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Tópico: [AoD-IC] Triumph des Willens

  1. #11
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    Excelente narrativa e modo de escrita, parabéns!

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  2. #12
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    1 9 3 5 - Tag der Freiheit: Unsere Wehrmacht (O Dia da Liberdade: Nossas Forças Armadas)

    1 9 3 5 - Tag der Freiheit: Unsere Wehrmach(O Dia da Liberdade: Nossas Forças Armadas)

    Münster, Alemanha. 4 de junho.
    - Alvo a trezentos metros. Virar às dez horas! Fogo!
    Uma forte cadência de tiros de metralhadora rasgou uma parte do campo de manobras motorizadas, a partir do blindado "Friedrich", um Panzer I, na Área de Exercícios Militares Norte, em Münster. Apesar disso, o som dos disparos era quase insignificante quando visto em meio à formação de panzers que operavam naquele momento. Após cada sequência de disparos, a comunicação ao exercício. A fumaça acinzentava e marcava a paisagem tanto quanto o cheiro de óleo das engrenagens e a gasolina comburida.
    Duas brigadas blindadas inteiras estavam em Münster para as demonstrações operacionais do final da primavera. A viabilidade operacional de se agrupar forças mecanizadas em divisões próprias parecia cada vez mais evidente. Ao encontro disto, figurava o trabalho teórico de alguns expoentes do Exército, como Heinz Guderian, Erich von Manstein e Oswald Lutz. Todos eram adeptos e proponentes não apenas da organização do que eles chamavam de Divisões Panzer, como a necessidade de se prover veículos mais capazes que o Panzer I e o protótipo do Panzer II, um veículo dotado de canhão único, mas ainda inferior ao T-27 dos soviéticos. Os modelos III e IV eram ideias, todavia, ainda não se chegara a um consenso que mediasse a demanda por estes e a falta de capacidade de produzi-los em curto prazo.

    Esta situação da demanda versus a capacidade industrial se tornava cada vez mais delicada. Os grandes conglomerados industriais alemães ainda careciam de recursos estratégicos e principalmente de tempo hábil para a entrega dos projetos. O Führer tinha ciência disso e então orientou que a Frente Alemã para o Trabalho concentrasse esforços ainda mais eficazes na base industrial. Assim, viu que era chegada a hora de declarar à Alemanha e ao mundo sobre o que ocorria secretamente até então. Em um memorável discurso no mês de março, declarara o rearmamento geral das Forças Armadas.


    Naquele mesmo dia 4, largos destacamentos da VI Divisão de Infantaria chegariam a Área de Exercícios Sul, sob o comando do Major General Walter Kuntze. Esta grande unidade era a principal responsável pela região alemã do Alto Reno. A totalidade daquela tropa era formada por soldados e oficiais veteranos desde a época da formulação do Exército Imperial, em 1919. Assim, o treinamento era virtualmente desnecessário.

    O general Kuntze recebera ordens não sobre a melhoria da perícia de seu contingente de elite, mas para empregá-lo em campo, no treinamento básico das novas formações, recrutadas desde fevereiro. Durante todo o mês de junho, as unidades passariam por testes de combate junto aos veteranos da IV Divisão de Infantaria.

    As forças do Heer não só passavam pelo treino básico como participavam de exercícios em coordenação às manobras da própria Força Aérea, sediadas à partir dos aeródromos militares de Dortmund e Wilhelmshaven. Os campos militares de Münster eram apenas uns dos muitos que já operavam à plena capacidade. Outros tantos estavam sendo construídos rapidamente para sediar novas tropas.
    Após os testes, os oficiais recebiam o comando de suas unidades e os recrutas recebiam suas insígnias, prestando o seguinte juramento:

    "Faço, em nome de Deus, este sagrado juramento, que, ao Führer do Reich Alemão e do Povo, Adolf Hitler, Supremo Comandante das Forças Armadas, deverei obediência incondicional e que, como um bravo soldado, estarei preparado a todo momento para dar minha vida por este juramento".



    Londres, Reino Unido. 19 de junho.
    O Ministro dos Assuntos Externos da Alemanha, Konstantin von Neurath, embarcaria naquela tarde em um avião da Lufthansa, a principal empresa área do ramo civil na Alemanha, um modelo Junkers Ju 52. Com ele, estavam outros dois assessores que contribuíram na missão diplomática alemã, enviada semanas antes ao Reino Unido. O principal objetivo desta era a barganha que resultara em um tratado bilateral sem precedentes entre as partes: o Tratado Naval Anglo-Germânico. Aqueles homens carregavam os termos para a chancela final no Parlamento. Obviamente, o aceite deste acordo pelo Parlamento seria apenas uma formalidade, pois o Ministro, na condição de plenipotenciário, e com o aval do Führer, já havia dado a palavra final aos britânicos.
    Neurath estava orgulhoso de si próprio. Transformara habilmente uma situação não muito promissora em um intento bem sucedido.

    Tudo começara com a própria autoafirmação alemã de se rearmar, proclamada no início do ano. O pesado desarme imposto através do Tratado de Versalhes, em 1919, havia reduzido a Marinha de Guerra a alguns navios de superfície. Submarinos foram proibidos terminantemente. A despeito dos intensos debates ainda latentes sobre sua natureza como uma frota de superfície ou frota submarina, a Marinha tinha um papel fundamental na reedificação das Forças Armadas e seria erguida como uma frota de superfície com largo apoio de submarinos - uma Frota Combinada.

    O único grande problema para o intento era a atitude dos britânicos quanto ao que se procedia. O Führer sabia que, cedo ou tarde, os britânicos descobririam e isto poderia ocasionar uma grave situação. Contudo, ele sabia também que o Reino Unido poderia ser um importante parceiro militar estratégico. Desde o Mein Kampf ele preconizara que era possível estabelecer fortes relações com os ingleses desde que a Alemanha reconhecesse a natureza da geopolítica europeia: no continente, a supremacia alemã devia ser assegurada; no mar, é a supremacia inglesa que não podia ser contestada. Tudo devia se encaminhar para um equilíbrio de poder com fronteiras bem definidas. Os principais inimigos seriam sempre a França e a União Soviética, e não o Reino Unido.

