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Como uma entrevista BBC ajudou a solucionar um mistrio sobre soldado da 2 GuerraCOMENTE



22/12/201612h15

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  • David Watson/Purple Hearts Reunited

    Soldado Kownacki morreu em combate em janeiro de 1943


O americano Zachary Fike dirige uma ONG, a Purple Hearts Reunited, dedicada a retornar medalhas de honra militares perdidas e roubadas aos seus donos originais e costuma receber pelo correio muitos desses itens e documentos que o ajudam em suas buscas. H algumas semanas, ele recebeu uma remessa fora do comum.
"Nunca recebemos nada da Nova Zelndia, ento, isso chamou minha ateno. Havia no pacote trs cartas escritas durante a 2 Guerra Mundial e uma plaqueta militar de identificao", diz Fike.
O remetente, David Watson, havia conhecido o trabalho de Fike por meio de sua entrevista ao programa de rdio BBC
A plaqueta pertencia ao soldado americano Stanley Kownacki, desaparecido enquanto lutava na regio do Pacfico em janeiro de 1943, durante a Segunda Guerra. Sua famlia recebeu um telegrama informando de seu desaparecimento, informando que ele provavelmente estaria morto, nada alm disso.
David Watson/Purple Hearts Reunited

Por 73 anos, a famlia Kownacki tentou resgatar a plaqueta de identificao de Stanley, morto na 2 Guerra
As cartas haviam sido escritas pela me e irms de Kownacki para o ex-soldado neozelands Leslie Todd, que havia achado a plaqueta do soldado americano em Guadacanal, uma pequena ilha prxima da Austrlia onde 7 mil soldados aliados foram mortos em seis meses de combate.Todd havia escrito para a famlia para contar sobre sua descoberta. A me de Kownacki, Sylvia, escreveu de volta agredecendo pelo gesto e pedindo que a plaqueta fosse enviada para ela, mas nunca recebeu uma resposta.
A irm mais nova de Kownacki, Thereza, voltou a tentar, ansiosa por qualquer informao sobre o paradeiro do soldado americano: "Voc se conheceram e, se sim, como estava ele? Parecia bem? Estiveram juntos por muito tempo?"
Na verdade, os dois nunca haviam se encontrado. Kownacki foi morto em 15 de janeiro de 1943, e Todd chegou ilha em agosto. Os japoneses j haviam batido em retirada nesta poca, e Todd costumava sair em busca de relquias nas trincheiras abandonadas.
Foi assim que ele achou a plaqueta de Kownacki e outros itens. Ele enviou quase tudo para o Exrcito americano. Mas, por alguma razo, decidiu ficar com a plaqueta. Por dois anos, a famlia do soldado americano escreveu para Todd.
"Estou apreensiva por no saber nada sobre Stan", disse Sylvia em 1944. "Os meninos que voltam para casa contam todo tipo de histria, e nenhuma igual outra, ento, de alguma forma, ainda tenho esperana de que ele esteja vivo."
David Watson/Purple Hearts Reunited

Por dois anos, a me e irms de Kownacki escreveram para ex-soldado neozelands, sem resposta
No era incomum que famlias ficassem anos sem saber o que havia acontecido com seus entes queridos. Os pais de Kownacki acabaram se agarrando ideia de que ele poderia no ter morrido, como contou Thereza em uma carta de maio de 1946."Quase todos os dias, eles leem as cartas dele e esperam que volte um dia. Ao ler sua carta, eles ficam sem saber o que esperar. Sua maior esperana segurar nas mos a plaqueta, pois seria como segurar as mos de Stanley", escreveu a irm mais nova de Kownacki.
"Pode parecer tolice minha, mas me pergunto s vezes se voc no o Stanley escrevendo para ns com um nome diferente. Gostaria que fosse verdade."
Por um motivo inexplicado, Todd no respondeu s cartas nem enviou a plaqueta. Ficou com ela at sua morte, em 2004. "Eram cartas muito carregadas de emoo. L-las partiu meu corao. Nunca vamos entender por que ele no a mandou", diz Finke.
No se sabe muito sobre Todd, apenas que era um colecionador e acumulador de vrios objetos.
Aps sua morte, grande parte dos objetos que possua foram leiloados.
A plaqueta e as cartas, entretanto, foram parar nas mos de Watson, que por 12 anos, tentou achar os Kownacki, sem sucesso - at entrar em contato com Fike.
O prprio Fike, de 35 anos, um ex-militar condecorado com uma Corao Prpura, medalha de honra conferida a militares que se feriram ou morreram em combate. Em 2009, sua me comprou uma medalha assim em uma loja de antiguidades e a deu a ele como presente de Natal.
"Quando a vi, sabia que no devia ficar comigo. um smbolo de que algum deu seu sangue por uma causa, por um pas. Deveria ficar com a famlia dessa pessoa ou em um local de honra."
Mas ele foi enviado para lutar no Afeganisto antes de conseguir fazer isso. Dois anos depois, j de volta, conseguiu devolver a medalha para a famlia do soldado.
Essa ao acabou chegando ao noticirio, e Fike passou a receber pedidos de ajuda vindo de todo os Estados Unidos de pessoas que tambm haviam achado medalhas. Por causa do volume de trabalho que isso daria, Fike decidiu criar a Purple Hearts Reunited.
Hoje, recebe em mdia de trs a cinco medalhas por semana. J devolveu mais de 300 com a ajuda de um exrcito de voluntrios que auxiliam no resgate, pesquisa e devoluo de medalhas. Do caso de Watson, ele cuidou pessoalmente.
"Juntei as pistas sobre a histria de Kownacki e o paradeiro de sua famlia. Sua irm mais nova ainda estava viva, e consegui entrar em contato com ela."
Hoje, Thereza tem mais de 90 anos. Ela ficou em choque e no quis encontrar-se com Fike e reviver memrias dolorosas. Por isso, ele enviou a medalha pelo correio.
" uma relquia que ser passada de gerao em gerao. Um primo entrou em contato para me agradecer. Espero que isso tenha trazido paz para ela", diz Fike.
" sempre bom receber esse tipo de retorno. o nico tipo de reconhecimento que desejamos."