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Ver Versão Completa : Com alto preço do petróleo, Hugo Chávez não cala a boca



Phack
21/11/2007, 06:41
Achei muito bom. A quem interessar:

NOVA YORK- O rei da Espanha, Juan Carlos, tentou mas, é claro, não conseguiu calar a boca da matraca bolivariana Hugo Chávez. A Venezuela tem muito petróleo e seu presidente pode jorrar insultos e ameaças para quem quiser (ou não) ouvir. Na reunião da Opep em Riad, no fim-de-semana, Chávez advertiu que o preço do barril vai a 200 dólares se os americanos invadirem o Irã do seu aliado Mahmoud Ahmadinejad ou se ameaçarem sua Venezuela. Quanto mais o preço subir, mais Chávez irá falar.

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Na reunião de cúpula Ibero-Americana, em Santiago, o rei Juan Carlos pode ter agido com "nostalgia imperial" em relação a uma de suas ex-colônias, como foi escrito no jornal espanhol "El País", mas mesmo assim ele prestou um bom serviço. Foi porta-voz de muita gente com o agora clássico "por qué no te callas?", pronunciado com exasperação quando o boquirroto Chávez interrompia o discurso do primeiro-ministro espanhol José Luiz Rodriguez Zapatero, para se referir ao antecessor José Maria Aznar como "fascista" por ter apoiado a tentativa de golpe antichavista na Venezuela em 2002 por. O socialista Zapatero, que já fez muita média com Chávez, obviamente saiu em defesa do seu rival Aznar, exigindo respeito e lembrando que ele fora eleito democraticamente pelo povo espanhol.

Chávez agora faz o que pode para manter a polêmica acesa, especialmente para alimentar uma causa nacionalista quando os venezuelanos se preparam para votar no referendo de 2 de dezembro sobre a reforma constitucional. Se o mandato presidencial for estendido indefinidamente, seremos forçados a escutar por bom tempo alguém que, de acordo com a revista "The Economist", foi acometido de "diarréia verbal crônica". Chávez exige desculpas do rei Juan Carlos e investe com vigor contra o "imperialismo espanhol", um complemento para a cansativa retórica antiamericana. Aliás, de acordo com a pesquisa da última sexta do instituto Latinobarómetro, de Santiago, Chávez consegue ser tão impopular na América Latina como George W. Bush.

A televisão estatal venezuelana mostrou imagens do rei Juan Carlos ao lado de Francisco Franco nos anos 70 e o descreveu como lacaio do ditador (este sim era fascista e não o conservador Aznar). A mídia oficialesca de Caracas, porém, não mencionou o hábil papel do monarca na transição para a democracia na Espanha. Está aí uma diferença entre Juan Carlos e Chávez. O jovem rei foi preparado para continuar a ditadura franquista, mas contribuiu para levar a Espanha para a democracia. Chávez foi eleito democraticamente, mas está levando a Venezuela para a ditadura.

Existe a controvérsia sobre a "reconquista" da América Latina por conglomerados econômicos espanhóis (os investimentos, por sinal, estão em baixa desde o pico de 1999). Seguramente, o rei Juan Carlos é o conquistador da Internet com suas cinco palavras exasperantes na reunião de Santiago. O "por qué no te callas"? é um grande sucesso no You Tube. Mas com o petróleo a 100 (ou 200) dólares, Hugo Chávez não entra pelo tubo. Fala, matraca bolivariana.

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