil não é um país sério) - Frase proferida pelo embaixador brasileiro Carlos Alves de Souza, popularmente atribuída a Charles de Gaulle

É no mínimo desconfortável o nível de leniência da opinião pública e da classe média brasileira com uma das tentativas mais descaradas ensaiadas até hoje de favorecimento e privilégio de deputados federais, estaduais e ministros do Judiciário. Isso tudo com imprensa livre, democracia plena, livre direito de ir, vir e expressar-se.

A auto-regulamentação que é dada aos Poderes, na inexistência de uma consciência de responsabilidade e senso público maior por parte de seus próceres, oportuniza aberrações como a tentativa de aumento salarial de 67% em meio a um país que convive com congelamento de massa salarial da população trabalhadora, em todos os níveis, há pelo menos 4 anos. E não adianta creditar isso apenas à aberração de 'monsieur' Severinô, existem outros pseudo-luminares que também defendem privilégios semelhantes. O contraponto a tudo isso, com legitimidade e naturalidade em uma democracia, seria a força da opinião pública.

O que apavora é que um país em que às vezes protestos são organizados por motivos relativamente fúteis, como contra a vaca louca quando da visita do primeiro-ministro inglês, onde se fazem tantas manifestações e passeatas corporativistas ou de interesse a segmentos específicos, onde uma certa camada da opinião pública se julga tão cosmopolita, nada se faça com um mínimo de articulação contra isso.

Do que estou falando? Até mesmo de uma marcha de 100 mil ou 200 mil em Brasília, para mostrar mais claramente em que nível opera nosso sistema democrático. Nesses momentos, é óbvio que a solidão do Planalto Central favorece à auto-regulamentação e à cara-de-pau explícita. Mas faço uma pergunta: existe uma causa mais universalmente justa e apartidária a defender do que essa, de ser contrário aos privilégios, excesso de impostos e isolamento da realidade dos Poderes constituídos?

Algo de muito grave acontece com o Brasil. O sumiço do ‘centro democrático’e a timidez das manifestações de bom senso da opinião pública sinaliza que tipos folclóricos ou não poderão continuar a fazer o que querem, do jeito que querem, em beneficio próprio, enquanto na economia e no mundo real os empresários que se arriscam e os trabalhadores que ficam à mercê de uma economia claudicante pagam o mico e a conta. Enquanto a economia e o padrão de desenvolvimento internacional se sofisticam e outros países avançam, parecemos enterrados em questões institucionais e lideranças com pensamento medieval.

Para quem já fez uma Marcha dos 100 Mil em 1968, a Campanha das Diretas Já, sinceramente, estamos muito apáticos. Se houvesse uma manifestação organizada, civilizada e com participação maciça de formadores de opinião, aí sim teríamos o sintoma de que o Brasil não é terra de ninguém. Mas parece que a covardia tomou conta de vez e nossa ‘sociedade civil’ enquanto contraponto talvez seja fictícia, se escondendo em interesses sempre segmentados. As grandes causas de expressão nacional parecem sepultadas em algum lugar do passado.

A Cruzada do Brasil moderno contra o atrasado segue com uma boa vantagem para o atraso. Ao cruzar os braços e calar-se em sua timidez, a classe média urbana brasileira demonstra estar se não confortável, pelo menos conformada com o ‘chapéu’ de leviandade com que a velha frase erradamente atribuída a De Gaulle generaliza a cidadania brasileira.