    Para deixar os propósitos bem assentados, o Führer incumbira Von Neurath de levar uma proposta decisiva aos ingleses: mediante os pressupostos geopolíticos, requisitava-se o rompimento da cláusula naval de limitações à Marinha, em troca de um rearmamento controlado e a ser aceito por ambas as partes. Sugeria-se o aumento da tonelagem naval alemã à marca de 35% da tonelagem total da Royal Navy, em troca, a Alemanha reconhecia a supremacia naval inglesa e assumia o compromisso de equipar uma força naval de caráter defensivo. Von Neurath sabia que os ingleses poderiam enxergar o acordo como um abuso alemão. Então, atuou decisivamente para convencer os interlocutores do Governo de Sua Majestade que a proposta oferecida tinha vantagens evidentes. Por outro lado, deixou claro que o Führer estendera bondosamente sua mão aos ingleses e a recusa significaria em futuras complicações diplomáticas.

    Aos britânicos, a proposta era derradeira: com o inevitável rearmamento alemão, um crescimento controlado era mais viável e desejoso do que a ausência total de acordos e a necessidade de intervenção. Para além disso, mesmo com os intensos esforços industriais alemães, os ingleses duvidavam da capacidade germânica em alcançar a marca de 35% em menos de 7 a 8 anos. A própria personalidade impositiva do Ministro alemão, na condição de mediador, não inspirava a possibilidade de muita indecisão por parte dos britânicos. Ou aceitavam ou correriam riscos maiores.

    Assim, em 18 de junho, o Parlamento Britânico ratificou o acordo em considerável maioria.

    Com a bem sucedida missão, o Ministro alemão não apenas conseguira um acordo, mas conseguira um tratado naval de mútuo benefício e à revelia dos franceses, italianos ou americanos. O ganho diplomático garantira à Marinha tempo suficiente para um rearmamento seguro e longe da desconfiança britânica. Embarcou à Berlim com a certeza de obter grande prestígio junto ao Führer. Era um dos grandes nomes do Governo que era bem visto pela liderança do NSDAP, mesmo não sendo um membro filiado ao Partido.






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    Última edição por Biller; em 30/07/2015 às 14:55.
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  3. #13
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    1 9 3 6 - Winterübung (Exercício de Inverno)

    1 9 3 6 - Winterübung(Exercício de Inverno)

    Região de Arnsberg, Alemanha. 1º de Janeiro.
    Na madrugada do primeiro dia de janeiro, em pleno clima de festividades de Ano Novo, o Major General Walter Kuntze praticamente não dormira. É fato que comemorara a passagem de ano em uma comemoração com os oficiais da Divisão. Contudo, diferente de outros Oficiais Generais, não recebera a licença para aquela data. Nem ele e nem seus oficiais receberam. Naquele dia, levantara-se por volta das 4h da manhã, com o céu ainda escuro pela madrugada, antes da saraivada do despertar. Fazia sua barba em frente ao espelho enquanto seus pensamentos se ordenavam com grande seriedade. Sabia que algo estava porvir.

    Seu pressentimento se devia a duas diretivas recebidas. Uma em cada semana. Ambas confidenciais e advindas do próprio Estado-Maior do Exército. A primeira definia que Kuntze não deveria dispensar quaisquer licenças a seus oficiais subalternos e que, por hora, a dele próprio estava suspensa, por determinação direta do Führer e do Estado-Maior das Forças Armadas Alemãs. Já a segunda, recebida no dia 29 de dezembro, designava que a VI Divisão de Infantaria, aquartelada em Arnsberg, devia iniciar preparativos de mobilização de escala total e trazia em si um detalhamento uma manobra militar, o Exercício de Inverno - a Reocupação da Renânia. Envolvia a mobilização de uma única divisão, a sua divisão, e significava uma única coisa: o Führer tinha intenção de romper definitivamente o Versalhes.

    A Renânia, uma considerável região na margem oeste do Rio Reno cuja presença militar alemã fora terminantemente proibida, era um ponto importante dentro das prerrogativas de reaver a soberania alemã. Nesta conjuntura, a VI Divisão de Infantaria era mais do que uma sentinela sobre o Reno: era uma unidade apta a realizar uma ocupação rápida na Renânia. Kuntze sabia desta situação e a última diretiva recebida só poderia que a ação seria levada a cabo. O grande problema não era a tarefa em si, mas os possíveis desdobramentos. Sabia-se que além da Linha Maginot, calculava-se que os franceses detinham vinte ou mais divisões ao longo da área.

    A ocupação da Renânia poderia significar o advento de uma guerra. Apesar de ter treinado exaustivamente em manobras que simulavam o que teria de fazer, pensava na real conjuntura da missão. Os franceses sobrepujavam em muito as condições materiais alemãs bem como os números destes próprios. A unidade de Kuntze poderia ser a primeira a se engajar em um conflito de enormes proporções em uma situação não muito favorável, haja vista que a desmilitarização estava obviamente acompanhada da impossibilidade de se erigir fortificações. Seria um combate frontal contra um inimigo largamente superior e que teve mais de uma década para a situação.

    Apesar de tudo, o Major General estava relativamente calmo. Estava determinado em cumprir seu dever da forma que havia se preparado e fora instruído: na ocorrência do conflito, suas ordens eram resistir de forma obstinada e executar ações de retardamento do avanço inimigo. Combatera na Grande Guerra e encarara o pior nas trincheiras. Pressentia o perigo, mas não punha demasiada fé em encará-lo face a face ou em algum medo desmedido. Por volta das 4h20, enquanto já se aprontava em seu uniforme, seu assistente pessoal bateu na porta de seu quarto e adentrou. Este lhe trouxera suas botas, limpas e impecavelmente engraxadas, e documentos. O oficial fez algum comentário sobre as tarefas do dia e como este seria longo, enquanto dispunha os documentos sobre uma mesa.

    O telefone então começou a tocar. Kuntze pediu a seu assistente para que este atendesse. O assistente estranhou um telefonema tão cedo, mas prontamente atendeu. Quase que instantaneamente, o assistente repassou a ligação.

    - General, ligação do Estado-Maior do Exército. – Avisou o assistente, com os olhos um pouco arregalados, buscando avidamente repassar o telefone. Kuntze já sabia na hora do que se tratava. E atendeu.

