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O mal-entendido vegetal que ajudou vencer a guerra

Cardoso 23/04/2018

Quando os ingleses montaram o primeiro computador do mundo e um Dream Team de cientistas matemáticos e engenheiros em Bletchley Park não contaram com as imensas dificuldades de decodificar a criptografia alemã, mesmo com ajuda de matemáticos poloneses e rotores das máquinas Enigma. Para piorar a versão naval era mais complicada ainda. As matilhas de U-Boats do Almirante Dönitz atacavam impunes os comboios aliados. Uma esperança apareceu em 1941, mas por pouco ela não foi por -perdoem o trocadilho água abaixo-
Foi em 9 de Maio de 1941 quando o HMS Bulldog conseguiu capturar o submarino alemão U-110 antes que os tripulantes conseguissem destruir a máquina Enigma e os livros de códigos. Sim, aquele filme U-571 é uma enorme mentira, não foram os americanos que capturaram a Enigma. Sorry Hollywood.
A sorte não estava em alta. O submarino estava afundando, e todos os livros de códigos, documentos e materiais secretos estavam encharcados, grudados e inutilizados. Ou melhor, estariam se dois anos antes algum estagiário não tivesse cometido um erro custoso e besta.
Quando os ingleses montaram a unidade de criptografia em Bletchley Park, escolheram os melhores especialistas para trabalhar lá. Um renomado criptogramista foi convidado, o Dr Geoffrey Tandy. Ele era oficial naval da reserva, e prontamente atendeu ao chamado da pátria, apresentando-se sem saber qual seria sua função.
O motivo do estranhamento? Geoffrey Tandy era um criptogamista, um sujeito que estuda plantas criptógamas, que se reproduzem sem flores e sementes, através de esporos.
Depois de alguns dias alguém percebeu o engano, mas como Geoffrey já sabia demais sobre as operações, era mais fácil manter o sujeito por lá mesmo, pagar o salário e mandar que não ficasse no caminho de ninguém.

Em 1941 quando o material danificado do U-110 chegou até Bletchley Park, ninguém sabia o que fazer com aquilo, até que lembraram do Geoffrey. Ele era especialista em preservação de espécimes e tinha anos de experiência em lidar com diários, folhas taxonômicas e outros materiais usados em campo que eram sempre danificados pela água do mar.
Geoffrey fez uma lista do material que precisava e mandou oficiais até o Museu Nacional de História Natural, seu antigo emprego para trazer os produtos e equipamentos necessários.
Os documentos foram todos recuperados e a equipe de Alan Turing teve todo o material que precisava para acabar com o que os comandantes de U-Boats chamavam de “tempos felizes”. Geoffrey provavelmente não fez mais nada até o fim da guerra, mas esse era um contracheque que o Alan Turing não deveria ter problema em assinar.