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Tópico: [AoD-IC] Triumph des Willens

  1. #1
    Avatar de Biller
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    [AoD-IC] Triumph des Willens

    Triumph des Willens(Triunfo da Vontade)



    Bom pessoal, sou novo aqui no fórum, e sou membro (e moderador) lá do GSB. Tenho um AAR em andamento por lá, mas resolvi repostá-lo por aqui. Então, para não perder a graça, não procurem este AAR por lá. Quero ir atualizando até equiparar o andamento dos dois, a depender da audiência que eu tiver por aqui, claro.



    O jogo é no Arsenal of Democracy com a expansão Iron Cross, que é uma expansão que enche o mapa de províncias e o jogo de eventos. Não será um gameplay necessariamente histórico, mas vou me valer de diversos pontos da História, claro. Também não será um jogo expansionista pleno e desenfreado.


    Explano o caráter não-apológico ao regime histórico que promoveu genocídios como políticas de Estado, vitimando milhões de pessoas nos campos de extermínio e de batalha. O caráter deste AAR é puramente fictício e sem vínculo algum com a realidade. Este exercício de História Alternativa serve como uma crítica ao autoritarismo, que pode ser representado através de uma bela história, mas que não deixa de ser autoritário.


    Configurações de jogo:
    Arsenal of Democracy 1.05 + Iron Cross 1.02
    Nation: Germany
    Scenario: The Beginning of All (1933)
    Difficulty: Normal
    Ai Aggressiveness: Furious
    End Date: 1964
    Full IC Take Over: Yes
    Tech-Team Take Over: Yes


    Objetivos:
    O mundo sob a égide alemã ou um cenário de Guerra Fria entre potências, onde a utilização das armas disponíveis será realizada.



    Um novo AAR próximo de você...



    ÍNDICE

    Prólogo

    1933 - Der Sieg des Glaubens (A Vitória da Fé)

    1934 - Einheit und Stärke (Unidade e Força)

    1935 - Tag der Freiheit: Unsere Wehrmacht (O Dia da Liberdade: Nossas Forças Armadas)

    1936 - Winterübung (Exercício de Inverno)

    1937 - Für das deutsche Vaterland! (Pela Pátria Alemã!)

    1938 - Großdeutschland (Grã-Alemanha)

    1939 - Zweiter Weltkrieg (Segunda Guerra Mundial)

    1939 - Fortuna Imperatrix Mundi (Fortuna, Imperatriz do Mundo)

    1939 - Sitzkrieg (Guerra Sentada)

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    Última edição por Biller; em 12/08/2015 às 13:55.
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  2. #2
    MAKE BTC GREAT AGAIN Avatar de nigo
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    Vou acompanhar. Quero ver esse mapa do IC.

    e manda um abraço para o Stephano.

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    Última edição por nigo; em 23/07/2015 às 09:50.
    SFA ®

  3. #3
    Avatar de Biller
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    Prólogo

    Prólogo

    Versalhes, França. 28 de junho de 1919. Este foi o lugar e o dia em que a infâmia desfechara seu derradeiro capítulo na História da Grande Alemanha. Tal capítulo começara em Novembro de 1918 quando a vontade de homens, traidores do Reich, representantes e mesmo integrantes daqueles que haviam forçado o Kaiser Wilhelm II a resignar de seu trono, assinaram o aviltoso armistício em Compiègne.
    Os representantes dos Poderes Aliados obrigaram a Alemanha a aceitar humilhantes cláusulas... Proibições e restrições que feriam o direito perpétuo dos Estados Nações. A Marinha Imperial, fora praticamente destruída ou canibalizada sob os termos de reparações navais britânicas, limitando em tonelagens navais inaceitáveis e proibindo a força submarina àquela que fora a outrora poderosa força naval. O Exército Alemão fora limitado a não mais que cem mil homens alistados, proibido de possuir carros blindados e manufaturas destinas à produção de diversos tipos de armas bem como a importação de armas. A Força Aérea Alemã fora extinta e relegada apenas ao setor civil. O território nacional do Reich fora repartido entre franceses, belgas, dinamarqueses, poloneses, lituanos e checoslovacos. As possessões coloniais foram repartidas entre franceses, britânicos, sul-africanos e japoneses. Pesadas indenizações e reparações deveriam ser pagas por décadas futuras.
    Ao povo alemão, ultrajado e sobrecarregado por tamanha dívida, só restara a desordem e a insurreição promovida por políticos de índole perversa.

    As decadentes nações que assinaram o Tratado de Versalhes não estavam interessadas em assumir um compromisso verdadeiro com a paz. Buscaram apenas espoliar e repartir o Reich como os grandes leões da África ao abaterem uma presa. Mais do que apenas fazer uma pilhagem da grandeza do povo alemão... Tentaram prender aos grilhões um poderio e ímpeto nunca antes visto na História Mundial. Apesar de estar despida de seu resplendor, a Alemanha constituía-se em um perigo permanente e iminente para as temerosas e desprezíveis nações, estas que por alguns momentos lograram algum êxito.

    A despeito de tamanhas agruras, seria em Munique, na Baviera, que um futuro promissor começaria a ser traçado. Seria nesta cidade onde seria fundado o Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei ( NSDAP) - o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães. E, entre os primeiros membros de tal organização política, estaria aquele que se mostraria a personificação da vontade e do ímpeto do povo alemão - Adolf Hitler. Seus correligionários políticos logo perceberam sua proeminência de liderança, e, em 1921, Hitler tornar-se-ia o líder do NSDAP. A trajetória não seria fácil. O Partido ainda teria que vencer sérios obstáculos. Um deles fora a tentativa de ascensão ao poder em 9 de novembro de 1923. Novamente, os traidores do povo alemão se mostraram e contiveram a mobilização, a qual chamaram de "golpe". A polícia bávara detivera Hitler e importantes membros do partido. Todavia, a interferência das assim constituídas autoridades não poderiam parar o movimento!
    Durante seu julgamento, Hitler defendeu-se brilhantemente sendo ovacionado pela multidão que o acompanhava. Apesar disso, ele foi condenado e enviado à prisão. Durante o tempo que esteve preso, escreveria a obra fundamental do NSDAP, o Mein Kampf - "Minha Luta". Tal escrito arraigara fama nacional sobre a história do Líder e suas concepções.