    - Kuntze falando.

    - Von Fritsch. Walter, já deve imaginar o por quê estou ligando... - Werner von Fritsch, Chefe do Estado-Maior do Exército, apenas ligara para confirmar

    - Sim, eu sei...

    - Pois bem, serei breve... O Führer deu a ordem ontem a noite. O Ministro da Guerra [Werner von Blomberg] confirmou a pouco. Sua unidade deverá executar o Exercício de Inverno. Isso é tudo. Boa sorte.

    - Entendido.

    Após desligar o telefone, Kuntze pediu a seu assistente para que reunisse os oficiais do Comando da VI Divisão.

    A reunião seria rápida. Levou mais tempo para reunir o Comando do que para falar o que seria feito. A VI Divisão de Infantaria já havia treinado para aquela manobra. Não sabiam, entretanto, que seria executada naquele dia. Em menos de dez minutos, os oficiais foram dispensados a seus devidos batalhões. O café daquele dia foi servido às pressas. Os homens sequer ficaram nos refeitórios. Alojamentos eram esvaziados. Equipamentos carregados. Rifles alçados aos ombros. Às 6h30, os primeiros efetivos deixavam os quarteis de Arnsberg.


    Os batalhões de infantaria marcharam em colunas, lideradas por um regimento de cavalaria e formações motorizadas. A marcha devia ser rápida, fulminante, todavia discreta. Conforme os batalhões deixavam a região de Arnsberg, em direção à região do Médio Reno, Kuntze iniciou as manobras, que incluíam a dispersão completa de suas forças. Se por um lado, o ganho de terreno era substancial, por outro, a fraqueza era maximizada. Nada impediria que os franceses obliterassem unidades tão diminutas. O que aquele Major General não sabia era o que se procedia na esfera diplomática nacional.

    Enquanto as vanguardas da VI Divisão de Infantaria estavam a ponto de cruzar o Rio Reno, notas diplomáticas foi entregue às embaixadas francesa e britânica em Berlim. O Ministro das Relações Exteriores, Konstantin von Neurath, acusava os franceses de terem quebrado os Tratados de Locardo, que garantiam o equilíbrio de poder ao terem feito um acordo em fins de 1935 com os soviéticos. A Alemanha estava ameaçada por duas potências militares, pelo menos, no plano teórico. Mas Neurath, hábil diplomata e político, extraiu o máximo de proveito da situação quando levou a cabo tal denúncia. Anunciou que um contingente militar fora despachado para reassegurar a soberania alemã na Renânia. Deixou claro que não havia alternativa ao curso dos fatos e que a força despachada era simbólica, mas capaz. De uma forma ou outra, levaria um certo tempo até que as notas fossem digeridas.

    Às 11h00 do dia 1º de janeiro, uma parte da VI Divisão, cerca de dezenove batalhões, atravessou o Rio Reno em diversas localidades. A população ovacionava a travessia dos soldados ainda nas pontes. O dia estava límpido e, mesmo no Inverno, a neve pode ser removida facilmente dos acessos.


    A partir dali, o avanço em profundidade foi de sobremodo rápido. Os batalhões adentravam as grandes cidades alemãs do Oeste ao som de toques marciais e sob contínua celebração dos civis que saudavam o retorno do Exército.

    Até o fim da tarde, destacamentos foram enviados até a fronteira com a França. A reocupação da Renânia fora efetiva, mesmo que de forma simbólica. Entretanto, a resposta francesa era aguardada com um misto de ansiedade e temor. O Major General Walter Kuntze instalou seu posto de comando em Kaiserslautern, a cerca de cinquenta quilômetros da fronteira com a França. Pela noite, recebeu relatórios detalhados sobre mensagens interceptadas pela Inteligência. Apontava-se que as tropas francesas estacionadas na Linha Maginot estavam virtualmente prontas para o ataque. O restante das forças francesas estavam se preparando para uma mobilização geral, que teria início dentro das próximas 24h. Os relatórios pediam que Kuntze se preparasse para a iminência do ataque.

    Em Berlim, a situação era ainda complicada. O Alto Comando das Forças Armadas estava dividido quanto a manter tropas na Renânia e do envio de mais divisões para lá. Com boa parte dos oficiais intermediários e superiores em licença de Ano Novo, seria quase impossível reorganizar o Exército para uma defesa em menos do que 72 horas. Acreditava-se que, ao fim da mobilização total das Forças Armadas, os franceses já teriam ocupado totalmente a Renânia e atravessado o Reno. Nenhuma estimativa era promissora. Temia-se ainda que os soviéticos cooptariam os poloneses para uma segunda frente. Werner von Blomberg, o Ministro da Guerra tentara convencer o Führer ainda na madrugada do dia 2 para que a VI Divisão de Infantaria abandonasse a Renânia e um canal diplomático fosse aberto diretamente com os franceses.

    Von Neurath, por outro lado, era o mais confiante quanto à inação dos franceses. Através de sua rede de contatos, sabia que os franceses não estavam tão predispostos a iniciar uma guerra, mesmo com a violação de Locarno e de Versalhes. Sua notificação sobre a ação alemã, garantia aos franceses que o contingente na Renânia era minoritário. Assim, assegurara a Hitler que a Alemanha deveria esperar os franceses agirem, mas que não acreditava que isso ocorreria. O Führer, por sua vez, preferiu acreditar em Neurath e perguntou a Blomberg se havia informações reais de que as tropas franceses haviam iniciado uma mobilização geral ou mesmo iniciado procedimentos para atravessar a fronteira. Recebendo a negativa, Hitler preferiu aguardar o desenrolar dos fatos.

    Durante todo o dia 2, as tropas da VI Divisão se prepararam como puderam. Mesmo sob o frio do Inverno e a fina neve que caía, cavaram linhas de trincheiras, instalaram redes de minas e linhas de comunicação. Nem o ataque e nem a mobilização francesas viriam. Von Neurath havia coordenado um movimento perigoso. Uma aposta arriscada. Mas, no decorrer dos acontecimentos, seu cálculo fora eficiente e o Exercício de Inverno obtivera o êxito completo.
    Kuntze poderia respirar aliviado. Suas tropas não se engajariam em combate. A Alemanha se fortalecia mais uma vez.