Publicado originalmente no site www.gustavogrisa.com.br

nigo
17/10/2006, 10:49
Em sua visita ao Brasil o general De Gaulle afirmou que o Brasil não é um país sério. Entretanto há, no Brasil, grandes expoentes, mesmo nos campos mais sofisticados da ciência e das artes, o que requer alto grau de seriedade e profissionalismo. Aquela falta de seriedade a que se referia o general está relacionada à importância atribuída pela sociedade a questões de princípios e valores. Nesse contexto lembro um fato que remonta à Segunda Guerra. Himmler tentou diversas vezes negociar a paz em separado com De Gaulle, oferecendo em troca a liberação de três membros de sua família, entre eles a sobrinha Geneviéve, que se encontrava no campo de concentração de Ravensbrueck desde janeiro de 1944. Como decidir entre a família e a sobrevivência da Resistência Francesa por ele fundada? A solução adotada pelo general foi não vacilar na sua total firmeza de convicções: ele jamais respondeu às cartas de Himmler. Em face desta atitude nem mesmo a sobrinha deixou de admirá-lo e veio, posteriormente, até a ocupar um posto importante no seu governo.
http://www.usp.br/jorusp/arquivo/1999/jusp485/fotos/ftopin01.jpg A formação de valores éticos nunca é um processo exclusivamente individual, mas depende da reação da sociedade à manifestação livre e espontânea de convicções. Entretanto, é comum que esta reação seja negativa. Mesmo concordando com uma crítica ou sugestão, ninguém deseja manifestar àquele que a formulou o seu apoio na presença de outras pessoas por saber que opiniões livres sempre contrariam interesses de grupos de apaniguados. Essa atitude é uma antítese às idéias do antropólogo Edgar Morin que afirma que, após a decadência da família e da religião, impõe-se um novo conceito de ética individual baseado na solidariedade. Entretanto, uma explicação para essa atitude reside no fato de que, para promover-se, e até para garantir direitos que seriam naturais por mérito, é sempre mais fácil, e muitas vezes essencial, "fazer o jogo" de algum grupo, porque os grupos detêm algum tipo de poder, do qual não hesitam em abusar. Esta inescrupulosidade é um produto do próprio mecanismo de ascensão ao poder, que implica em renegar eventuais valores pessoais, e "dizer o que se espera que seja ouvido", como nas campanhas eleitorais, configurando-se assim um perverso círculo vicioso, no qual o independente é uma ameaça, pois "se você não é parte da solução, é parte do problema". Dessa forma desaparecem algumas liberdades essenciais ao regime democrático.
É natural e importante indagar qual o motivo da generalidade do comportamento corporativista e oportunista no Brasil. Acredito que se trata de um efeito compensatório do "complexo de Terceiro Mundo". A primeira conseqüência é uma completa incapacidade de aceitar críticas. Essa última dificuldade existe em todos os países, mas aqui atinge proporções monumentais. É comum, por exemplo, que a reação a um simples pedido, formulado com delicadeza, de baixar o volume de um rádio, seja dobrar o volume (na hora ou posteriormente)! A esperteza também se integrou a esse fenômeno, criando-se um falso mas oportuno conceito de "educação" ou "finura", caracterizado pela observação rigorosa do preceito de não reclamar, não "ser chato".
As conseqüências sociológicas do padrão de comportamento ditado pela esperteza e incapacidade de aceitação de crítica são profundas. De um lado, onde impera a esperteza predomina a desconfiança mútua. Pensamentos comuns são: "será que ele está sendo mais esperto que eu?" ou "qual é o jogo dele?". Até mesmo atitudes "normais" de ajuda, por exemplo, a necessitados e indefesos, são reprimidas, já que a contrapartida natural, a gratidão, não é desejável: "dever favores" pode até mesmo suscitar ódio. Pode-se observar quão raro é ouvir um pedido de desculpas, ou até um "obrigado" que não seja puramente formal. Por outro lado, a má aceitação de uma crítica, por mais construtiva, afeta não somente o profissionalismo, quando a crítica se refere à área de atuação profissional, mas, de forma geral, cria inevitáveis agressões.

O apogeu desse desenvolvimento já pode ser observado na prática. A sociedade perde a capacidade de vivenciar relacionamentos humanos sinceros e por isso estáveis. Em vez disso predomina o comportamento velado e hipócrita, cujo ponto culminante ocorre quando um indivíduo, no ensejo de demonstrar engajamento ou participação, afeta emoções que não possui: é gerada uma verdadeira teatralização dos sentimentos. Essa síndrome tem alto preço: o indivíduo se isola emocionalmente e procura, consciente ou inconscientemente, compensações, como o prazer com a desgraça alheia. Como fenômeno individual, ele foi brilhantemente tratado por Machado de Assis em seu conto "A Causa Secreta", mas aqui refiro-me a um comportamento coletivo. Um exemplo deste último é o trote violento, que resultou recentemente na morte de um calouro da Faculdade de Medicina da USP.
O estímulo à atitude espontânea — em contraposição ao falso e hipócrita — é a terapia aos males da sociedade compensatória de consumo advogada por Erich Fromm no seu grande livro O Medo à Liberdade. Não podemos permitir que a liberdade que está em cada um de nós seja continuamente tolhida e reprimida, pois, dessa forma, não é possível o nosso crescimento espiritual. O repúdio ao agressivo e violento jogo de interesses como regra de comportamento — e a conseqüente valorização gradual pela sociedade de manifestações espontâneas e independentes — é o único fator que tornará o Brasil um país sério, permitindo o amadurecimento da sociedade.
Walter F. Wreszinski é professor titular do Departamento de Física Matemática do Instituto de Física da USP

nigo
17/10/2006, 10:50
O país não é sério, diz lula
Por a pizza 10/08/2005 às 19:46

mínimo que se pode esperar de um presidente da República é que ele não fale ...