    Anistiado após seis meses de prisão, Hitler refundara e revigorava o Partido. Assim começava a trajetória de ascensão de sua pessoa ao poder.
    Até o ano de 1929, o NSDAP conseguira pouca voz dentro do Parlamento. Mas, naquele mesmo ano, o decadente modo de vida das outrora vitoriosas potências da Grande Guerra trouxeram para si e, infelizmente, para a Alemanha, a ruína econômica. A crise de 1929 trouxera ainda maiores desgraças ao povo alemão. As taxas de desemprego subiram exponencialmente tal qual os índices de inflação. As dívidas tornaram-se demasiadamente pesadas e o País ficou a beira do colapso total.
    A esperança residia somente na voz de quem pregava desde muito a reafirmação nacionalista do povo alemão bem como sua capacidade de se reerguer como potência mundial - a voz de Adolf Hitler e o Partido Nazi.

    Nas eleições de 1930, o NSDAP conseguira expressiva votação, tornando-se o segundo maior partido dentro do Parlamento. O apelo entusiástico e ultranacionalista ganhava novos adeptos a cada dia. Cada vez mais, todos se convenciam que seria através daquele partido que o futuro alemão seria escrito de forma triunfante. Hitler concorreria às eleições presidenciais em 1932, mas perderia para Paul von Hindenburg, importante marechal alemão durante a Grande Guerra e o até então presidente da República. Hindenburg ganhara as eleições de 32, mas foi convencido por Franz von Papen, chanceler alemão daquele ano, a chamar Hitler à Chancelaria.
    Em 30 de janeiro de 1933, Adolf Hitler assume como o Reichskanzler, o Chanceler da República.

    Desde este ano de 1933 em diante, a História da Grande Alemanha será escrita com maior esplendor e glória que nação alguma alcançara desde os tempos imemoriais, onde o povo alemão erguerá um Reich que durará milhares de anos, sendo o estandarte da supremacia sobre os povos do mundo!



    Es lebe Deutschland! - Vida longa à Alemanha!

    ********************************************************************** **************************************

    Acompanhe este e outros relatos deste AAR através do ÍNDICE

    Em breve, o primeiro capítulo!

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    Última edição por Biller; em 24/07/2015 às 14:08.
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  4. #4
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    Acompanhando também, nunca acompanhei um AAR antes.

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  5. #5
    Avatar de Lt. Rasczak
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    Muito Legal, vou acompanhar!

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  6. #6
    Pastafarianista Avatar de Phack
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    Manda bronca Biller!

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  7. #7
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    1 9 3 3 - Der Sieg des Glaubens (A Vitória da Fé)

    1 9 3 3 - Der Sieg des Glaubens(A Vitória da Fé)

    Genebra, Suiça. 3 de fevereiro.
    Frustração e muito cansaço para muitos... Apenas um pouco de cansaço para outros. Estes eram os ânimos após o último dos longos dias de negociações e debates na Conferência Mundial para o Desarmamento. O que ocorrera naquele dia não era tão diferente do que se sucedera em outros. Não há chance de haver um consenso quando as ambições de alguns esbarram nos interesses alheios. No átrio principal do grande salão central, imediato pela proximidade da tribuna, da Sede da Liga das Nações, estiveram presentes os delegados das cinco grandes nações da Europa - Império Britânico, França, Alemanha, Itália e União Soviética - acrescidos com importância pelos Estados Unidos e pelo Império do Japão. Já no segundo átrio, separado do primeiro apenas pela quantidade maior de assentos que este possui e pelo grau de decisão inferior expressado pelas delegações que neste se assentavam, representantes de outras cinquenta nações...

    Estas, talvez, por uma mera formalidade, pois sua posição dentro do salão central já evocava sua importância a nível mundial.
    De qualquer forma, não seriam entre as sete nações principais que a distribuição de poder seria igualitária. Uma entre elas fora a principal beligerante e também perdera a Grande Guerra - a Alemanha. Apesar de não estar revestida dos mesmos aspectos persuasivos devido o próprio Versalhes, algo mudara drasticamente a vontade alemã - a ascensão do Chanceler Adolf Hitler e o Partido Nacional-Socialista ao governo, em janeiro.

    Não se passara sequer uma semana, mas os componentes da delegação germânica haviam mudado e se apresentado no fatídico dia de negociações. A maioria desta, que era composta sumamente por diplomatas e seus conselheiros, agora reunia também entes militares de diversos escalões - do Estado Maior das Forças Armadas Alemãs, do Exército, do Ministério da Defesa e da Marinha. O novo Chanceler se pronunciava favorável a uma política mais agressiva, aspirada por forças mais conservadoras desde os primeiros anos do pós-Guerra, e estaria disposto a encerrar as discussões se necessário fosse para o bem nacional.

    Chegara então, naquele fatídico começo de tarde do dia 3, a hora da leitura integral e final da proposta francesa, já proferida dois dias antes e analisada deste então, bem como as considerações dos demais "seis grandes". Então, o Ministro para as Relações Exteriores, Joseph Paul-Boncour faria a leitura da proposta. Dois trechos eram críticos:

    - "[...] Para a Europa, a disposição dos contingentes militares das nações permanece inalterada pelo período de quatro anos."
    - "[...] O quadro militar alemão, permanece, portanto, inalterado. É previsto acréscimo gradual até a cifra de duzentos mil homens alistados unicamente a partir do referido período, sendo responsabilidade do Conselho Internacional a verificação do cumprimento de tais cláusulas."