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  4. #14
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  5. #15
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    1 9 3 7 - Für das deutsche Vaterland! (Pela Pátria Alemã!)

    1 9 3 7 - Für das deutsche Vaterland!(Pela Pátria Alemã!)

    Departamento do Alto Comando da Marinha. Berlim, Alemanha. 5 de Abril.
    No início da tarde daquela segunda-feira, a movimentação era mais intensa que a de costume. Oficiais de patentes diversas circulavam em um ritmo frenético a fim de organizarem os relatórios e memorandos. Telefones tocavam quase ininterruptamente. A central de comunicações estava sobrecarregada com inúmeras chamadas e uma inundações de mensagens para serem decodificadas. Tal situação significava uma coisa: o Comandante-em-Chefe da Marinha havia organizado uma reunião. E de fato havia mesmo. Às 15 horas, o Almirante-General Erich Raeder se reuniria com os principais comandantes da Marinha.

    Enquanto a hora não chegara, muitos relatórios eram revisados e lidos com a mais profunda atenção, principalmente pelos não-integrantes do Almirantado. O Contra-Almirante Wilhelm Marschall, chefe de operações da Marinha, por sua vez, estava tranquilo. Trabalhando naquelas instalações, não teve que se deslocar tal qual outros. Pode se dar ao luxo de fumar um cigarro em seu próprio gabinete enquanto aguardava o horário determinado. Outros oficiais comandantes, por exemplo, tiveram que vir das bases navais como Wilhelmshaven, no Mar do Norte, como o Vice-Almirante Alfred Saalwächter, e Königsberg, no Báltico, como o Vice-Almirante Conrad Albrecht. Havia certa ansiedade em todos aqueles homens. No dia primeiro de abril, uma nova seção fora criada dentro daquele Departamento: o Comando Naval de Guerra. A criação desta gerou uma comoção nos circuitos da Marinha, pois se especulava o advento da própria guerra.

    Àquela altura, a chefia do Departamento e do Comando estavam nas mãos do Almirante Günther Guse. Contudo, esperava-se que tais organizações fossem separadas em breve e o encontro marcado poderia servir para que Erich Raeder escolhesse um novo nome para um destes postos. Assim, fortes interesses tensionavam nas mentes daqueles altos oficiais da Marinha de Guerra. Conforme o horário marcado se aproximava, a sala de conferências começou a ser preparada. Pouco tempo depois, esses começaram a ser avisados para já se dirigirem à sala. Esta seria a primeira vez desde a Grande Gurra que uma reunião deste porte ocorreria.

    Às 15h, a sala começou a ser ocupada. Cada homem ali visualizou um lugar em volta da mesa semicircular no centro do ambiente, para depositar seus documentos pessoais e se acomodar. O lugar do Almirante-General, por sua vez, era destacado no lado oposto ao semicírculo, frente a todos. Reuniram-se três Almirantes, quatro Vice-Almirantes e quase dez Contra-Almirantes. Todos eram carreiristas na Marinha de Guerra. Todos haviam lutado na Grande Guerra e haviam assistido o desmantelamento de suas unidades navais, no fim desta, por imposição dos Aliados. Eram veteranos que se orgulhavam de suas condecorações, e viam na ascensão do Partido Nacional-Socialista a possibilidade de planejar e executar a desforra. Sabiam, no entanto, que um longo caminho deveria ser trilhado antes de que surgissem condições de se enfrentar os britânicos ou os franceses em condições paritárias.

    Mesmo o maior dos esforços da indústria naval, que permitira o lançamento de três grandes belonaves capitais - o KMS Admiral Hipper, o KMS Prinz Eugen e o KMS Lützow - na última sexta feira, dia 2, ainda não permitia uma significativa alteração no balanço de dominação naval.


    Apesar disso, a pompa e grandiosidade envolvida no evento atraíra muita atenção de franceses, britânicos e mesmo dos bolcheviques. Juntos, os três cruzadores pesados correspondiam a mais de cinquenta mil toneladas. E, à altura dos acontecimentos, maior tonelagem correspondia a uma diplomacia de maior peso. Os russos compreenderam que a Marinha de Guerra Alemã já sobrepujava sua Frota do Báltico, em poder de fogo e capacidade teórica de operação. Os franceses, por sua vez, ainda estavam ressentidos com o tratado naval entre os britânicos e os alemães, e se sentiam traídos. Os britânicos já esperavam algo daquela conjuntura, mas não deixaram de se surpreender com a façanha.


    Lançamento do KMS Admiral Hipper, o primeiro de sua classe de cruzadores pesados, no Porto de Hamburgo. Construído pela Blohm und Voss, seria acompanhado por dois outros: o KMS Prinz Eugen, pela Germaniawerft, de Kiel; e o KMS Lützow, pela Deschimag, de Bremen.

    Raeder teria discretamente sugerido ao Führer que não fizesse o triplo lançamento e mesmo que adiasse duas das entregas, pois temia os possíveis desdobramentos daquela ação. Hitler, entretanto, assegurou a seu Almirante-General de que tudo estava sob controle e que o povo alemão devia saber da capacidade bélica de sua Terra-Pátria. O que Erich Raeder não queria provocar, na verdade, era um certo "ciúmes" por parte de Hermann Göring, pois este, na condição de Ministro da Economia e chefe da Luftwaffe, eventualmente poder limitar os recursos destinados à Marinha, uma vez que ela já recebera boa parte das entregas previstas até 1939 mediante o Plano Z - o plano de construção naval, dividido em duas etapas quadrienais, para uma Frota Combinada. Por outro lado, o Comandante-em-Chefe da Marinha de Guerra não poderia justamente reclamar por navios de guerra serem entregues antes do prazo.

    Por volta das 15h05, Erich Raeder adentrou o local da reunião. Aqueles que estavam em sentados prontamente se puseram em pé, prestando continência, conforme o modo tradicional. Seu superior retribuiu do mesmo modo. Aquele ato formal ainda significava uma coisa: os velhos modos ainda persistiam entre os veteranos. Não que evitassem a saudação nazi, haja vista que alguns haviam ingressado no Partido, mas simplesmente preferiam manter a Política à certa distância da Marinha. Raeder dispôs seu quepe em um dos suportes da parede e já iniciou seus informes.