Lula acha que o Brasil não é sério

O mínimo que se pode esperar de um presidente da República é que ele não fale mal de seu país quando for ao exterior em viagem oficial. Mas pelo visto nem isso mais se pode esperar do presidente Lula. Desta vez, ele gastou seu avião francês de U$ 56 milhões para ir a Paris e lá, numa entrevista que parece peça de propaganda num governo atolado até o primeiro-pescoço no excesso de promiscuidade com publicitários, anunciar que seu partido só se meteu neste escândalo sem fundo por fazer "o que é feito no Brasil sistematicamente".

É, até onde a vista alcança, a primeira vez que um estadista latino-americano vai à Europa para pedir que o mundo o reconheça como representante de uma república da banana. Foi nisso que deu tratar Lula nesta crise como se ele fosse incapaz de responder pelos atos de sua administração. O zelo por sua inimputabilidade convenceu-o aparentemente de que todo mundo tem culpa no Brasil, menos ele, que como se sabe nunca sabe de nada. É a fórmula perfeita para desmoralizar o país inteiro, deixando tão intato quanto possível o líder populista embalsamado em pesquisas de opinião pública.

Se isso não é receita de confusão, o coronel Hogo Chávez deve ser um democrata escandinavo. O pior é que esse pacto de minoridade legal com o presidente não foi devidamente combinado com o eleitorado enquanto era tempo. Ao contrário, na campanha de 2002, era feio - senão proibido - chamar Lula de despreparado para o cargo. A impressão se baseava em sérios indícios biográficos. Ele nunca mostrara aptidão para o exercício regular de qualquer cargo administrativo. Passara de fininho por um mandato de deputado federal. E exercera durante mais de uma década uma sinecura partidária, em que seu único trabalho visível era concorrer à presidência de quatro em quatro anos. Mas achar que isso fosse o currículo de um despreparado soava três anos atrás como preconceito.

No dia em que o candidato José Serra ousou exibir seus diplomas na TV, o PT veio abaixo. Lula mereceu desagravos em horário gratuito, como se falar em diploma alheio o melindrasse abaixo da cintura. Com esse tipo de censura, típico de uma era em que o PT monopolizava o espetáculo da ética na política brasileira, convenceram-se os brasileiros a comprá-lo no escuro, pagando para ver depois. Se hoje eles estão pagando mais do que esperavam, e pagando no mercado político paralelo, é também resultado de uma campanha eleitoral que prometeu aos brasileiros o dia em que todos iríamos viver num anúncio de Duda Mendonça. Isso é chato, mas tem remédio. Toma-se uma campanha eleitoral depois da outra. E cada vez que vai à urna o voto volta mais tarimbado.

Num palanque, mentiras acontecem. Elas não deixam por isso de ser graves atentados ao principal direito do eleitor nessas ocasiões, que é se informar sobre quem lhe pede o voto. Pois o eleitor, embora não pareça, é o sujeito da campanha. Os políticos, que fazem as leis eleitorais à sua imagem e semelhança, não passam de predicados. É por isso que, quando concorrem a uma eleição, eles se intitulam candidatos. A palavra vem da mesma raiz latina que deu "candura" e outro derivados da mais alva sinceridade até na língua inglesa. Refere-se à veste branca que cobre quem nada tem a esconder, como as noivas e os velhos postulantes ao senado romano. Lula, fantasiado pela maquilagem publicitária de uma propaganda feita sob medida para escondê-lo, foi tudo em 2002. Menos um candidato propriamente dito.