    Naquele momento, o plenário entrou em inquietude. Muitos se perguntavam sobre as prerrogativas francesas para tais linhas. O Vice-Chanceler alemão, Franz von Papen, representante direto da Chancelaria e da Presidência, perguntou então ao recém-promovido ao posto do General e Ministro da Defesa, Werner von Blomberg:

    - Herr Werner, como acredita que deva ser o nosso voto?

    - Excelência, com todo o respeito, não deveríamos nem votar... - respondeu incisivamente Blomberg. - A proposta deles é unilateral do começo ao fim. Se nós assinalarmos com um voto positivo, arcaremos com compromissos extremamente desfavoráveis. Caso votemos contra, nossa vontade será expressa através de um simples "não". Mas se nem chegarmos a votar, ameaçando nos retirar das discussões, os ingleses e os americanos se mostrarão condescendentes com nossa atitude, pedindo nossa permanência, e votarão contra. Penso que os russos provavelmente vão seguir a mesma opinião.

    - Será mesmo, Werner? Não estou tão certo sobre não votar... Pode ser uma atitude radical de mais...

    - Pode até ser, mas desta vez os franceses foram pretenciosos demais. Já passou da hora de revisar o Versalhes mesmo... Acredite, Herr Franz, é o melhor a se fazer..



    Werner von Blomberg [o segundo da esquerda para a direita] em conversa com Franz von Papen [o terceiro] durante a leitura da proposta francesa

    Tal qual sugerira von Blomberg, os delegados germânicos recusaram-se a votar sob justas alegações e ameaçaram se retirar da Conferência. Os britânicos, exortando à permanência dos alemães, também não se manifestaram favoráveis, pois a aplicação teria impacto negativo sobre a disposição de suas próprias forças e interesses; estes desejavam uma redução geral dos maiores contingentes europeus - as forças soviéticas e as francesas - e sabiam que os alemães não se manteriam inertes por longo tempo sem acréscimos em suas fileiras. Os norte-americanos puseram também em cheque outras concepções gerais do alvitre francês. Com o clima de interesses conflituosos na Conferência, aquela rodada de discussões e votações terminara com a proposta derrotada. A próxima ocorreria em março deste ano.

    No início daquela noite, os representantes deixavam o salão central da mesma forma que entraram: sem uma decisão. A imprensa cobria de flashes a saída de todos os delegados e destacaria, na manhã seguinte, destacaria enfaticamente os fatos ocorridos e a indecisão a que se chegara.



    Alemanha. Dias depois.
    O governo do novo Chanceler continuava com expressiva popularidade. A organização e propaganda política do NSDAP cooptavam novos e importantes seguidores. O Partido em si e sua expressão de força se confundiam com a figura de Adolf Hitler. Seus correligionários o chamavam de Führer, que correspondia a Condutor, Líder ou Guia. O "Führer" então era a personificação das políticas partidárias e seus próprios sentidos ou fins. Pouco a pouco, ele se mostraria como o sentido do próprio Estado. A imprensa alemã passaria a dar grande prestígio a sua imagem, ligando-a com as melhorias que a Nação vivenciaria.

    A notoriedade de Hitler atingira diretamente a segmentos de grande peso econômico, como o da Indústria. Até mesmos homens como Gustav Krupp von Bohlen und Halbach, dono das Indústrias Krupp - talvez o líder industrial mais importante da Alemanha - impressionou-se com o novo Líder. A recíproca seria logo percebida e o Chanceler Adolf Hitler nomearia Gustav como o presidente da Federação da Indústrias Alemãs.

    A aproximação entre o Governo e o setor industrial resultou em parcerias de benefício mútuo. Era interessante, do ponto de vista estatal, o estímulo à expansão fabril, que renderia milhares de oportunidades de emprego bem como crescimento da economia nacional. O empresariado, por sua vez, ficaria satisfeito com o montante crescente de incentivos e investimentos financeiros a curto, médio e longo prazo. Em 14 de fevereiro, diversos contratos foram assinados entre representantes da Chancelaria e grandes construtoras, assegurando planos futuros de expansão da infraestrutura e diversos projetos público-privados.

    A rápida sucessão de acontecimentos rendia novas páginas de jornais a cada dia. Um êxtase tomava conta da Nação, que até então se sentira diminuída ante si mesma e internacionalmente. O novo governo instituído trilhava o caminho para obter novamente a coesão nacional alemã, com o ressurgimento do ultranacionalismo. Com menos de um mês de mando, então, o Partido Nacional-Socialista, através da figura do Chanceler, fizera o que nenhuma gestão anterior conseguira até aqueles dias. Os alemães começaram a ter fé na Alemanha!

    Infelizmente, há hereges que tentam atacar diretamente qualquer esperança de um futuro promissor. Sempre existem os que acreditam em falsas concepções margeadas por princípios retrógrados ou simplesmente impraticáveis. Acreditam que somente praticando atos de loucuras, buscando para si a denominação de "revolucionários", é que se faz alguma mudança. Assim são aqueles que creem e agem sob a ideologia que poderia ser considerada mais mortal que as mais devastadoras epidemias alguma vez ocorridas - o comunismo. Os comunistas ainda persistiam na Alemanha.

    E seria entre os que foram infectados com tais ideias, para as quais não há cura senão a erradicação, que a locura encontraria guarida. Na noite de 27 de fevereiro, por volta de 21h25m, o Corpo de Bombeiros de Berlim atendera a ligação de um guarda notificando sobre um princípio de incêndio no Parlamento. O incêndio começou na Câmara de Sessão, e quando a polícia e os bombeiros haviam chegado, a Câmara dos Deputados já tinha sido engolida pelas chamas.



    Prédio do Reichstag, símbolo do Governo e do poder político da Alemanha, em chamas

    Na mesma noite, enquanto o fogo era combatido, a polícia berlinense conduziu uma varredura no edifício e encontrou um jovem chamado Marinus van der Lubbe. Próximo a ele fora encontrado combustível e fósforos. Imediatamente detido, o rapaz foi levado em custódia. A averiguação determinara que ele tinha ligação direta com movimentos políticos de esquerda e ativismo contra o NSDAP. Na manhã seguinte ao dia 27, as manchetes dos principais jornais da Alemanha eram enfáticas sobre a participação de um comunista no incêndio criminoso premeditado do Parlamento. Em resposta, o Chanceler prometeu medidas austeras contra todos os culpados e os cientes sobre tal estratagema.