    - Cavalheiros, agradeço a presença de todos aqui. Sei que alguns fizeram um considerável viagem para estar aqui. - Erich sorriu sinceramente a seus subordinados, enquanto organizava seus documentos em seu lado da mesa. - Todos vocês devem ter tido ciência do sucesso a respeito do lançamentos dos três cruzadores que recebemos. Estive com o Führer, na última sexta-feira, e ele demonstrou que confia em nossa capacidade de alçar a Marinha de Guerra à supremacia. Agora... Nossa realidade é esta: dois cruzadores de batalha da Classe Scharnhorst; três cruzadores da Classe Deutschland; três cruzadores da Classe Hipper, ainda não comissionados, devo ressaltar; cinco cruzadores leves; seis contratorpedeiros; quatro submarinos operacionais; um divisão inteira de transportes; sete fragatas de escolta e dois couraçados da Grande Guerra, usados para treino. Estes últimos podem ser reintegrados à Frota, segundo meu relatório... Está correto, Guse?

    - Está correto... - O Almirante Günther Guse estava ao lado direito de Erich e não hesitou em responder. - O Schleswig-Holstein e o Schlesien foram reformados para este fim, mas os técnicos previram que a execução de reparos no casco, a modernização de armas antiaéreas e a substituição de algumas caldeiras e equipamentos de navegação ainda os mantêm superiores aos couraçados russos no Báltico. Quando aos novos cruzadores, acredito que até o fim do ano poderemos pô-los em pleno funcionamento.

    - Pois bem, continuemos... - Prosseguiu Erich. - Semana passada o Comando Naval de Guerra foi criado. Sei que a maior parte dos senhores não foram informados com maiores detalhes a respeito disso. Ordenei a criação desta partição em virtude da Marinha ser o único braço das Forças Armadas que não tem um segmento operacional para a guerra. Como sabe, nossa intervenção na Espanha, durante o fim do ano passado, custou-nos uma posição insípida naquela ocasião. A despeito da incisiva atuação de Boehm - Raeder rapidamente estendeu seu braço em direção ao Vice-Almirante Hermann Boehm, presente na reunião - ficamos limitados a ação do cruzador Deutschland e alguns submarinos, sob o comando do Comodoro Dönitz. Viramos meros coadjuvantes no esforço expedicionário. Estivemos numa guerra, mas não fomos à frente. Então, isso deve mudar. Não submeteremos nossas operações de combate ao planejamento centralizado do Estado-Maior, mas, a partir de agora, entregaremos-lhe nosso próprio planejamento, apenas para a apreciação do Führer.

    O Almirante-General abriu um grande mapa do mar do Norte com diversas posições marcadas.


    - Passaremos a executar algumas manobras da frota em mar aberto. - Informou Raeder. - Chega de testes e manobras em nossas águas. Devemos mover enviar um dos nossos esquadrões de navios de linha para recobrar a cobertura dessas águas...

    - Almirante Raeder... - O Vice-Almirante Rolf Carls, Comandante da Frota de Linha, interrompeu a fala de Erich - É arriscado conduzir operações com tamanha proximidade dos ingleses. A "Home Fleet" estabeleceu cobertura quase exclusiva desde sua base em Scapa Flow até o norte da Holanda não apenas com couraçados e cruzadores, mas com escoltas menores e submarinos. Os franceses também têm executado exercícios conjuntos a leste da Baía de Heligoland. Nós devemos...

    - Carls, vamos com calma... - Irrompeu o Almirante Guse. - Não vamos expulsar os franceses e tampouco os ingleses. Só deixaremos que eles nos vejam...

    - Eu não gosto da ideia de colocar meus navios próximo a cruzadores britânicos, longe de cobertura área! - Retrucou Carls. Tonara-se um homem temerário em vista da pouca capacidade operacional da Frota, e, com seu grande histórico de combate, não hesitaria em fazer oposição à ideia. - Levar o Scharnhorst, o Gneisenau ou qualquer outro para o meio do Mar do Norte, significa pintar um alvo para que os ingleses atirem...

    - Vice-Almirante Carls, não iremos entrar em guerra com os ingleses! - Disse Raeder, em um firme tom. - Você, eu ou qualquer outro bem sabe que não completamos sequer o primeiro quadriênio do Plano Z. O Führer assegurou que a Marinha terá até 1942 para se preparar... Ainda temos cinco longos anos antes de declararmos guerra aos ingleses.

    - Mas, e se a guerra vier até nós primeiro? - Perguntou Wilhelm Marschall, o Vice-Almirante no Comando das Operações Navais. - Podemos esperar que, em um desses exercícios, os ingleses resolvam atirar contra nós?

    - Os ingleses não declararão guerra, senhores... - Respondeu-lhe Guse - Não é hora para temeridades. - E se, por algum motivo, o fizerem... Cumpriremos nosso dever.

    - Bom, neste caso eu sugiro que nosso planejamento inclua a possibilidade futura de dispormos de três ou quadro esquadrões de bombardeiros navais de longo alcance... - Afirmou Marschall.

    - Bombardeiros navais de longo alcance? Marschal... Não é tão simples... - Raeder suspirou fundo e lhe interviu. - A Marinha não pode sequer sonhar com o uso de aviões, por hora. Hermann Göring não permitirá que roubemos de sua Força Aérea a exclusividade das operações aéreas.

    - Raeder, a Marinha não pode ficar sem um corpo aeronaval... - Protestou Marschall com alguma inconformação. - Os ingleses o tem. Os japoneses, então, são os maiores detentores de forças aeronavais!

    - Eu concordo com este ponto de vista... - Falou Carls, balançando a cabeça. - Não gosto da ideia de executar a operação por não dispor de recursos o suficiente, e não por falta de coragem para fazê-lo! - Disse ele em um tom mais elevado.

    - Cavalheiros, calma... - Respondeu-lhes Guse, tentando acalmar os rumos da conversa. -O corpo de Almirantes aqui presente representa grande competência de comando e em combate. Contudo, sejamos francos... Aviões contra navios? Devo lembrar que somos a Marinha! Nossa força maior está nos navios de superfície e em submarinos! Nem ingleses e nem japoneses tem deixado de construir couraçados e cruzadores, pelo contrário... Aviões na Marinha podem ser um desperdício de recursos.

