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Submarinos SSGN — transformando espadas em… espadas diferentes

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Postado Por Carlos Cardoso em 03 05 2017 em Defesa, Engenharia

Uns dias atrás, enquanto o mundo brincava de Wally com o porta-aviões Carl Vinson, sem alerta ou aviso aportou na Pior Coréia o USS Michigan, um submarino nuclear criado para basicamente destruir o mundo. Só que ele não estava armado com seus 24 mísseis Trident, cada um com oito ogivas independentes de 100 quilotons, totalizando 192 bombas de hidrogênio cada uma 8 vezes mais poderosa do que a que destruiu Hiroshima. Isso, por estranho que pareça, não foi um alívio para a Melhor Coréia.
Os Ohios são os últimos descendentes de uma longa linhagem de submarinos de mísseis balísticos, ou SSBN (Submersible Ship Ballistic Nuclear). O primeiro, USS Ohio terminou de ser construído no final de 1979 e entrou em operação em 1981. São 18.500 toneladas de deslocamento e 190 metros de comprimento. 20 metros a menos e 2.000 toneladas a mais do que o Minas Gerais, o primeiro porta-aviões brasileiro.


Eles foram criados para ser indetectáveis, submarinistas riem quando aviadores falam de Stealth. Nada mais furtivo do que dezenas de milhares de toneladas de aço passando debaixo do seu nariz sem você perceber. Por isso os Ohio são especialistas em se esconder, seu objetivo é patrulhar próximo às costas inimigas e dizimar países inteiros com uma salva de mísseis Trident.
Mesmo assim as tripulações se orgulham de ter os melhores torpedeiros da Frota. Se for preciso se defender, um Ohio consegue. Não que seja realmente preciso. Até hoje nenhum Ohio foi rastreado por um submarino inimigo.

Outra característica interessante é que por uma falha de projeto os Ohios acabaram entre 5 e 7 nós mais rápidos do que o especificado na documentação. Ninguém nunca reclamou disso.
O racional da MAD (Destruição Mútua Assegurada) é que em caso de um ataque inicial russo os submarinos próximos contra-atacariam, destruindo os mísseis inimigos que ainda não tivessem sido lançados e/ou, na pior das hipóteses mandando Moscou pro Inferno 10 minutos antes de Washington ter o mesmo destino.
Quando a Guerra Fria esfriou, isso deixou de ser prioridade e a frota de Ohios foi reduzida. Dos 24 planejados só 18 foram construídos. Desses o USS Ohio e outros três seriam desativados em 2002 mas alguém teve uma idéia:
Ohios são furtivos feito o diabo, têm autonomia ilimitada (somente limitada pela comida a bordo), podem ficar semanas na porta do inimigo sem ele saber. HOJE a necessidade de um ataque nuclear não existe mais, mas e ataques convencionais?
Decidiram adaptar os Ohios para levar mísseis convencionais, no caso o Tomahawk. Não foi fácil, tiveram que reformar os tubos de lançamento verticais, projetados para um único míssil Trident II:

O resultado foram células individuais, cada uma com um Tomahawk. Estava criado o SSGN — Submersible Ship Guided Nuclear.

Isso significa um total de 154 Tomahawks, o suficiente pra estragar o dia de qualquer um e mais mísseis do que uma esquadra inteira de navios consegue lançar. Mas… 154/7 dá 22. E os dois outros tubos?
Foram convertidos para câmaras de de acesso para mergulho, usadas por forças especiais em missões em lugares obscuros do mundo. Nesse caso no tubo é acoplado o DDS — Dry Deck Shelter, uma câmara especial com 12 metros de comprimento e trinta toneladas, com setor de descompressão, armazenamento de equipamento para os Navy SEALs e tudo mais.


Se for preciso o Michigan consegue funcionar com dois DDS ao mesmo tempo.
Os capitães ODEIAM esse equipamento, é barulhento, compromete a assinatura acústica do submarino, limita a velocidade máxima e são mais 30 toneladas de peso para carregar, fora os SEALs para alimentar, mas missão é missão.
Em conclusão, crianças, se o Michigan chegasse na costa da Coréia com seu complemento normal de mísseis nucleares o Grande Líder dormiria tranquilo, sabendo que não seriam usados. Só que ele chegou carregado de mísseis convencionais E equipamento para missões secretas dos Navy SEALs, pessoal que todo mundo que cresceu vendo Sessão da Tarde sabe que são casca-grossa.
Acima de tudo o USS Michigan ali é basicamente propaganda. Estão dizendo “somos tão poderosos que podemos comprometer uma arma dessas mostrando onde está, atracando e deixando a tripulação interagir com as nativas”.
O que o Grande Líder tem que temer não é o Michigan, mas os outros 3 submarinos idênticos, que podem estar em qualquer lugar do planeta, só aguardando a ordem.