    O inquérito continuaria por meses a fim de determinar o grau de ligação e ação do Partido Comunista Alemão sobre este e outros possíveis atos de terrorismo. O impacto de tal acontecimento fora ao encontro dos interesses do Partido.

    O Presidente Hindenburg foi pressionado a tomar uma atitude diante das ações de possível cunho partidário. Então, baseando-se no Artigo 48 da Constituição, declarou emergência nacional. Entre o dia 1º e o dia 4 de março, elementos de três brigadas das Sturmabteilung (SA) - Tropas de Assalto - e uma das Schutzstaffel (SS) - Tropas de Proteção -, ligadas diretamente ao NSDAP, percorreram a Alemanha a fim de cumprir mandados de prisão sobre uma lista de aproximadamente quatro mil nomes vinculados à liderança do Partido Comunista Alemão e suas ramificações.

    Enquanto tais eventos se desdobravam, multidões protestavam contra as organizações com ligação ao incêndio do Parlamento. A popularidade destes partidos caíra drasticamente em um curto espaço de tempo. O povo alemão finalmente expurgava os traidores que, por tanto tempo, permeavam a população e há muito foram responsáveis diretos pelas rebeliões internas ocorridas nos últimos dias da Grande Guerra.
    As tendências indicavam uma possível maioria nas eleições federais que ocorreriam em 5 de março e, de fato, isto veio a ocorrer.

    A vitória nas eleições fortalecera ainda mais a posição do Partido. Exceto por alguns incômodos resultantes de badernas promovidas pelas SA, a consolidação no poder seguia conforme o planejado pela Alta Cúpula do Partido. Após chafurdar em caos interno por anos, a Alemanha novamente conhecia a ordem. Através do Ato de Habilitação, aprovado pelo Parlamento por 441 votos a favor e 84 contra, o Chanceler fora investido de grandes poderes políticos podendo utilizar mecanismos, permitindo que se valesse de mecanismos não-constitucionais para garantir e solidificar a soberania da Alemanha.

    Internacionalmente, as mudanças ocorridas eram pouco debatidas. Outros fatos despertavam um maior clamor. A morosidade com que a Liga das Nações tratava a questão do desarmamento mundial e o conflituoso jogo de interesses tornavam qualquer tentativa de negociação em uma verdadeira guerra de diplomatas. Após o fracasso francês, os ingleses tomaram as iniciativas e propuseram um novo plano. Pelas linhas gerais, o Exército Alemão passaria a ter, imediatamente, o mesmo tamanho que os demais contingentes militares europeus – com exceção da União Soviética – e, após cinco anos, o mesmo poder de fogo. A França, entre outras coisas, seria forçada a reduzir seu exército.

    Sob certos parâmetros, a proposta britânica não era totalmente ruim, pois permitiria o imediato rearmamento do Exército e crescimento dos números de alistados. Todavia, tais linhas estariam longe de serem aceitas devido aos anseios egocêntricos daqueles que por pouco não foram derrotados na Grande Guerra - os franceses.

    A situação ficaria ainda mais complicada quando, em 27 de março, um dos dias de debates da Conferência Mundial, os delegados do Império do Japão anunciam formalmente sua saída da Conferência bem como fim de sua representação junto à Sociedade das Nações. Tal anúncio apenas comprovara que este órgão internacional perdera sua funcionalidade e passara a representar apenas os torpes interesses de alguns governos. A partir daquele momento, as negociações seguiriam sem progresso algum.

    Após a saída dos japoneses, o Chanceler Adolf Hitler enviou um telegrama aos seus delegados proibindo qualquer consentimento com quaisquer propostas apresentadas. O Líder sabia que, com tamanhas discordâncias, nada mais poderia ser feito. Seria apenas uma questão de tempo o fim da permanência alemã na Liga.

    Com os novos fatos, a insegurança internacional cresceu drasticamente. As atenções sobre a Europa esvaíram-se e se voltaram a Ásia. Muitos se questionaram sobre uma possível agressão japonesa em território chinês, levando em consideração o histórico de intervenções militares nipônicas sobre a China. Jornais reportavam uma possível reconfiguração da balança asiática de poderes devido a posição política radical do Império Japonês.

    Para a Alemanha, tal acontecimento seria interessante. Sem a perturbação promovida pelos observadores do Tratado de Versalhes, o foco nacional poderia mudar livremente. O Chanceler da Nação acenara ao setor industrial sobre a possibilidade do restabelecimento das indústrias bélicas. Através de um pronunciamento, em 27 de abril, os prazos foram anunciados e, dentro de dois anos, isto seria possível. Tais prazos foram anunciados apenas para o público, todavia, na prática, o Governo já viabilizara a construção da base industrial bélica assim que assumira em janeiro. A Federação da Indústrias Alemãs já fora notificada e tivera verbas públicas concedidas desde o primeiro momento. Os grandes conglomerados industriais alemães já haviam tirados todos os seus projetos militares das gavetas e agora trabalhavam diretamente com a recém-criada Seção Especial para o Rearmamento, esta dirigida pelo Ministério da Defesa, para tirar do papel tais ideias.

    A nova orientação erigida pelo Partido e por Hitler cada vez se configuravam como a salvação que a Germânia carecia. Em pouco meses, os milhões, que jaziam na miséria e no desemprego, conseguiam um emprego. O Ministério do Trabalho, sob a liderança de Franz Seldte, iniciara obrass de grande monta como a expansão e modernização da malha rodoviária federal bem como a expansão do parque industrial alemão. E, para garantir os direitos trabalhistas, uma nova legislação trabalhista fora pensada e aprovada sem certas práticas que geram dissidência e desorganização dos operários alemães.