    O murmúrio começou na sala. Boa parte dos almirantes eram, de fato, apoiadores do crescimento da Marinha por intermédio da construção de navios de superfície, e não de forças aeronavais. Outros, porém, discordavam um pouco, mas hesitaram em engrossar o ponto de vista crítico.

    - Bem, senhores, atenção, por favor... - Interrompeu o Almirante-General Erich Raeder. - Não iremos excluir a possibilidade de corpos aeronavais na Marinha, contudo, isto não será possível a curto prazo. Talvez, futuramente. Por hora, devemos nos ater ao que temos e dispomos. Enquanto isso, seremos criativos! E prosseguiremos com as manobras em mar aberto. - Disse ele se levantando de sua cadeira. - Entregarei agora algumas diretrizes gerais das operações e outras para cada Comando em específico. Se tiverem outras objeções, iremos discuti-las uma a uma.

    A reunião prosseguiria por quase uma hora. O Almirante-General começou a ouvir seus Contra-Almirantes e outros comandantes, com questões específicas. Acertariam alguns parâmetros operacionais gerais. No fim das contas, a ordem do dia seria o início das operações de magnitude dentro da Marinha, a contragosto do comandante da Frota de Linha. Erich Raeder saiba da competência deste, e sabia que poderia ser arriscado conduzir as operações determinadas. Raeder, entretanto, sabia também que a Marinha era refém de outras fortunas. Ou ela se impunha, ou ficaria à mercê da intervenção de Göring, do Exército ou de outros expoentes do Partido.

    Após a reunião, os Almirantes passariam uma turma aspirantes ao oficialato em revista. Quando o Hino Alemão foi executado apenas em instrumentos e o orgulho à Terra-Pátria revolvia-se no âmago da consciência de cada um dos presentes, aqueles oficias que ainda tinham dúvidas, passaram a ter a derradeira certeza de que a Marinha deveria fazer todo o necessário pela Pátria Alemã! A Alemanha deveria estar acima de tudo!






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  6. #16
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    Acho que o Fuhrer está cometendo um erro. Concordo em parte com o Marchall, sobre os bombardeiros navais, os planos de construção de vasos de guerra podem até ser uma boa propaganda para o Reich, mas na prática não são páreo para a Royal Navy e suas doutrinas e comandantes mais avançados.

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  7. #17
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    Fazia tempo que não via uma AAR por aqui, vou aguardar e acompanhar, no mais, concordo com o Phackito, Royal Navy é tenso.

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  8. #18
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    Bom, ainda tem muita água para rolar ainda. A ideia é evitar o enfrentamento direto com a Royal Navy e utilizar os bombardeiros da Luftwaffe para ataques diretos. Ao mesmo tempo, construir os navios que a Kriegsmarine precisa para fazer frente ao que sobrar dela. Vai ser um bom malabarismo... Ainda mais quando penso em construir divisões blindadas, motorizadas e mecanizadas.

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  9. #19
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    Bom, ainda tem muita água para rolar ainda. A ideia é evitar o enfrentamento direto com a Royal Navy e utilizar os bombardeiros da Luftwaffe para ataques diretos. Ao mesmo tempo, construir os navios que a Kriegsmarine precisa para fazer frente ao que sobrar dela. Vai ser um bom malabarismo... Ainda mais quando penso em construir divisões blindadas, motorizadas e mecanizadas.

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  10. #20
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    1 9 3 8 - Großdeutschland (Grã-Alemanha)

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    Região de Hirschberg im Riesengebirge, norte da Fronteira Tcheco-Alemã. 29 de setembro.
    - O que você acha, sargento?
    - Bom, devem ter pelo menos quatro, capitão... Duas metralhadoras naquela casamata e provavelmente outras duas naqueles vãos ali. Não tem como sairmos da mira deles.
    - É, não tem jeito... Vou comunicar ao Comando e pedir garantia de artilharia. Caso contrário, não conseguiremos atravessar aquela linha sem um número considerável de baixas. Vamos embora.

    O capitão Hermann Kuhnt abaixou seus binóculos e voltou à unidade, acompanhado do Primeiro-Sargento Bernhard Wein. A tarde se findava e era hora de executar as últimas instruções. Os dois homens estavam a menos de duzentos metros da fronteira entre a Alemanha e a Tchecoslováquia, na Região de Hirschberg im Riesengebirge. Retornariam às fileiras do 127º Batalhão de Caçadores, 8ª Divisão de Infantaria Leve, 2º Exército.

    Em virtude das imposições contra a Alemanha e seus aliados, após a Grande Guerra, muitas populações de origens étnicas diversas haviam sido incorporadas a novas unidades nacionais, que tiveram sua independência incentivada e reconhecida pelas potências que se julgaram vencedoras do conflito. O Império Austro-Húngaro, importante aliado do Império Alemão, fora fracionado entre os novos países: a Áustria, a Hungria, a Polônia e a Iugoslávia. Regiões austro-húngaras também seriam integradas à Romênia e à União Soviética. O fim das monarquias e a instauração de decadentes democracias levaram a Europa Central e os Bálcãs a severas instabilidades.

    Quando o Führer ascendeu ao governo e a Alemanha viu a chance de se reerguer ante a ruína, muitas destas populações viram a chance de reclamar o direito de autonomia ou de retorno a suas verdadeiras nações. Por seu turno, os povos alemães vislumbraram sua chance de retornarem a Terra-Paterna. Movimentos regionais se arregimentaram em favor de sua autodeterminação. Muitos destes sofreram oposição e intensa repressão. Conforme o cerco se apertava, manifestações violentas e mesmo grupos paramilitares começaram formar. O nacional-socialismo foi um importante pilar para esta luta, tanto na Áustria como em regiões como os Sudetos, uma região de milhões de habitantes ao longo das fronteiras tchecas. Na Áustria, formada por uma população majoritariamente germanófona, o desejo de estabilidade era evidente, através do sentimento de pertencimento a uma nação pangermânica.