Mas no exercício do mandato esses truques eleitorais viram malversação de verba publicitária. Aí, como disse o próprio Lula na tal entrevista falsificada, "trabalhar com a verdade é muito melhor". Segundo o presidente, "a desgraça da mentira é que você, ao contar a primeira, passa a vida inteira para justificar a mentira que você contou". Pois é, presidente. Nem era preciso ir tão longe. Bastaria mencionar o risco de passar o resto do governo se desdizendo. Porque, se alguma coisa ficou clara no descalabro de seu governo, é que Lula tem mentido. Mentira é, por exemplo, ir a Paris defender a versão de Marcos Valério e Delúbio Soares, que promove a crime eleitoral a máquina de propinas intalada pelo PT na vida pública brasileira. Ouvindo Marcos Valério e Delúbio Soares contar a mesma história, a CPI do Mensalão entendeu que os cúmplices se acertaram.

E quando Lula a repete, deve entender o quê? Já foi duro ouvir calado até agora aquela conversa mole sobre toda a infinidade de assuntos do governo que o presidente não sabe, não soube ou não não está nem aí para saber. Ele não soube sequer que a Telemar, ao investir R$ 5 milhões em seu filho Fábio Luiz Lula da Silva, não estava apostando em joguinhos eletrônicos da Gamecorp, mas na realidade virtual dos negócios que se resolvem no foro íntimo da cupinchada. Lula pode até ter o direito de não saber o que quiser, mesmo aquilo que um presidente tem a obrigação de saber. Mas, no caso da Gamecorp, ele se desmentiu. Dias antes, Lula havia afirmado num discurso que, a seu ver, corrupção só é corrupção quando enriquece alguém indevidamente.

Mudou de idéia. Muder de idéia em sido uma das marcas nessa crise desse presidente que exerce com desenvltura crescente as prerrogativas do despreparo técnico para a função que disputou por quatro eleições seguidas. Transformar o despreparo no maior trunfo de um presidente que não quis ouvir esse adjetivo durante a campanha funcionou até agora, mas também tem seus limites. Lula não pode posar como quem não sabe de nada num dia e, no outro, resolver explicar tudo, como se ele, sozinho, soubesse tudo o que está acontecendo. Nesse ponto, acaba o despreparado e começa o mentiroso. Antes ou depois da entrevista ele estva escondendo o que sabia. Quando? E Lula não pode mentir porque, mentindo, só deixa uma saída para a crise. Para cima.




Panorama Econômico
Sem explicação

A entrevista do presidente Lula em Paris é desrespeitosa à imprensa brasileira, pela forma como foi feita, e insultuosa ao país, pelo conteúdo do que disse. Em todo o seu mandato, Lula tem tratado os jornalistas com desprezo. Aceita apenas os longos monólogos, nunca o rigor de uma entrevista séria, com livre direito do contraditório. Mas pior o conteúdo que a forma. Ele foi a Paris, vejam só o local, dizer que o Brasil não é um país sério.
Na entrevista que ele concedeu na França, não era possível disfarçar o amadorismo da repórter que, numa pergunta, dirigiu-se ao presidente com o impróprio pronome “você” para, na pergunta seguinte, exagerar com o “vossa excelência”. Jornalistas não usam nenhum dos dois tratamentos, apenas o cerimonioso “senhor”, que distancia e não bajula. Mesmo diante de perguntas lamentáveis a facilitar seu trabalho, o presidente Lula disse impropriedades.


Atribui-se a Charles de Gaulle a infeliz frase de que “O Brasil não é um país sério”. Talvez o líder francês tenha dito, talvez não, mas o país se ofendeu da mesma forma. E tem tentado seriamente, nas últimas duas décadas, livrar-se desse estigma.

Pois bem, Lula saiu daqui, voou no seu avião de 56 milhões de dólares, para, de lá, mandar dizer que o que o PT fez foi exatamente o que todo mundo faz no Brasil. Qual a diferença entre essa frase e a dita por PC Farias numa outra CPI? Naquela época, querendo dizer que todos os políticos tinham os mesmos padrões morais que ele, PC disse: “Estamos todos sendo hipócritas aqui.” Aquela frase não ofendeu ninguém. PC Farias era um pária na política brasileira, chegara não se sabe de onde, a bordo do fenômeno da falsa promessa de caçar marajás. Completamente diferente é ver o mesmo conformismo com o desvio sendo demonstrado por um presidente da República: “O que o PT fez do ponto de vista eleitoral é o que é feito no Brasil sistematicamente”, disse Lula na entrevista.