    Em reunião especial no dia 22 de junho, o Reichstag aprovara todo um conjunto legislativo que garantiria os direitos do setor empregador bem como do empregado


    Fotografia feita na ocasião do começo dos trabalhos em uma "autobahn" alemã, onde o Chanceler Adolf Hitler deu o início simbólico da construção da mesma

    Tamanhos feitos demonstravam que a Alemanha estava no caminho certo. O povo alemão novamente acreditava em si próprio e no futuro glorioso ao qual estava destinado, expresso através de uma Alemanha una e poderosa, guiada sob a figura do Chanceler.

    Apesar de tal progresso, ainda subsistiam aqueles que eram contra a grandeza alemã. Ainda persistiam em suas vãs concepções que detraiam o destino germânico. Organizações políticas ainda persistiam na oposição obstinada dentro dos círculos políticos do Governo. Eram, sem sombra de dúvidas, o resquício dos ideais daqueles mesmos homens que traíram o Reich naquele fatídico novembro de 1918 e na vexatória assinatura do Versalhes, em 1919. Apesar da sólida estruturação do NSDAP, tais partidos opositores incentivavam a desestruturação, o retrocesso ou mesmo a destruição das estruturas constituídas. O Chanceler pressentiu a necessidade de aplicar uma austera medida: o fim do pluripartidarismo em razão do unipartidarismo.

    O decreto foi aprovado no dia 11 de agosto diante de uma seção do Parlamento, após um fantástico discurso de Hitler. A assinatura da medida foi saudada através de entusiásticos aplausos dos membros presentes.
    As novas medidas eliminavam os últimos obstáculos no caminho para a ordem e retidão do Estado.

    Internamente fortalecida, a Alemanha seguia convicta de seus propósitos. A autoafirmação internacional daria seu primeiro passo importante no dia 14 de outubro de 1933, anunciando uma nova perspectiva para o futuro.


    Tal fato ocorrera durante uma seção de debates na Conferência, enquanto o Ministro do Exterior do Reino Unido, Sir John Simon, fazia suas considerações finais. Então chegou um telegrama, assinado pelo Chanceler Adolf Hitler, comunicando uma das decisões mais importantes tomadas pelo Governo, naquele ano. O telegrafista presente na sede da representação alemã, em Genebra, rapidamente enviou a mensagem às mãos os líderes da delegação que, naquele momento, estavam se preparando para realizar sua fala. Quando o mensageiro entregou o telegrama nas mãos do Ministro dos Assuntos Externos, Konstantin von Neurath, este abriu um sorriso e cumprimentou o jovem rapaz que lhe entregara a mensagem dizendo-lhe:

    - A partir de hoje, meu jovem, esteja ciente que a Alemanha nunca mais se curvará diante de qualquer interesse estrangeiro que vise pô-la novamente de joelhos... O Futuro se apresenta promissoramente diante de nós... Já o Presente, assegura a Vitória da Fé em nossa Nação!


    ********************************************************************** **************************************

    Acompanhe este e outros relatos deste AAR através do ÍNDICE

    Notas:

    1 - É possível que haja algum erro gramatical ou/e de concordância durante o texto, pois várias partes foram feitas em dias diferentes, o que causa quebra do sentido da ideia narrativa.
    2 - Optei por ainda não utilizar o termo "Führer", pois futuramente ele terá sua devida inserção. Ressaltei a figura de Hitler através da ênfase do uso do título de "Chanceler", deliberadamente. A repetição em curtos espaços de narração foi utilizada para o destaque e enfoque então.
    3 - A postagem foi resumida [apesar de ainda estar muito grande] dentro de uma narração maior, com o destaque de eventos principais ou relevantes para o contexto.
    4 - Quando eu quiser dar uma "quebra de cena", tal qual nos filmes, vou colocar o lugar e a data.

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  8. #8
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    1 9 3 4 - Einheit und Stärke (Unidade e Força)

    1 9 3 4 - Einheit und Stärke(Unidade e Força)

    Berlim. 26 de janeiro.
    A fria manhã daquela sexta feira não inspirava ânimo algum. A camada de neve persistia em recobrir as ruas, mesmo com o trabalho árduo dos funcionários que realizavam a limpeza das ruas berlinenses. Até mesmo a circulação de pessoas nas imediações do Parlamento, que é intensa desde as primeiras horas em tempos mais aprazíveis, estava reduzida. As baixas temperaturas pareciam desencorajar caminhadas ao ar livre. A despeito de tais condições climáticas, a guarda permanente das instalações governamentais mantinha prontidão, empunhando seus Mauser 98. Aquele dia, todavia, seria diferente.

    O comandante da guarda, Capitão Wolfgang Meyer, fora avisado de que haveria uma quebra do protocolo diário devido a uma reunião entre representantes do Ministério dos Assuntos Externos e do corpo diplomático polonês. Tal quebra de protocolo previa um reforço no contingente de sentinelas dentro e fora dos prédios, para fins de demonstração. Realizando as devidas ligações, o capitão dera inicio aos preparativos, que deveriam terminar por volta de nove horas da manhã, uma hora antes que a prevista para a ocasião.

    Quando os últimos acertos estavam em vias de finalização, o capitão e seus homens foram surpreendidos com a chegada de um destacamento das Schutzstaffel. A presença da SS indicava que algum integrante da alta cúpula do Partido estaria presente no encontro, pois, conforme os critérios de segurança, todos os membros de tal escalão deveriam receber escolta desta força.

    Faltando poucos minutos antes das dez da manhã, os convidados chegaram com grande comitiva. Entre os presentes, estavam o Ministro dos Assuntos Externos da Alemanha Konstantin von Neurath, o embaixador alemão na Polônia, Hans-Adolf von Moltke, o Ministro da Propaganda Joseph Goebbels, o Vice-Chanceler da Alemanha Franz von Papen, o Ministro do Exterior Polonês Józef Beck, o Marechal e Representante Presidencial polonês Józef Piłsudski e o chefe da Gestapo (a Polícia do Reich, com função de preservação da ordem pública nacional), SS-Oberführer Rudolf Diels, que ali estaria somente como um observador e um dos gestores da segurança daquele encontro. A função dos políticos ali presentes resultaria, obviamente, em algum acordo internacional entre a Alemanha e a Polônia.