    Desde meados de 1937, Hitler passara a pressionar diretamente o Chanceler da Áustria, Kurt Schuschnigg, para que o Partido Nazi Austríaco passasse a ter maior representação neste governo. Com a recusa, a instabilidade atingiu níveis alarmantes. Em face da ameaça de guerra civil, a reserva do exército austríaco fora convocada sob as ordens de seu governo central. Por volta de janeiro de 1938, a Inteligência do Exército Alemão estimou um efetivo de vinte divisões austríacas mobilizadas, entre forças de infantaria e cavalaria. Quando o Führer leu os relatórios e sobre a possibilidade de mobilização geral na Áustria, intimou Kurt Schuschnigg a comparecer em uma conferência em Berchtesgaden, próximo a fronteira entre os dois países. Desta vez, Hitler não aceitaria o deboche do chanceler austríaco. Acusou-no de provocar a incitação à guerra entre povos que eram apenas um. Hitler intimou a Schuschnigg a ceder o poder interino aos nazis austríacos.

    Por meio de intensa pressão interna, Kurt Schuschnigg renunciaria dias depois. A Operação Otto entrou em vigor e, no dia 12 de março de 1938, as tropas alemãs atravessaram a fronteira austríaca. Contudo, um disparo sequer foi efetuado. O Exército foi calorosamente recebido não apenas pela população, mas pelos próprios militares austríacos, que desmontaram os postos fronteiriços e auxiliaram logisticamente a operação.


    Naquele mesmo dia, bandeiras dos Partidos Nazistas Alemão e Austríaco eram içadas em muitas residências e tremulavam nos grandes prédios públicos. Os conflitos cessaram... Em seu lugar, hinos eram entoados! O Führer adentrou a a Áustria em carro aberto e foi ovacionado!

    Dias depois, um referendo confirmou a decisão coletiva de integrar a Áustria ao Reich Alemão. Em toda a Alemanha, celebrava-se o triunfo da unificação! Os maiores temores sobre uma eventual retaliação francesa ou inglesa foram dissipados. Mas nada ocorrera. O Führer teve a plena certeza de que a Inglaterra e a França temiam a Alemanha e não tinham mais coragem de se opor a esta! O feito trouxera também um evidente acréscimo às Forças Armadas Alemãs. De um dia para outro, um efetivo de vinte divisões passaram a integrar as fileiras militares.

    No esteio desta conquista, não demoraria para que as populações da região tcheca dos Sudetos clamassem de forma ainda mais evidente por sua expatriação territorial à Alemanha. O governo tchecoslovaco, por sua vez, nos últimos anos, vinha erigindo uma série de fortificações nesta mesma localidade e estava determinado a negar aos alemães dos sudetos a concessão de sua vontade. Mais do que negar, empregara a intervenção militar da região e a restrição da liberdade de muitos cidadãos residentes. Tais fortificações militares tinham capacidade semelhante a da Linha Maginot . As forças militares da Tchecoslováquia dispunham de um efetivo considerável, este avaliado em vinte e três divisões, dotadas de equipamento bélico moderno e de veículos blindados superiores aos carros de combate alemães.

    A despeito dos diversos pedidos de Hitler ao Presidente Edvard Beneš, este não estava disposto a negociar unilateralmente. Em vez disso, o presidente tcheco pediu auxílio diplomático à França e à Inglaterra, de modo que os primeiros-ministros Neville Chamberlain e Édouard Daladier arbitrassem em favor de seu governo. Não restara outra saída. A solução para salvaguardar aqueles alemães na região dos Sudetos era a intervenção de forças alemãs. Desde meados do mês de agosto, um número crescente de soldados foram mobilizados e destacados à execução operacional da invasão da Tchecoslováquia - o Plano Verde.

    O plano previa um importante ataque diversionário em direção à Karlovy Vary e Pilsen, pois era uma região mais propícia ao movimento dos blindados e da infantaria, em virtude do terreno menos acidentado, além de ataques auxiliares ao longo das linhas. O "centro de gravidade" da ofensiva, no entanto, seria localizado à mais de 200 km a leste, na região de Ostrava, ao norte, e no eixo Zjomo-Bratislava, ao sul. O grosso das unidades blindadas alemãs deveria romper o terreno acidentado e fortificado de Ostrava e a flanquear a área urbana contígua de Brastislava, girando noventa graus e empurrando as unidades inimigas em direção à Praga, a fim de cercar a capital.

    O movimento ignorava a necessidade de invasão da região eslovaca e concentrava as forças sobre a área tcheca, que, por sua vez, enfraqueceriam a Linha de modo a defender Praga num custoso e lento abandono de suas posições. Deste modo, as unidades alemãs ao longo da fronteira poderiam atravessá-la com pouca ou nenhuma resistência, levando a formação de bolsões com as forças tchecas em recuo. Na Eslováquia, unidades paramilitares locais receberiam apoio para a sublevação ou, no caso de falha, a região seria tomada sem maiores problemas após a queda de Praga. Uma campanha rápida e fulminante, que tomaria não mais do que duas semanas, segundo as promissoras estimativas militares de comandantes como Erich von Manstein, Major-General e integrante do Estado-Maior das Forças Armadas.

    Entretanto, a ideia de uma guerra com a Tchecoslováquia causava animosidade e opiniões divididas no Alto Comando das Forças Armadas. Homens como Werner von Blomberg, Ministro da Guerra e Alto Comandante das Forças Armadas, e Werner von Fritsch, chefe do Exército, haviam caído em desgraça no início do ano. O Ministério da Guerra e o Alto Comando foram dissolvidos em prol do Supremo Comando das Forças Armadas, sob controle direto do Führer e o Comandante-em-Chefe Wilhelm Keitel. Resignaram de seus postos em meio a escândalos pessoais e condutas consideradas inapropriadas. Ludwig Beck, então chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, era um dos que se opunham à invasão. Publicitava suas opiniões em diversos circuitos militares e pessoalmente ao Führer. Acreditava que a Alemanha ainda não estava preparada para a guerra, pela possibilidade de escalada do conflito, e era cético quanto ao que se procedida e acabaria por resignar de sua posição.

    Enquanto o clima de indecisões pairava, o Führer havia iniciado conversações diplomáticas com os chefes de estados da Inglaterra, França e Itália para a solução da crise.