O que é sistematicamente feito no Brasil? Pegar empréstimos com o aval do fornecedor do governo, que pega outro empréstimo e dá como garantia o contrato com o governo e diz que é para o partido do governo? Essa promiscuidade é normal? Montar numa sala dentro do Palácio uma central de distribuição de cargos sob o comando de pessoas sem cargos na máquina pública? O que é feito sistematicamente? Ocupar a máquina com os quadros partidários, transformar cargos públicos em centrais de arrecadação? O presidente da República acha normal o caixa dois?

A TV Globo esclareceu que não teve interferências nas perguntas, apenas comprou o direito de transmiti-la. Ao pôr no ar a entrevista, ajudou a revelar duas coisas: a estranha avaliação do presidente da República sobre o que se faz no Brasil “sistematicamente” e a relação que ele quer ter com os veículos da imprensa nacional, a quem recusa sistematicamente conceder entrevistas. Fica-se sabendo, graças à divulgação da entrevista, que Lula prefere assim, perguntas do tipo alavanca, que o ajudem, como aquela: “Há males que vêm para bem?” E, desta forma, ele pode dizer que “doa a quem doer”, o “o governo vai ser implacável com a corrupção”. Sem que nada socorresse o jornalismo nesse diálogo de faz-de-conta. “Onde o pai Lula errou?”, perguntou a repórter, referindo-se ao “filho” PT. Foi quando Lula mostrou o que pensa.

A estratégia do presidente foi acusar o PT. O governo dele apura como nunca se apurou, já prendeu, de verdade, mais de mil pessoas, garantiu. O PT tinha os melhores quadros do Brasil, eles foram para o governo dele e aí o partido cometeu erros e agora tem que explicar ao país os erros que cometeu, afirmou o presidente.

Se o problema foi só do partido, por que tantos foram demitidos dentro do governo Lula, a começar pelo chefe da Casa Civil, um dos dirigentes do qual ele desfalcou o PT? Nada se segura nesta tese de tentar jogar sobre o partido toda a culpa da grande confusão que houve, exatamente pelo erro de se misturar partido e governo.

Tanto que mais adiante — à pergunta: “Vossa Excelência sente mais peso hoje do que quando foi eleito presidente da República?” — Lula disse que agora deveria ser a hora de colher o bom momento econômico. “Não estava previsto acontecer era nenhum erro político, nenhuma crise mais forte, mas aconteceu.” Ora, se a crise é só do PT que decidiu fazer o que se faz sistematicamente no Brasil, não deveria haver risco algum. Mas Lula vê risco de o país perder uma chance. “O Brasil é mais respeitado hoje no mundo.” O mundo, felizmente, sempre separou o Brasil de seu governo, tanto que, em plena crise Collor, o país viu desembarcar no Rio dirigentes do mundo inteiro para discutir o destino do planeta na Rio 92.

A assessoria de imprensa do presidente Lula quis garantir a ele um ambiente confortável, livre das incômodas perguntas diretas ao ponto, livre do risco de uma segunda pergunta mostrando a inconsistência do seu pensamento. Fracassou porque não conseguiu defendê-lo de si mesmo. Lula contou ao país que o PT, que chegou ao poder garantindo que seria diferente, fez o que “sistematicamente” se faz. Lula encerrou a entrevista falando sobre 2006: “O Brasil está no caminho certo e não tem por que mudar de rota.” Não, o país está num descaminho, vivendo a pior crise da sua história recente, sem que o presidente da República explique ao país como vai superá-la.