    O Pacto de Não-Agressão entre a Alemanha e a Polônia representava uma jogada diplomática de importância. Para os poloneses, era a oportunidade de de restabelecer laços diplomáticos com seu segundo vizinho, cujas relações estavam abaladas desde os primeiros anos do pós-Guerra, bem como estabelecer novas políticas frente ao abandono por parte dos franceses e ingleses. Já para os alemães, o significado de tal acordo era um pouco maior: além de evitar problemas com uma nação que naquele momento dispunha de um exército regular constituído por mais de vinte e cinco divisões e grande reserva (em oposição ao Exército Alemão, limitado a dez divisões), conseguira impor uma nova posição frente a aliança anglo-francesa, aos soviéticos e reequilibrar a balança de poderes do Leste da Europa.

    Na foto acima, aparecem Hans-Adolf von Moltke, Józef Piłsudski, Joseph Goebbels e Józef Beck, estando ausentes apenas von Papen e Diels, após a assinatura do acordo.

    A presença de Diels ali fora percebida por von Papen com um certo desconforto. Não haveria sentido lógico algum para que um “chefe de polícia” fosse o designado como representante direto para a assinatura de acordos internacionais senão uma possível desconfiança por parte da Alta Cúpula do NSDAP sobre o Vice-Chanceler. Apesar de tudo, parecia ser melhor que o chefe da Gestapo estivesse ali do que uma possível presença de alguma entre as figuras como Henrich Himmler ou Rudolf Hess. Muito além do que fosse possível especular ou imaginar, o SS-Oberführer Rudolf Diels estava ali apenas coletando informações para a criação de uma ficha contra esse e trabalhando sobre diretivas conjuntas com o Partido, a fim de remover a figura do Vice-chanceler. Esforços não precisavam ser feitos, pois von Papen tornara-se crítico ao governo, apesar deste tentar manter aparências favoráveis. Sua crítica era exercida em círculos reduzidos, como em partes burocráticas ainda não inseridas ao controle do NSDAP, espaços acadêmicos de universidades alemãs e através de falas inoportunas e de múltiplos sentidos nas reuniões da Chancelaria.

    Com tais manifestações, não demorou muito para que o setor de inteligência da Gestapo colocasse dois agentes para cobrir a agenda diária dele. Relatórios apontavam que ele “fazia suas críticas mais porque viu sua posição ser desprestigiada e minimizada ante a Hierarquia Partidária, uma vez que sentia que esta deveria ser tributária a ele próprio, visto que se não fosse o seu apoio a Adolf Hitler, na ocasião em que indicou este para ocupar a posição de Chanceler, nada teria sido possível”.

    Mesmo com a atenção sobre o Vice-Chanceler, não seria ele o ente mais preocupante, pois pouco ou nada poderia fazer contra a estrutura dirigida pelo Chanceler, sendo este último, por sua vez, cada vez era apontado como a personificação do valor de “liderança” entre as lideranças do NSDAP, das SS e das SA, referindo-se a ele [Hitler] por Führer (ou Líder, Guia).

    Maiores preocupações caíam sobre o líder das Sturmabteilung, Ernst Röhm. Desde a fundação do Partido, as SA foram a principal e mais numerosa organização paramilitar alemã. Até a ascensão do nacional-socialismo alemão, elas foram empregadas para o controle dos inimigos políticos da Alemanha e auxiliar nesta trajetória até o poder. Sua atuação era questionada entre os integrantes do Exército Imperial e até mesmo dentro do NSDAP visto o grau de violência e agitação empregadas pelas SA, mas necessária. Quando o poder foi alcançado, a atuação destas tornava-se cada vez mais um obstáculo para a consolidação do Governo. Eram dois modos drasticamente contrastantes: um de cunho reformador, unitário e de fortalecimento do povo alemão, promovido pela pessoa do “Führer”; e outro que utilizava a violência desenfreada e clamava por uma nova revolução de caráter socialista, dirigido por Röhm.

    Para Röhm, as SA, que, naquele ano, alcançaram a marca de três milhões de filiados, deviam se tornar o novo exército da Alemanha. Ele via o Reichwehr como algo a ser dissolvido ou absorvido pela estrutura de sua organização, algo totalmente contrário com os planos de Hitler, que via este como algo a ser expandido, modernizado e equipado para se tornar um verdadeiro exército. Ficara evidente que Röhm e sua organização já não sinalizava favoravelmente aos projetos aos projetos do Chanceler e “Führer”.

    A preocupação sobre tal indivíduo era quase unânime entre aqueles da Alta Cúpula do Partido, como Heinrich Himmler, comandante das Schutzstaffel, Hermann Göring, premier da Prússia, Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda, e Rudolf Hess, deputado no Parlamento, que viam em Röhm o último e mais sério dos obstáculos para a consolidação do Governo. Não demoraria então para que estes articulassem junto a Hitler uma solução para salvar a Alemanha da ameaça das SA.



    Na fotografia, aparecem os integrantes da Alta Cúpula do Partido, com a ausência de Himmler, e autores da articulação contra as SA

    Até mesmo os altos oficiais do Exército Imperial e próprio Presidente Paul von Hindenburg tornaram-se contrários a Röhm e suas SA, a partir do momento que este desejava extinguir ou absorver o Exército Imperial. Até então o “exército dos cem mil” estava neutro dentro do Governo, mas, diante da nova ameaça, passariam a colaborar ativamente com o Partido para que este pusesse um fim às SA.