    Hitler deixou claro que, em vista das ações do governo tchecoslovaco, a presença da delegação deste governo era inaceitável. Os franceses e ingleses, por seu turno, convenceram este governo a ceder às demandas, ao contrário do que este esperava. O caminho para a vitória diplomática alemã fora aberto, mas as negociações começaram a demandar mais tempo que o previsto. A situação permaneceu crítica. A mobilização dos efetivos militares continuou e as tropas foram enviadas à fronteira tcheco-alemã.

    Justamente, naquele dia 29 de setembro, as últimas unidades do 2º, 6º e 11º Exército agruparam-se em suas respectivas formações. Mais de setecentos mil homens haviam sido congregados para este fim. O prazo para o início das operações fora estipulado para o alvorecer do dia seguinte. Tanto o capitão Hermann Kuhnt quanto o Primeiro-Sargento Bernhard Wein já tinham a certeza do ataque. O Coronel transmitiu o plano de ataque definitivo que envolvia o 127º Batalhão de Caçadores. Os homens estavam mentalmente preparados para entrar em combate e sua moral era alta. Não era mais um treino, não era mais um exercício... Não receberiam flores e sorrisos de moças austríacas... Abraçariam o calor do combate e a intensidade de avançar sob o fogo de metralhadoras. Agora era real.

    A janta fora servida e músicas foram entoadas. Parecia mais um dia comum na caserna. O capitão Kuhnt telefonou ao Comando sobre a necessidade de apoio de artilharia pesada, mas não pode obter confirmação. Foi informado que sua requisição não era a única na fila e que, conforme as informações repassadas, o pedido seria confirmado antes da primeira leva do ataque. Por enquanto, a ordem geral era aguardar nas posições. O capitão não confirmou o resultado de sua ligação aos seus subordinados. Estes e ele próprio deviam estar preparados para o avanço, com ou sem suporte. O expediente se encerrou como de costume, mas seria difícil dormir ante a ansiedade do que se procederia no dia seguinte.

    Às 3 horas da manhã, o coronel-comandante do 127º foi informado de novos acontecimentos: a ordem de combate fora cancelada e as tropas deviam entrar nos Sudetos, pois uma solução diplomática fora alcançada. Avisaria poucos minutos depois ao Kuhnt e outros oficiais. Estes, por sua vez, resolveram contar a notícia à tropa somente após o despertar.
    A comemoração seria imediata!




    Na fotografia, da esquerda para a direita: Neville Chamberlain, Primeiro-Ministro do Reino Unido; Édouard Daladier, Primeiro-Ministro da França; Adolf Hitler, Führer e Supremo Chanceler da Alemanha; Benito Mussolini, Duce e Primeiro-Ministro da Itália; e Gian Ciano, Ministro dos Assuntos Externos da Itália.

    O chamado Acordo de Munique, alcançado pouco antes do fim do dia 29, estabelecera a cessão daquela região à Alemanha. Os ingleses e os franceses cederam à pressão. O Führer obteve uma grande vitória diplomática e, mais uma vez, o Exército Alemão não dispararia um tiro sequer. Na manhã do dia 30, os três exércitos alemães entraram na região dos Sudetos sob a saudação de seus habitantes.

    Com a ocupação da Linha tcheca, uma série de estudos sobre incursões contra fortificações militares aprimoraram a capacidade militar. A experiência ensaística da logística de grandes operações garantia tanto ao Exército quanto à Força Aérea enormes vantagens na aplicação de táticas e doutrinas militares. A superioridade militar e diplomática alemã era inconteste!


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    Meses depois...
    Internamente, o presidente tchecoslovaco Edvard Beneš perdeu o controle de seu país. Húngaros e poloneses demandaram a expatriação de outras regiões. Grupos eslovacos se fortaleceram e começaram a pleitear a autonomia frente aos tchecos. O exército sofreu severas reduções em suas fileiras. As deserções apenas pioraram a situação. A instabilidade começaria a tomar conta de toda a Tchecoslováquia. Um erro crasso de Beneš que, ao negar a concessão da autonomia aos Sudetos, insuflou graves comoções e desdobramentos.

    A Alemanha viu ainda o fortalecimento de sua Marinha de Guerra. Em virtude de um pedido de avaliação do Almirante-General Erich Rader, o Führer decidiu como prioritária a necessidade de se envidar esforços para o estabelecimento de uma força aeronaval, composta por aviões-bombardeiros e pela aceleração do processo de construção do porta-aviões. Em troca, a construção do casco de novos submarinos fora paralisada temporariamente. A inserção de técnicos e parques industriais alemães da região dos Sudetos na indústria naval permitiu um aprimoramento dos processos produtivos sem sobrecarregar as demandas da Força Aérea ou do Exército.

    No começo de novembro, a Marinha recebeu três novas unidades: o KMS Seydlitz e o KMS Roon, cruzadores pesados da Classe Admiral Hipper, e, de forma apoteótica, o KMS Graf Zeppelin, o primeiro porta-aviões alemão e líder de sua classe naval.




    Lançamento do KMS Graf Zeppelin, no estaleiro da Deutsche Werke, em Kiel. O primeiro navio aeródromo da Marinha de Guerra Alemã era superior às contrapartes de outras forças navais. Detinha uma natureza técnica mais aprimorada comparada até mesmo aos padrões japoneses e norte-americanos.

    Juntamente a oficiais da Força Aérea e técnicos da Marinha, as primeiras tripulações começaram a treinar para a formação do primeiro grupamento de aviação embarcada e do primeiro grupamento de bombardeiros navais. Este feito e a promessa de completude de dois couraçados - KMS Bismarck e o KMS Tirpitz - legariam à Erich Raeder e seus principais Almirantes a plena certeza da possibilidade de enfrentarem os ingleses em condições de próximidade. A questão dos submarinos seria postergada enfaticamente para o segundo quadriênio do Plano Z.

    Com os três braço das Forças Armadas em franca expansão, o Führer e os principais comandantes alemães não tinham mais dúvidas de que a Alemanha estava apta à guerra. Aliais, no fim do ano, o povo alemão passara a se referir a Alemanha como "Grã-Alemanha". A Nação florescia cada vez mais! Unida fraternalmente, de vitória em vitória!




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