Miriam Leitão


http://brasil.indymedia.org/img/maillink.gif paneco@oglobo.com.br

nigo
17/10/2006, 10:54
EUA não são um país sério...
http://www.novomilenio.inf.br/imagens/colorbar.gif
"Faça o que eu digo, não faça o que eu faço"... Que o presidente Bush júnior não é significativamente dotado de quociente de inteligência, nem é preciso comentar, a história corre o mundo inclusive via Internet, ajudada por uma série de gafes diplomáticas e atitudes políticas irracionais. Que o Bush não representa a média do pensamento da população estadunidense, fica mais claro ainda com atitudes que só beneficiam uns poucos capitalistas e políticos daquele país e são reprovadas até mesmo pelos próprios governados.
http://www.novomilenio.inf.br/humor/0205f002b.jpg http://www.novomilenio.inf.br/humor/0205f002c.jpg Cada vez mais, os Estados Unidos fazem exatamente o contrário do que pregam como ideal para o mundo. Não é exatamente uma novidade: por exemplo, os EUA defenderam a liberdade dos mares e da navegação até mesmo ao longo do litoral (a chamada navegação de cabotagem), mas nas últimas décadas a construção naval e os armadores dos EUA foram beneficiados pelo impedimento da entrada de empresas estrangeiras nesse negócio; pelos subsídios governamentais aos navios, sob pretexto de que cada navio subsidiado segue algumas características construtivas que permitem, em caso de guerra, transformá-lo rapidamente em belonave. E a dragagem é feita pelo Exército, representando mais uma forma de subsídio (no Brasil, é atividade da iniciativa privada, incluída no custo do frete marítimo). Obedecendo à diretriz EUA-exterior, o Brasil desregulamentou a navegação de longo curso e até a de cabotagem, sem qualquer contrapartida, e praticamente acabou por tabela com a navegação mercante sob bandeira brasileira - elevando bastante a dívida externa com o pagamento de fretes marítimos (aos EUA!). Em conseqüência direta, o Brasil praticamente acabou em menos de dez anos (década de 1980) com sua indústria de construção naval, que já foi a oitava maior do mundo.
Mais ou menos na mesma época, a exportação brasileira de frangos e ovos para os países árabes foi prejudicada pelo subsídio norte-americano aos insumos usados como ração, num autêntico processo de dumping (subpreço praticado com o objetivo de alijar a concorrência do mercado) - prática aliás internacionalmente condenada, sendo os estadunidenses os primeiros a apontar o dedo contra o país que se atrever a fazer isso com eles.
No caso da energia elétrica, em meio ao apagão político e econômico do governo Fernando Henrique Cardoso, ficou mais uma vez claro esse paradoxo entre o dito e o feito: querem os EUA que o Brasil entregue à iniciativa privada a geração da energia (e as hidrelétricas), que nos EUA está sob controle do Exército...
Outros países, como alguns da Comunidade Européia, defendem as barreiras aduaneiras e os subsídios, mas pelo menos não ficam se proclamando campeões das liberdades políticas e econômicas. O Japão também é campeão do fechamento econômico, apenas faz diferente do Brasil (aqui, apregoamos cada norma de subsídio ou sobretaxa; os japoneses têm um sistema de barreiras não escritas que impede a produção de provas específicas, embora seja fácil verificar quantas empresas estrangeiras atuam na ilha nipônica e em que setores).
http://www.novomilenio.inf.br/humor/0205f002h.jpg http://www.novomilenio.inf.br/humor/0205f002j.jpg http://www.novomilenio.inf.br/humor/0205f002l.jpg http://www.novomilenio.inf.br/humor/0205f002m.jpg Então, a briga é com os EUA, que não fazem o que tanto apregoam. Como no caso do aço, em que a pretexto de defender a incompetente indústria siderúrgica estadunidense, o governo Bush cria sobretaxas para encarecer o aço importado - prática que apenas beneficia alguns industriais, adia um pouco mais o fim dessas empresas (já que elas não aproveitaram todos os benefícios federais que tiveram para se reestruturar e modernizar) e prejudica os parceiros comerciais. Mas não eram os EUA que diziam ser prática condenável criar barreiras ao livre comércio??? E nem esfriou a polêmica do aço, o governo Bush aprova a Farm Bill, uma lei agrícola que reserva US$ 180 bilhões para subsídios aos agricultores durante os próximos dez anos. Dinheiro com endereço certo, segundo seus críticos: um grupo de grandes empresários e deputados. Como citou em entrevista ao telejornal Bom Dia Brasil (Rede Globo de Televisão, 14/5/2002, 7h42) o fazendeiro Luiz Suplicy Haffers (na verdade, uma das lideranças patronais no setor), adiantando que já estão sendo feitos contatos nos EUA para mostrar aos estadunidenses que pagarão mais (via impostos) por produtos de menor qualidade, beneficiando não o pequeno agricultor local e sim alguns oligopólios e grandes corporações, e indiretamente prejudicando nações que dependem mais da agricultura para equilibrar sua balança comercial. O Brasil lembrará que a decisão do Farm Bill foi condenada como maracutaia até mesmo pelos principais jornais norte-americanos, como Washington Post, New York Times e Wall Street Journal.