    Foi necessária uma preparação de meses para a tomada de ação. O que começara a ser discutido e planejado entre fins de fevereiro e o início de março seria posto em prática a partir de meados de junho. A Gestapo trabalha ativamente na elaboração de dossiês contra uma grande lista de integrantes das SA e outros inimigos do povo alemão. O SS-Oberführer Rudolf Diels, que chefiou a Organização Policial até 22 de abril daquele ano, fora substituído pelo SS-Obergruppenführer Reinhard Heydrich, tornando esta força mais efetiva visto o pulso firme de sua nova chefia.

    Todo o planejamento recebeu o codinome Kolibri, que seria a palavra código para que os efetivos combinados das SS e da Gestapo iniciassem a operação. Até o dia 15 de junho, nenhuma data fora definida para a execução. O próprio Chanceler não tinha uma decisão para esta data e até mesmo partira em viagem para a Itália, a fim de realizar reuniões com Benito Mussolini e seus ministros.
    Paralelamente a isto, a situação interna começava a ebulir. Os setores conservadores e tradicionais dentro e fora do Exército tornavam-se impacientes e temerosos. A demora com que o Partido Nazi atuara para eliminar a crescente animosidade das SA e as declarações de cunho “revolucionário” de Röhm ameaçavam seriamente a coesão nacional. Quase a totalidade dos altos oficiais passaram a pressionar diretamente o Ministério da Defesa, para que uma atitude fosse tomada.

    Ciente desta situação, o Presidente von Hindenburg comunicou ao Ministro da Defesa Werner von Blomberg e ao General e Comandante-em-Chefe do Exército Werner von Fritsch sobre uma possível declaração de lei marcial e respectiva mobilização das tropas dentro de poucos dias para o desmantelamento das SA. No retorno do à Berlim, no dia 18, o Führer recebeu a informação que von Hindenburg desejava uma reunião urgente. Apressando-se aos fatos, Blomberg foi até a Chancelaria naquele mesmo dia, na tentativa de comunicar-lhe a situação. Sem cerimônias, o ministro contou ao Chanceler sobre a possível atitude do Presidente e alertou para que algo fosse feito.

    A situação chegara ao seu clímax. Se até aquele momento, nada fora feito, em virtude de temores do Führer sobre os desdobramentos ocasionais, isso agora mudara. A ameaça de uma declaração de lei marcial fora dos controles da Chancelaria poderia trazer tamanha instabilidade que o próprio Chanceler poderia ser forçado a resignar juntamente com o Partido e o controle governamental passado diretamente às mãos dos militares do Reichswehr. Numa esperada resistência das SA, que, segundo informações da inteligência da Gestapo, havia conseguido importar uma considerável quantidade de armas, a situação nacional poderia se tornar uma verdadeira guerra civil, com o risco de Röhm iniciar sua “segunda revolução alemã”.

    Sem hesitar, Hitler deu garantias pessoais a Blomberg e, subsequentemente, a von Hindenburg que dentro de um prazo máximo de quinze dias, a ação seria executada. A partir deste momento, seria apenas uma questão de tempo. Era necessário que toda a liderança das SA fosse presa ou executada em um único golpe, haja visto a potencialidade de resistência e reação destas. O futuro da Alemanha estava em jogo.
    Contando agora com o pleno apoio do Exército, o Chanceler Adolf Hitler recebera poderes adicionais através de uma seção extraordinária do Parlamento no dia 27 de junho, a qual o colocou no controle temporário das tropas disponíveis bem como concedeu a autoridade para suspensão das liberdades daqueles que tinham sido previamente investigados e tido seus nomes atrelados às lideranças das SA ou suspeitos de subversão. No dia 28, o Führer, que estivera presente em uma cerimônia matrimonial de um importante integrante do NSDAP, dera ordens ao assistente adjunto de Ernst Röhm para que toda a liderança das SA encontrassem-no para uma reunião na noite do dia 30 de junho, sábado, em Munique, cidade bávara na qual o quartel-general das SA estava instalado.

    Na madrugada do dia 30 de junho, o Chanceler e efetivos das SS chegaram ao aeroporto de Munique. Dali partiram rumo a Sede do Governo da Bavária. Hitler fora informado que membros das SA haviam causado tumultos e brigas de ruas na noite anterior. Enfurecido, o Führer, que ordenara ao chefe de polícia de Munique para manter a ordem, retirou daquele homem as medalhas e os sinais de patente de comando. Disse ao oficial que ele deveria ser executado por tamanha incompetência em seguir suas ordens. Hitler mandara prender também os integrantes das SA que promoveram a confusão da noite anterior.

    Ao cair da noite, o Führer e as tropas foram ao encontro da liderança das SA no local marcado anteriormente, onde Röhm e parte dos adjuntos deste já estavam. Chegando ao local, as forças policiais e das SS cercaram o perímetro e iniciaram as prisões.
    O Chanceler Adolf Hitler, acompanhado de dois oficiais da Gestapo, fora pessoalmente ao quarto onde Ernst Röhm estava instalado e dormindo.

    - Röhm, você está preso! – bradou o Führer.

    - Heil, mein Führer... – disse Ernst ainda meio sonolento.

    - Você está preso! – bradara novamente.

    Saindo do quarto, os oficiais da polícia arrestaram o líder das SA. Outros membros da liderança desta organização também foram presos bem como um comboio de oficiais que foram interceptados pelas SS quando chegavam ao local. O Ministro Joseph Goebbels, que acompanhara o Führer até Munique, mas permanecera na sede do governo bávaro, recebera ordens de Hitler para que telefonasse a Göring, em Berlim, de forma a iniciar a Operação Kolibri em toda a Alemanha.

    Com as SS, a Gestapo e outras forças policiais regulares centenas de prisões foram feitas, desmobilizando as SA em menos de 24 horas. A operação também buscou demais opositores do Governo. Pessoas como o Vice-Chanceler von Papen, ex-integrantes do Partido, o ex-chanceler Kurt von Schleicher, e alguns outros nomes importantes foram presos ou condenados à pena capital tal qual os líderes das SA.

    Röhm e seus adjuntos foram executados na ocasião deste evento, visto que as leis da época não permitiam que eles permanecessem presos ou fossem exilados. O caso de Franz von Papen terminara com uma prisão temporária. Este seria forçado a resignar o cargo, que, por sua vez, deixaria de existir. Por intervenção de Göring, Papen foi poupado da queda completa e, pouco tempo depois, seria enviado à Áustria como embaixador alemão.

    Todo os acontecimentos foram apoiados entusiasticamente pelos altos oficiais do Reichswehr e diversos outros setores da economia e da sociedade. O Presidente Hindenburg enviou um telegrama pessoal ao Chanceler, expressando-lhe profunda gratidão pela ação em favor da Alemanha.
    O Governo poderia prosseguir agora sem os temores anteriores causados pelas SA e a situação tenderia ao normal novamente.

    Ainda no ínterim dos fatos, o Chanceler anunciou que a Alemanha seguiria como uma nação livre. Nem oposições internas ou vontades externas voltariam a trazer o opróbrio ao povo alemão. Sem cerimônias, anunciaria, no dia 2 de julho, a suspensão de todos os pagamentos os quais a Alemanha fora obrigada a realizar de acordo com o humilhante Tratado de Versalhes.


    A suspensão das dívidas de guerra representou uma importante decisão de autoafirmação da Alemanha. Apesar de protestos da tríade das potências democráticas ocidentais – Império Britânico, França e Estados Unidos -, nada seria feito com o intuito de forçar o Governo Alemão a continuar com os pagamentos. Este foi um dos prenúncios daquela que seria conhecida como a “política do apaziguamento”.

    Um mês após as medidas de autodefesa do Estado, o povo alemão sofreria uma grande perda. Na manhã do dia 3 de agosto de 1934, o Presidente Paul von Hindenburg viria a falecer.

    Aquele homem fora um dos mais consagrados heróis da Germânia e um dos grandes exemplos da capacidade de liderança dos comandantes alemães da Grande Guerra. Seu legado seria perpétuo na História da Grande Alemanha. O funeral de von Hindenburg seria realizado em Tannenberg, na Prússia Oriental, quatro dias após sua morte, onde seu corpo seria sepultado no Memorial onde os soldados alemães mortos na batalha que ali ocorreu, durante a Grande Guerra, estavam encerrados. Com honras de Estado, representantes estrangeiros e grande demonstração militar por parte do Reichswehr, o Führer discursaria e prestaria suas homenagens naquela grande cerimônia.

    Através de uma emenda constitucional aprovada pelo Parlamento antes da morte de von Hindenburg, os poderes presidenciais deste seriam fundidos aos poderes do Chanceler, na eventual morte do presidente. Com o falecimento deste, a Chancelaria promoveria um plebiscito para que o povo alemão pudesse confirmar ou recusar a execução desta emenda. No dia 19 de agosto de 1944, o povo foi às urnas de votação para a decisão do plebiscito. Com mais de 35 milhões de votos a favor, dando mais de 90% de aprovação, a combinação dos poderes de chefe de Estado e chefe de Governo fora acolhida pelo povo.

    Em respeito à memória de Hindenburg, Adolf Hitler decidiu não utilizar o título de presidente, encerrando-o ali. Para a representação da fusão de poderes, assumiria agora com o Führer e Chanceler do Reich, tendo o dever de conduzir a Grande Alemanha.

    Como primeira providência nesta novo posição, o Führer reuniria-se com os líderes do Reichswehr, para uma conversa franca sobre o futuro desta instituição. Tornou claro que faria todo o necessário para que as Forças Armadas da Alemanha fossem restabelecidas, independentemente das proibições de Versalhes. Iniciando a expansão do Exército, Hitler consentiu com a expansão do atual contingente. Sem realizar anúncios publicamente, avisou ao Ministro da Guerra Werner von Blomberg e ao General e Comandante-em-Chefe do Exército Werner von Fritsch que vinte mil novos conscritos deveriam ingressar ainda naquele ano.

    No mês outubro daquele ano, o Führer, em reunião com os representantes e o presidente da Federação da Indústrias Alemãs, Gustav Krupp, estabeleceria novas metas e novos aportes financeiros para a expansão da base industrial de base, de transformação e de armamentos. O orçamento destinado ao setor industrial praticamente triplicara em relação ao ano anterior, demandando grandes esforços a curto prazo. Infelizmente, um dos principais impedimentos de um melhor crescimento era a carência de matérias primas sofrida pelo parque industrial alemão. A necessidade de importação esbarrava com os altos custos e preços oferecidos pelos vizinhos europeus. Países como a França e a Grã-Bretanha criavam pressões de âmbito continental para limitar a venda de matérias primas estratégicas para a Alemanha.
    Os primeiros indícios de novas oportunidades viriam com a assinatura de um acordo de cooperação com a República da China.

    Em dia 23 de outubro, representantes do governo chinês e assinaram o acordo que previa investimentos alemães no parque industrial chinês bem como ajuda econômica e militar em troca a importação a baixo custo de matérias primas advindas do interior da China. O Governo esperava assim sanar parte do déficit causado pela importação de alto custo dos países vizinhos.

    Através de acordos como este, o Führer Adolf Hitler buscava lançar os alicerces de autoafirmação e supremacia econômica dignas da Grande Alemanha. Ao fim daquele ano, o povo alemão sentia-se integrado em uma unidade pátria esquecida deste a Grande Guerra e aspirava agora a mesma força que o Império Alemão conhecera de forma imponente. Um novo tempo estava nascendo!


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    AoD tem cenário começando em 1933?

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    AoD tem cenário começando em 1933?
    Não... É um cenário disponível pelo Iron Cross. Tem de 1933 e 1934. Se não me engano, o Darkest Hour também dá essa possibilidade. Em relação ao cenário de 36, dispor de 3 anos a mais é crucial para planejamento ou campanhas alternativas. Para países menores, é ideal.
    Sem contar que alguns desses eventos só tem no IC ou no DH.

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