Curiosamente, nesse momento é que o governo Bush vem dizer que a agricultura é a principal indústria dos Estados Unidos. Quem (a não ser um texano) diria isso de um país conhecido pela tecnologia de ponta, pelas indústrias automobilística, bélica e farmacêutica, para não citar outras. Talvez seja momento propício para mandar tal presidente plantar batatas... Bem, é mais ou menos isso que o ministro brasileiro da Agricultura, Pratini de Moraes, pretende fazer junto com a Austrália e muitos outros países, no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), ao contestar tais subsídios.
Interessante que os estadunidenses se preocupam muito com ecologia, defesa dos recursos naturais, efeito estufa etc. Mas ignoram o que foi definido na conferência mundial sobre ecologia realizada anos atrás no Rio de Janeiro, e o presidente Bush rasgou o acordo de Quioto sobre proibição de clorofluorcarbonetos (gás CFC, um dos causadores do efeito estufa no planeta pela destruição da camada atmosférica de ozônio) a pretexto da incapacidade da indústria dos EUA se adaptar a tais normas. O mesmo país que acabou com suas florestas, quase extinguiu as manadas de búfalos e as tribos indígenas agora usa a desculpa da experiência adquirida para promover a ingerência política na gestão dos recursos ambientais de outros países... Mais uma vez, faça o que digo, não faça o que faço...
Terrorismo - A propósito, se Cuba produz vacinas, é acusada pelo governo Bush de colaborar com o terrorismo internacional, produzindo armas químicas (e o ex-presidente dos EUA, Jimnmy Carter, está justamente fazendo uma viagem à ilha, onde poderá verificar in loco as tais fábricas). No caso das cartas com antraz postadas nos EUA com destino tanto a endereços internos como externos, os EUA tentam disfarçar mas é cada vez mais evidente que o antraz foi produzido em sofisticadas instalações dos próprios Estados Unidos, burlando o ineficaz controle estatal - que não consegue informar ao presidente sequer o número de instalações com tal capacidade existentes em seu território. Mas, consegue identificar por foto de satélite um laboratório químico terrorista - assim foi dito - no interior do Afeganistão ou do Iraque.
Não seria o caso de a comunidade internacional, preocupada com o avanço do terrorismo de origem estadunidense, promover uma inspeção em regra nas instalações químicas dos EUA, comprovadamente facilitadoras do acesso às armas biológicas pelos terroristas? Até mesmo bombardear tais instalações, como querem os EUA fazer com outros países a pretexto de combater o terrorismo, já que o governo estadunidense se mostra incompetente para fiscalizar tais instalações em seu próprio território? Ah, caiu a máscara...
Nesse capítulo, mais uma besteira dos EUA: forçar o afastamento em 4/2002 do embaixador brasileiro (ingerência na política de outro país, que os EUA condenam...) José Maurício Bustani do cargo de diretor geral da Organização para a Proibição das Armas Químicas, por não aceitar uma manobra dos EUA de incluir pesoal do serviço secreto estadunidense na inspeção de instalações químicas iraqueanas. E o presidente Fernando Henrique Cardoso imediatamente se curvou à pressão - o que não é de surpreender: depois de tantas outras do mesmo naipe, já está acostumado a se ajoelhar, mesmo sendo ateu confesso...
http://www.novomilenio.inf.br/humor/0205f002d.jpg http://www.novomilenio.inf.br/humor/0205f002e.jpg http://www.novomilenio.inf.br/humor/0205f002f.jpg http://www.novomilenio.inf.br/humor/0205f002g.jpg Assim, mesmo sob o risco de ser apontado como terrorista por mostrar a incoerência das atitudes do governo estadunidense, inscrevo esta coleção de histórias com desfecho semelhante, como mais uma candidata a Besteira do Ano, neste Festival de Besteiras que Assola a Internet (Febeanet (http://www.novomilenio.inf.br/humor/febeanet.htm)). Apesar de que, quando vale mais o direito da força que a força do direito, não há muita esperança de que a simples argumentação lógica acima tenha qualquer influência nas posições dos EUA, fica a espectativa de que pelo menos a diplomacia brasileira acorde para a realidade e não se deixe levar pelo canto de sereia das falácias de Bush... & Cia. ...

Carlos Pimentel Mendes (pimentel@pimentel.jor.br?Subject=Febeanet) P.S.: o título "EUA não são um país sério" faz referência a uma lendária afirmação do presidente francês Charles de Gaulle sobre o Brasil. Bem, a França subsidia sua agricultura. Os EUA também. Todos dizem que não é sério um país que faz isso. ...Então?

Darkness
17/10/2006, 16:58
Alguem leu mais de 3 linha disso???

:lol: